sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Twitter confirma que imagens de protestos na #Venezuela estão sendo bloqueadas

O governo de Nicolás Maduro continua reprimindo os veículos de notícias na Venezuela. Uma semana depois de cortar o sinal da emissora NTN24 enquanto transmitia ao vivo os protestos e de revogar a permissão de trabalho de jornalistas da CNN, o governo venezuelano, segundo confirmou o Twitter a BBC Mundo, está bloqueando as imagens publicadas no microblog no país. Logo depois de ter o sinal cortado, a NTN24 afirmou que sua conta de Twitter havia sido hackeada.

Marcha até o Palácio da Justiça de Maracaibo. Foto: 18 de fevereiro de 2014 via Wikimedia Commons
Nu Wexler, porta-voz do Twitter, disse à BBC Mundo que acredita que o governo esteja bloqueando o conteúdo, já que os afetados afirmam que o problema se produz exclusivamente em conexões do provedor de internet Compañía Anónima Nacional Teléfonos de Venezuela (Cantv), embora a empresa, que fornece mais de 90% da conexão à internet no país, tenha desmentido.

Segundo o jornal La Nación, este apagão informativo é o pior que os venezuelanos já sofreram em décadas: os canais privados se autocensuram e não dão informação que contradiga a versão oficial sobre as manifestações, e os canais públicos operam como porta-vozes do governo. Globovisión, canal de notícias crítico ao governo, foi comprado por entidades próximas a Maduro, e vários jornalistas renunciaram após a evidente censura dos protestos da semana passada.

Com a censura da mídia, Twitter é uma das poucas janelas que os venezuelanos opostos ao governo têm para difundir a informação que os meios não mostram, apesar de haver sempre o risco da mensagem, que se difunde de forma não centralizada, ser passada sem a devida verificação.

Segundo La Nación, a censura à mídia é resultado de uma lei venezuelana que proíbe que se faça apologia ao ódio e à violência, o que gera problemas porque a redação da lei deixa aberto aos funcionários do governo interpretar o que constitui "ódio e violência".

"Fui chamado de ditador, não importa. Mas vou endurecer as normas para acabar com o sensacionalismo e com a propaganda que alimenta a morte”, disse Maduro, justificando a perseguição à imprensa. Nas últimas semanas, Maduro acusou a imprensa internacional de atentar contra o governo e de instigar uma guerra civil.
A Sociedade Interamericana de Imprensa condenou a censura e repressão a meios do país, e também se manifestou em relação à hostilidade aos jornalistas estrangeiros. Segundo dados publicados pelo Colegio Nacional de Periodistas, Sindicato Nacional de Trabajadores de Prensa, e a organização não governamental Espacio Público, 55 de 61 casos reportados de violações `s liberdade de expressão correspondem a agressões contra jornalistas enquanto cobriam as manifestações em todo o país.

Segundo Infobae, o apagão informativo também foi fortemente criticado pela Associação de Entidades jornalísticas Argentina (ADEPA), e seus pares no Brasil, Colômbia, Chile, Equador e Peru.

Desde a tentativa de golpe de Estado em 2002, quando o presidente Hugo Chávez foi tirado temporariamente do poder, o governo reprime a mídia. Radio Caracas Televisión cessou transmissões em 2008 depois que Chávez se negou a renovar sua licença de operação, acusando-os de haver incitado o golpe, segundo La Nación. 

Também foram fechadas várias estações de rádio comerciais, substituídas por emissoras “neutras” sem estilo informativo. Nos últimos meses, vários jornais precisaram parar de circular por falta de papel na Venezuela.
BBC Mundo publicou uma lista de opções para fugir da censura dos provedores de internet, e Repórteres Sem Fronteiras (RSF) publicou uma carta aberta a Maduro denunciando que o direito à informação está em risco na Venezuela. 

Fonte: Jornalismo nas Américas

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Não é o regulador que deve dizer o que roda na internet ou não’, diz Demi Getschko

O Congresso americano se manifestou essa semana criando leis que podem sustentar o princípio da neutralidade de rede enquanto a Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos segue despossuída de legitimidade para atuar sobre o tema. Enquanto isso, cerca de 86 organizações (Reddit incluso) se uniram, escreveram uma carta, e conseguiram mais de 1 milhão de assinaturas para uma petição que apela em defesa da neutralidade.
Para ajudar a entender melhor as dispustas sobre o tema, considerado um dos mais importantes da internet atualmente, conversamos com o senhor Demi Getschko, conselheiro do Comitê Gestor da Internet e diretor do NIC.br, é uma das autoridades mais respeitadas quando o assunto é web. Antigo defensor do princípio da neutralidade da rede, Getschko se posiciona em relação à decisão de uma corte de apelação americana que desautorizou a FCC a aplicar regras sobre empresas de telecomunicações. Como resultado, o respeito à neutralidade está suspenso no país, o que, por sua vez, gerou consequências.


Veja a entrevista:
Como entendeu a decisão da corte americana contra a FCC? Afeta o mérito da neutralidade?
Errado é olhar isso como uma derrota de neutralidade. a leitura correta é que a corte achou que isso não é um tema da FCC, das comunicações. Isso é um ponto a favor de que a internet está além disso. O que eles estão dizendo é que formalmente não é a FCC que deve dizer quem deve obedecer a neutralidade, cada um tem sua área de competência. É uma decisão que corrobora o que o Brasil fez dizendo que a internet é algo muito mais complexo do que telecomunicações. É fácil você colocar neutralidade nas telecomunicações, ninguém discute isso. Mas há aspectos econômicos, de censura, questões jurídicas que são coisas que vão muito além de uma estrutura de telecomunicações. Como exemplo, uma coisa é você coordenar os telefones no mundo; outra é poder ouvir as ligações. É uma questão de política, mais do que técnica. Quebra de neutralidade tem razões econômicas e políticas. O que aconteceu foi que a FCC tentou se antecipar sobre a questão, mas falta legitimidade. Não dá para ser o guardião da neutralidade. Neutralidade deve ser defendida por uma série de instituições.
O ideal lá é que a neutralidade não fosse implementada por norma, mas por lei. Certo?
As coisas acontecem na estrutura das telecomunicações, mas acontecem por conta de falta de legislação sobre isso. Como há necessidade de neutralidade, isso deve ser buscado por uma legislação específica, como o Marco Civil faz. A rede evolui de maneira espontânea, se tentarem botar camisa de força na estrutura e impedir determinado tipo de conteúdo e impedir o novo, como aconteceu com o VoIP, você impede o dinamismo.
A FCC tentando forçar a neutralidade das operadoras lá nos EUA é como se a Anatel tentasse o mesmo por aqui?
O paralelo, como todos, são imperfeitos. As motivações da FCC são diversas, por aqui a Anatel pode ter outras motivações. O importante é que no fim do dia a internet não é considerada telecomunicações. É capaz que a FCC tenha feito isso nas melhores das intenções. No mérito, estou de acordo com a FCC; na forma, estou de acordo com a corte, porque neutralidade não deve ser imposta. Aqui ouvimos diversas vezes que neutralidade deve ser decidida pela Anatel e não no Marco Civil. Isso é um erro. A Anatel já determina neutralidade sobre velocidade, o mínimo de 512 kpbs tem que ser respeitado. Isso basta. No mérito, ninguém combate a neutralidade. Na forma, como disse, concordo que não deve ser a FCC a determinar quem deve obedecer neutralidade. FCC é infraestrutura, neutralidade de rede não é infraestrutura. Não é um regulador que deve determinar o que vai rodar na web ou não. Não é material, é uma questão etérea. Software não é telecomunicações, protocolo não é telecomunicações.
Acha que a decisão americana ainda vai servir como argumento por quem é contra neutralidade?
Uma forma maliciosa de ver a decisão é dizer que “como os EUA não consegue colocar neutralidade nas telecomunicações, eles vão perder a neutralidade” e “nós, que somos a favor da neutralidade, gostaríamos de implementá-la”. Seria uma forma enviesada. A gente sabe que as coisas aqui são mais complicadas e as entidades são até mais radicais.
Como vê a decisão da FCC de tratar operadoras móveis de forma diferente das de banda larga fixa?
É sensato diferenciar a estrutura que vai da rede fixa para o mundo, da que sai da telefonia e trafega para o aparelho celular. Wi-Fi e estrutura fixa têm origens diferente da internet móvel. Um dos modos de atrapalhar a neutralidade é tratar a neutralidade do mesmo modo na estrutura física e na estrutura celular. Se tratar as duas juntas, veremos que são infactíveis. É impossivel garantir velocidade mínima porque varia mesmo. Agora, nas casas das pessoas é possível. Um modo de fazer a coisa não andar é botar tudo no mesmo saco. No Brasil, não há essa distinção. As medições que fazíamos era de banda larga fixa. No Marco Civil não está separado, mas também, lá, é preciso deixar um tanto genérico para não permitir ainda mais argumentos contrários.
Como vê o texto do Marco Civil atualmente? Acha que a atual redação está de acordo?
Acho que a ideia seria aprovar o Marco Civil do jeito que está, porque ele é principiológico. E depois diferenciar seus pontos. Se conseguimos aprovar a fundação, aí conseguiremos construir as leis sobre o prédio. Precisamos antes aprovar os princípios básicos.

Fonte: Link Estadão

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Angry Birds é usado pela NSA para acessar dados de usuários de celulares

A NSA (Agência de Segurança Nacional) dos Estados Unidos utiliza aplicativos vulneráveis, como o jogo "Angry Birds", para acessar informação pessoal ou dados de localização no mundo todo , revelaram nesta segunda-feira (27) os jornais "New York Times" e "Guardian".

As agências de inteligência dos Estados Unidos e Reino Unido desde 2007 tentam explorar a grande quantidade de informação obtida por aplicativos móveis e as partilhadas em redes sociais, segundo novas revelações do ex-analista externo da NSA, Edward Snowden.

Segundo os jornais, a NSA reconheceu as imensas possibilidades de espionagem que os "smartphones" reúnem pelos aplicativos, e são chamados de "sementes de ouro", revelou uma das páginas do documento, datada de maio de 2010.

A NSA recomenda buscar modos de explorar utilidades como Google Maps e obter dados de posicionamento, contatos, direções e telefones nos metadadosde fotos compartilhadas em redes sociais como Facebook, Flickr, LinkedIn e Twitter.

Os documentos que o "New York Times" mostram que especialmente os aplicativos desenvolvidos no começo da introdução dos smartphones e os que têm anúncios são os mais vulneráveis.

Os documentos revelados por Snowden mostram, por exemplo, que o centro de escutas do Reino Unido, GCHQ, tentou quebrar partes do código de programação do jogo "Angry Birds" para Android para obter dados pessoais.

No entanto, os documentos vazados hoje não falam quantos usuários podem ter sido espionados com estas técnicas ou se espionou também cidadãos americanos, o que violaria a Constituição americana.

Em uma resposta escrita, a NSA disse não buscar "perfis do americano comum nas missões de inteligência estrangeira".

O desenvolvedor de "Angry Birds", Rovio, reconheceu em 2012 que compila informação privada de seus usuários para que as empresas de publicidade online dirijam melhor sua mensagem, uma técnica que outros aplicativos também usam.

Os serviços de inteligência britânicos e americanos poderiam obter essa informação secretamente, e elas vão de raça, orientação sexual e estado civil das pessoas espionadas.

Fonte: UOL Tecnologia


domingo, 26 de janeiro de 2014

#BoateKiss: Completa um ano a tragédia de Santa Maria

Na véspera do primeiro ano da tragédia na Boate Kiss, que resultou na morte de 242 pessoas, a cidade amanheceu triste. Sem sol, com poucas pessoas nas ruas e com o comércio fechado, a cidade, que fica na região central do Rio Grande do Sul, prepara homenagens às vítimas do incêndio ocorrido durante apresentação da banda Gurizada Fandangueira, em uma festa de universitários. Por toda Santa Maria, é possível ver faixas brancas, balões e flores em frente a casas e lojas, além de laços brancos nas antenas dos carros que circulam nas ruas.

Na noite deste domingo (26), parentes e amigos das vítimas do incêndio vão se reunir na praça central. À meia-noite, começará uma vigília e, às 3horas da manhã, os participantes seguirão em caminhada até o local onde funcionava a casa noturna. Amanhã (27), Santa Maria homenageará seus mortos durante todo o dia.

Para o comerciante Antônio Morais, que perdeu a enteada Karina Knirch, de de 19 anos, a tragédia mudou a imagem da cidade. "Santa Maria era um local conhecido pelo vida, pela juventude, por ser um polo universitário, mas hoje está diferente, triste." Vestindo camisetas em homenagem à jovem, Antônio e mulher viajaram de carro até Santa Maria, que fica a cerca de 60 quilômetros do local onde moram.

Em frente ao que restou da casa noturna, muitas pessoas passam para olhar, tirar fotografias e refletir por alguns instantes. Alguns se emocionam, como o turista cearense Pedro Paulo Carvalho. Com a família, ele passou alguns minutos olhando o lugar, dizendo que queriam ver onde aconteceu uma das maiores tragédias do país. "Ficamos arrepiados. É muito triste".
Fernando Frazão/Agência Brasil

O prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer, decretou luto oficial nesta segunda-feira. O expediente interno nos serviços municipais será reduzido em uma hora, terminando às 15 horas. Já o atendimento ao público não será alterado, com expediente das 7h às 13h.

Fonte: Agência Brasil 

Leia mais:

#BoateKiss: Ex-segurança da Kiss relembra "o filme de terror" goo.gl/1r71gV
 
#BoateKiss: Congresso debate prevenção de tragédias como a da #Kiss goo.gl/YAtdk6 

#BoateKiss: o dia "mais longo" da vida de um repórter goo.gl/Z2hPJd pic.twitter.com/5CkkEw29I9 

#BoateKiss: Perplexidade tomou conta de Santa Maria, relata repórter goo.gl/xgrmW0 pic.twitter.com/pJmnTk9XTL 

Na porta da #BoateKiss "o cheiro era de morte", conta repórter goo.gl/05I0z6 #SantaMaria pic.twitter.com/NynencuTmn 
 
Tempo é fundamental para recuperação de parentes das vítimas da #BoateKiss , diz especialista goo.gl/ETJzG3 pic.twitter.com/LSMCBFrj6y



Relembre como a Rua do Baú acompanhou a tragédia:
Chega a 239 número de mortos em incêndio de boate

Veja como a banda se apresentava normalmente





A armadilha do PET , artigo de Norbert Suchanek

Lixão da Estrutural-DF/Wilson Dias/Agência Brasilenda
Foi na última semana, quando uma amiga me enviou uma foto de seu quintal de permacultura, e com orgulho ela escreveu: "Olha estou reciclando garrafas de PET, utilizando no viveiro para as minhas plantinhas." A minha amiga se acha ecologicamente correta e consciente, mas sem querer ela entrou na armadilha da grande indústria do plástico e do petróleo.
Por anos, incontáveis de workshop de reciclagem ensinaram aos brasileiros, criancinhas, adultos, idosos, donas de casa, comunidades carentes e povos indígenas, a maravilha de “reciclar” garrafas PET. As garrafas de PET usadas passam então a servirem para várias coisas. Vasos para plantas, brinquedos, bijuterias, árvores de Natal, móveis ou qualquer coisa inimaginável. Paralelo a isso, foi criado um mercado de roupas com malha PET, identificada como ecologicamente correta. Camisas caríssimas porque salvam o Planeta, diz a propaganda.

Uma mentira que só virou verdade nesta sociedade do século 21, porque foram repetidas milhares vezes. A realidade é essa: O uso de uma garrafa PET velha no seu quintal ou em forma de roupa, ou como um “telhado verde”, não é reciclagem e nem preserva o meio ambiente. Reciclagem é quando uma garrafa PET velha vira uma garrafa PET nova, como é feito com as garrafas de vidro. Só assim o uso da matéria prima, o petróleo, e o gasto de energia estarão reduzidos. Mas o que acontece com a PET, na realidade, é o contrário disso. A garrafa PET na prática mundial não vira uma nova garrafa PET. A garrafa velha vira um outro produto, um processo que internacionalmente recebeu o nome “Downcycling”.

Ao contrário do vidro, a PET não pode ser reutilizada na linha de produção original e o seu processo de reciclagem de verdade é ainda caro e complicado. Por isso a indústria de embalagens prefere utilizar matéria prima para seus produtos e inventou a propaganda da PET-Recicling.

Novos mercados para o lixo de PET foram criados que de fato estão estimulando a produção de novas garrafas PET à base da matéria prima petróleo. Por exemplo, o novo mercado de Eco-Camisas, Eco-Bolsas ou Eco-mochilas de PET, precisa de produção de novas garrafas de PET à base da matéria prima. E isto é um ato contra a sustentabilidade, contra o meu ambiente e contra a nossa própria saúde.

Pior: ao contrário das fadas da propaganda da indústria química, a produção de PET nem é fácil ou
limpa. Além do uso de petróleo, também várias substâncias tóxicas são necessárias ou são criadas durante o processo. Por exemplo, a indústria está usando trióxido de antimônio no processo de fazer PET. Mas antimônio é um metal pesado venenoso e pode criar câncer. “A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) classifica o trióxido de antimônio no Grupo 2B – possivelmente carcinogênico para o ser humano.”



A substância orgânica Bisfenol-A (BPA) é um outro grande vilão na produção de garrafas de plástico e de outras embalagens. Esta substância de fórmula (CH3)2C(C6H4OH)2 é um estrogênio sintético e pode causar câncer e infertilidade. Já foi provado há anos que o Bisfenol-A pode contaminar os líquidos dentro das garrafas de PET ou de outros plásticos.
Quem compra garrafas de PET e as usam no seu quintal como um viveiro ou quem cria um sofá de PET ou bijuterias, também está responsável pela continuidade do uso do petróleo, pela mineração de antimônio e seus efeitos danificadores e pela contaminação do meio ambiente com substâncias tóxicas e cancerígenas.

O mundo não precisa de garrafas, camisas ou viveiros de PET. Vidro é o melhor material para guardar qualquer bebida, inclusive a água. As garrafas de vidro podem ser reutilizadas centenas de vezes. E o material de vidro pode ser reciclado sem fim. O próprio vidro é a melhor matéria prima para fazer vidro.

Fonte: EcoDebate

sábado, 11 de janeiro de 2014

A ‘Depressão’ brilhantemente ilustrada

Encontrei este texto e o vídeo em uma postagem no Facebook. Reproduzo eles aqui com a mesma tentativa de ajudar alguém. Mesmo sendo esse um blog de tecnologia, é um problema que precisa ser encarado de frente..

Na boa, todos deveriam ver esse vídeo. Sério! Ele poderá ajudar pessoas que sofrem desse “mal do século” chamado depressão a verem seu problema com outras perspectiva e ajudar a encontrar uma saída, já as pessoas que não conseguem entender ou mesmo que subjugam pessoas que estão com depressão dizendo que “é frescura!” a entender como é a vida, o peso, a dificuldade da ressocialização, a dificuldade das noites mal dormidas, entre outros problemas que enfrentam uma pessoa que está em crise. Depressão não é frescura e não é doença de quem não tem problema! Na boa, esse sim é um vídeo de utilidade pública e que pode ajudar muita gente direta e indiretamente. No vídeo fica claro, mas a depressão é representada pelo cachorro preto.


Texto do blog: xpock.com.br



terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Google e HP estão realizando recall do Chromebook 11 por problemas no carregador

Apesar de a princípio parecer um produto muito bom por um preço camarada, na verdade Google e HP pagaram um mico bem grande com o Chromebook 11, muito provavelmente por não submeter o ultrabook a todos os testes necessários.
Não foram uma ou duas vezes, mas diversos consumidores que adquiriram o equipamento relataram problemas de superaquecimento no carregador que acompanha o kit. Alguns até mesmo notificaram que o acessório derreteu. O Google teve que retirar o produto do mercado, e aconselhou os que já o haviam adquirido para não utilizar o carregador padrão e que se virassem com similares de smartphones ou tablets.
Foram ao todos nove relatos de problemas com o carregador, dois causando respectivamente queimaduras e danos à propriedade. Por fim a empresa resolveu fazer o óbvio ao iniciar o processo de Recall dos carregadores,  aconselhando os compradores a interromperem o uso dos Chromebooks. De acordo com a Comissão de Segurança dos Produtos de Consumo dos Estados Unidos, foram vendidos cerca de 145 mil ultrabooks no território norte-americano. Por sorte ele não chegou a ser comercializado fora dos States.
O Google divulgou que o recall será feito de forma simples: ela enviará para a casa dos compradores um novo carregador e uma caixa de correio pré-paga para que o consumidor possa remeter o acessório defeituoso de volta. Por fim o Google anunciouatravés de seu blog que as vendas do HP Chromebook 11 serão retomadas, ainda que ambas empresas tenham um longo caminho para recuperar a confiança dos clientes. De minha parte eu adoraria adquirir um caso o Google o vendesse aqui por um preço bem camarada, algo que a Acer não fez.
Fonte:  The Verge e Google., via Meio Bit

Por asilo, Snowden promete ajudar Brasil

O delator do esquema de espionagem do governo americano, Edward Snowden, promete colaborar com a investigação sobre as ações da NSA (Agência de Segurança Nacional) no Brasil. Para que possa fazer isso, em troca, quer asilo político do governo Dilma Rousseff.

Leia íntegra da carta escrita por delator 'ao povo brasileiro'

A promessa de ajuda está em uma "carta aberta ao povo do Brasil", obtida pela Folha, que será enviada a autoridades e fará parte de uma campanha on-line, hospedada no site da ONG Avaaz, especializada em petições. A ideia é sensibilizar Dilma a conceder abrigo a Snowden, ex-agente de inteligência do governo americano. "Muitos senadores brasileiros pediram minha ajuda com suas investigações sobre suspeita de crimes contra cidadãos brasileiros. Expressei minha disposição de auxiliar, quando isso for apropriado e legal, mas infelizmente o governo dos EUA vem trabalhando muito arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo", declara na carta, originalmente em inglês. Snowden se refere à CPI aberta no Senado para investigar as atividades da NSA no Brasil, que incluíram monitoramento de telefonemas e de emails de Dilma e da Petrobras.

O ex-técnico da NSA pode ser processado e preso se voltar aos Estados Unidos Crimes pelos quais Snowden é acusado -- O ex-técnico da NSA pode ser processado e preso se voltar aos Estados Unidos Segundo ele, não é possível colaborar diante da precária situação jurídica em que se encontra, com apenas asilo temporário, concedido pela Rússia até o meio de 2014. "Até que um país conceda asilo permanente, o governo dos EUA vai continuar a interferir em minha capacidade de falar", afirma Snowden, na carta. O ex-prestador de serviços para a NSA, que está na Rússia desde junho, reclama de lá ter seus movimentos muito limitados, sem condições de fazer um verdadeiro debate sobre o escândalo, de acordo com Glenn Greenwald, o jornalista para quem ele vazou os dados.

 No Brasil, com status de asilado permanente, teria mais liberdade para isso. Snowden toma cuidado, na carta, de não se dirigir diretamente a Dilma. A razão é não melindrar o governo russo, que o hospeda. Mas, ainda de acordo com Greenwald, ele quer vir para o Brasil. Em junho, Snowden revelou ao jornalista, à época trabalhando para o diário inglês "Guardian", documentos que mostram a capacidade do governo americano de espionar cidadãos e empresas em vários países. "Hoje, se você carrega um celular em São Paulo, a NSA pode rastrear onde você se encontra, e o faz. [...] Quando uma pessoa em Florianópolis visita um site na internet, a NSA mantém um registro de quando isso aconteceu e do que você fez naquele site. Se uma mãe em Porto Alegre telefona a seu filho para lhe desejar sorte no vestibular, a NSA pode guardar o registro da ligação por cinco anos ou mais tempo", afirma, na carta. Segundo Snowden, a vigilância sem critério "ameaça tornar-se o maior desafio aos direitos humanos de nossos tempos".

 "A NSA e outras agências de espionagem aliadas nos dizem que, pelo bem da nossa própria 'segurança' --em nome da 'segurança' de Dilma, em nome da 'segurança' da Petrobras--, revogaram nosso direito à privacidade e invadiram nossas vidas. E o fizeram sem pedir a permissão da população de qualquer país, nem mesmo do deles", afirma, em outro trecho. APÁTRIDA Greenwald, que vive no Rio, e seu namorado, o brasileiro David Miranda, pretendem liderar uma campanha para que Dilma lhe conceda o asilo. Após chegar à Rússia, Snowden enviou pedido a vários países, Brasil inclusive. Mas não obteve resposta. Quem respondeu favoravelmente foram Bolívia, Venezuela e Nicarágua, mas Snowden prefere o Brasil. "O Brasil é o lugar ideal por ser um país forte politicamente, onde as revelações tiveram um impacto real", afirma Miranda. O argumento jurídico para convencer as autoridades brasileiras é o de que os direitos humanos de Snowden estão ameaçados. "Se o governo brasileiro agradece a ele pelas revelações, é lógico protegê-lo", declara Greenwald.

 O Brasil, lembra Snowden na carta, foi coautor, ao lado da Alemanha, do texto da resolução aprovada por uma comissão da Assembleia Geral da ONU, em que se associava o impacto da espionagem a violações aos direitos humanos. "Nossos direitos não podem ser limitados por uma organização secreta, e autoridades americanas nunca deveriam decidir sobre as liberdades de cidadãos brasileiros", afirma ele. Snowden recorda que a decisão de revelar ao mundo o esquema de espionagem custou sua família, sua casa e pôs sua vida em risco. "O preço do meu discurso foi meu passaporte, mas eu o pagaria novamente. Prefiro virar apátrida a perder minha voz", declara.

ENTENDA O CASO

Snowden, que trabalhava no escritório da NSA no Havaí, copia documentos da agência 20 de maio Vai a Hong Kong para conceder entrevistas a Glenn Greenwald, do jornal "Guardian" 9 de junho Após jornal publicar reportagens, ex-técnico da NSA revela ser responsável por vazar dados sobre espionagem dos EUA 22 de junho EUA acusam Snowden, cancelam seu passaporte e pedem a Hong Kong que o extradite 23 de junho Snowden sai de Hong Kong rumo a Moscou; fica na área de trânsito do aeroporto Sheremetyevo, sem entrar oficialmente no país por cerca de um mês 2 a 7 de julho Snowden pede asilo a 21 nações, inclusive Brasil, que nega 7 de julho "O Globo" informa que cidadãos e empresas no Brasil foram espionados pela NSA 16 de julho Snowden pede asilo temporário à Rússia 1º de agosto Snowden obtém asilo da Rússia 18 de agosto David Miranda, namorado de Greenwald, que publicou os casos de espionagem, é detido no aeroporto de Londres 1º de setembro TV Globo revela que Dilma teve comunicação com seus assessores interceptada 8 de setembro TV Globo informa que Petrobras foi alvo de espionagem 17 de setembro Dilma cancela ida aos EUA 11 de dezembro Atrás apenas do papa, Snowden é eleito a segunda personalidade mais importante do mundo pela revista "Time" 16 de dezembro Corte dos EUA decide que monitoramento de cidadãos americanos é ilegal.

Via @FolhaMundo: http://goo.gl/zzYJuQ

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Antes do Black Friday, Procon aumenta 'lista negra' do comércio eletrônico 68

O Procon-SP acrescentou mais três sites em sua "lista negra" de sites de comércio eletrônico: Baratoajato.com.br, Myamivendas.com e Miamicelular.com. Com isso, sobem para 325 as páginas não recomendadas pelo órgão de defesa do consumidor.



O órgão diz ter recebido reclamações sobre esses sites, que foram notificados e não responderam ou não foram encontrados. Assim, foi impossível "qualquer tentativa de intermediação entre as partes", explicou o Procon-SP em seu blog.
Entre as principais queixas estão a não entrega dos produtos adquiridos. "Esses fornecedores não são localizados [...]no banco de dados de órgãos como Junta Comercial, Receita Federal e Registro BR, responsável pelo registro de domínios no Brasil. Por isso, antes de comprar, o consumidor deve buscar mais informações a respeito do fornecedor para não cair em armadilhas".

O Procon-SP orienta os consumidores a procurar no site a identificação da loja (razão social, CNPJ, telefone e outras formas de contato além do e-mail); a optar por fornecedores recomendados por conhecidos; a desconfiar de ofertas vantajosas demais; a não comprar em lojas que só aceitem boleto bancário e/ou depósito em conta; a imprimir todos os documentos referentes à transação (comprovante de pagamento, contrato, anúncios, etc.).

Além disso, o usuário deve instalar programas de segurança em seu computador, mantê-los atualizados e nunca realizar transações online em computadores públicos.

Fonte: UOL Tecnologia

sábado, 21 de setembro de 2013

Google Brasil terá de fornecer e-mails trocados entre pessoas investigadas em inquérito

A empresa Google Brasil Internet Ltda. terá mesmo que fornecer o conteúdo de mensagens transmitidas pelo Gmail entre pessoas investigadas em inquérito sigiloso que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O valor da multa diária por descumprimento da decisão é de R$ 50 mil.

A Corte Especial do STJ negou mandado de segurança impetrado pela Google, em que a empresa alegava ser impossível cumprir a determinação desse próprio colegiado. Sustentou que não tem como promover a quebra de sigilo das contas de e-mail pois esse acesso seria exclusivo da Google Inc., matriz da empresa, com sede nos Estados Unidos.

O relator, ministro Arnaldo Esteves Lima, destacou inicialmente que não cabe a impetração de mandado de segurança no mesmo órgão julgador que proferiu a decisão contestada. Essa é a jurisprudência consolidada do STJ.

Segundo o ministro, embora a decisão atacada tenha sido proferida em inquérito que tramita sob segredo de Justiça, a Google Brasil teve pleno acesso ao seu inteiro teor. Tanto que, além de ter apresentado embargos, a empresa interpôs recurso extraordinário ao Supremo Tribunal Federal.

Para o relator, também não procede a alegação de impossibilidade de cumprimento da decisão, tomada pela Corte Especial após exaustiva fundamentação. Assim, cabe à empresa providenciar em sua matriz os dados solicitados.

Leia também:

Corte Especial determina que Google entregue dados de e-mail armazenados nos EUA

Fonte: STJ

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

#Facebook: Programa que rouba dados bancários prospera no site de relacionamento

Zeus, um programa que rouba informações bancárias descoberto há mais de seis anos, continua ativo e fazendo vítimas no Facebook.
O software malicioso já infectou milhões de computadores em todo o mundo --a maioria nos EUA. Uma vez que o Zeus se instala em uma máquina, ele permanece dormente até que a vítima visite um site de banco. O Zeus então grava todos os dados inseridos, como números de contas e senhas, e depois drena todo o dinheiro disponível.

Em alguns casos, o programa pode até mesmo substituir o site de um banco com uma página falsa, a fim de obter mais informações, tais como um número de segurança social, que podem ser vendidos no mercado negro.
De acordo com pesquisadores da empresa de segurança Trend Micro, ataques utilizando o Zeus têm aumentado de forma constante desde quando ele foi descoberto, em 2007.
Eric Feinberg, fundador do Fake (Fans Against Kounterfeit Enterprise), grupo que age pela conscientização contra ameaças virtuais, notou um aumento de links infectados com o Zeus em páginas populares sobre a NFL (liga de futebol americano dos EUA) no Facebook.
O malware estava sendo disparado por computadores controlados pela organização criminosa Russian Business Network, que tem sido associada a atividades como distribuição de programas maliciosos, roubo de identidade e até pornografia infantil.
Feinberg disse que tentou alertar o Facebook para o problema. Um porta-voz do site lembrou que a rede escaneia sempre por links com programas maliciosos e oferece aos usuários uma ferramenta de varredura de ameaças.
Segundo Feinberg, a abordagem após o fato não é suficiente. "Se você realmente quer hackear alguém, o melhor lugar para começar é um falso perfil no Facebook. Tão simples e tão estúpido", disse.
"Eles não estão ouvindo. Precisamos dar mais atenção para isso", completou Feinberg.

Autor/Fonte:  Folha Tec

domingo, 18 de agosto de 2013

#ForadoEixo-SP: a vez do #UOL

A ideia parece sedutora para qualquer jovem que goste de cultura e novas experiências: morar com outras pessoas da mesma idade e com as mesmas afinidades numa casa grande onde tudo é compartilhado e feito de maneira coletiva. Essa é a proposta das casas do Fora do Eixo, nas quais os integrantes da rede vivem juntos em grupos de até 30 pessoas para economizar nas despesas de aluguel, luz, água, telefone e internet.

O sonho alternativo, entretanto, virou pesadelo para alguns ex-integrantes. Após abandonarem os locais, eles relataram proibições de se relacionar com pessoas de fora das residências, uma divisão machista de tarefas e até o uso de militantes para atrair sexualmente outros indivíduos para a rede.

O UOL visitou a casa do Fora do Eixo em São Paulo na última sexta-feira (16), dia especialmente difícil para as lideranças da rede. Após duas semanas de um bombardeio de críticas às práticas do coletivo, a revista "Carta Capital" publicou reportagem assinada por um ex-parceiro do grupo. Na matéria, uma antiga moradora da casa de São Paulo afirma que Pablo Capilé, cofundador do Fora do Eixo, utiliza a expressão "catar e cooptar" para se referir à prática de um(a) militante fingir interesse sexual para trazer ao coletivo perfis de interesse das lideranças.




"As meninas do Fora do Eixo vão processar essas pessoas [que estão fazendo as acusações]. Isso é de um machismo intolerável do meu ponto de vista. A suposição do acontecimento disso, a acusação para as meninas que estão dentro da rede, saca? É uma acusação muito grande. Você não devia falar isso numa entrevista ou dar um depoimento sobre isso. Você tinha que ir para o Ministério Público, para a polícia, denunciar para os órgãos responsáveis. Eu vou defender que as mulheres do Fora do Eixo processem todo mundo que está falando isso, porque isso não pode passar barato, não pode ficar assim", defende-se Capilé, inquieto na poltrona da sala de TV da Casa em São Paulo.

A reportagem foi recebida por Felipe Altenfelder, membro do planejamento do coletivo. De touca preta e barba por fazer, Felipe apresentou a redação da Mídia Ninja e do #PósTV nos fundos da casa, próximo ao palco onde são recebidas bandas no evento Domingo na Casa. A casa de São Paulo abriga cerca de 20 moradores, mas só metade estava no local no momento da visita. "Tem muita gente fora hoje", disse Capilé.

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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Fora do eixo. Depois de Veja, na Carta Capital

Na esteira dos protestos de junho, a Mídia Ninja emergiu como uma novidade instigante, um novo modelo de jornalismo. A concepção é simples e barata: por meio de celulares, os repórteres ninjas transmitem pela internet as imagens dos acontecimentos. Não há texto nem edição, apenas os vídeos em estado bruto em transmissões que facilmente duram seis horas. Na página do grupo no Facebook, há ainda fotos dos atos.



O sucesso repentino tornou-se, porém, uma fonte de dor de cabeça. Tudo começou com a presença de dois de seus expoentes no Roda Viva, programa de entrevistas da TV Cultura, em 5 de agosto. O jornalista paulistano Bruno Torturra, até então, era a única face do Mídia Ninja, acrônimo de “Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação”. A novidade foi a presença de Pablo Capilé, criador do coletivo Fora do Eixo, guru de uma nova forma de ativismo. Ficou clara a ligação umbilical dos dois (Ninja e Fora do Eixo), antes praticamente desconhecida.

Por que essa relação virou alvo de tantas críticas? Em pequenos círculos, não é de hoje, corriam acusações contra o movimento. A exposição de Capilé amplificou as acusações nas redes sociais, espaço de excelência do grupo. Nos últimos dias, CartaCapital ouviu oito ex-integrantes e debruçou-se sobre a estrutura organizacional do coletivo. Metade deixou-se identificar. Os demais preferiram não ter seus nomes citados, por medo de represálias, mas confirmam as informações dos ex-colegas. Emergem da apuração um aglomerado controverso, acusações de estelionato, dominação psicológica e ameaças.

Nas casas, os integrantes dividem quartos, dinheiro, comida e roupas. E estão submetidos ao “processo” do Fora do Eixo. “Primeiro te isolam. Proíbem de sair na rua ´sem motivo´, impedem de encontrar amigos ou estabelecer qualquer contato com pessoas de fora. Depois, vem a apropriação de toda a sua produção. O cara sai sem grana, sem portfólio e distante dos amigos antigos. Sem apoio psicológico ou da família vai demorar a se restabelecer social e profissionalmente”, diz o fotógrafo Rafael Rolim, 29 anos, 3 deles na organização, em contato direto com Capilé. Rolim e os demais integrantes ouvidos pela revista endossam o depoimento da ex-integrante Laís Bellini, postado nas redes sociais.

A cineasta Beatriz Seigner foi a primeira a criticar o coletivo. Em texto postado no Facebook dois dias após o Roda Viva, diz, entre outros pontos, que o Fora do Eixo rompeu acordos e não lhe pagou por exibições de seu filme. Escreveu ainda sobre o volume de trabalho dos integrantes, que não teriam direito à vida pessoal ou diversão. Se disse ainda impressionada com a devoção à figura de Capilé. E comentou a repercussão: “Chegaram centenas de mensagens de coletivos e artistas do Brasil todo agradecendo o desmonte da rede. Estou aliviada."

No dia seguinte foi a vez de Laís Bellini. Segunda ex-integrante a se manifestar, seu longo relato é considerado por outros ex-membros o mais completo e fiel retrato do dia-a-dia do coletivo. Laís descreve uma estrutura radicalmente rígida e verticalizada, baseada em forte dominação psicológica. Para exemplificar, revela que foi afastada de um amigo antigo que vivia sob o mesmo teto – “Disseram: ´Laís, o Gabriel era seu amigo lá em Bauru. Aqui vocês não têm que ficar de conversa. Aqui dentro vocês não são amigos”; Laís revelou ainda o “choque-pesadelo”, prática que consiste em por uma pessoa na sala e “quebrá-la” moralmente, aos berros; a moça narrou ainda que a cúpula controla horários e saídas à rua e que o trabalho é extenuante e sem folga nem aos domingos. São vigiados até bate-papos no Facebook ou Gtalk. Laís está em meio a uma longa viagem pela América Latina, sem data pra voltar. A distância, diz, lhe deu coragem para falar. “Quando postei, tirei toneladas do ombro e comecei a chorar. Tomei coragem para dizer o que muitos têm medo mas que todos sabem que é verdade".

Um dos pontos levantados pelos entrevistados é o uso dos integrantes como uma espécie de isca sexual, o chamado Catar e Cooptar. “Há reuniões na cúpula para definir quem vai dar em cima de você e te fisgar pra dentro da rede”, afirma Laís. O designer Alejandro Vargas, que morou por 3 anos na Casa Fortaleza, dá mais detalhes: “Numa viagem rolou um papo que 'deveria ficar ali', sobre 'fazer a entrega para a rede'. Diziam: 'tem o cara ou menina mais feios, mas que trampam muito' e tem aqueles com 'mais chances de ter relações'. Tem que fazer a entrega para alimentar o estímulo de quem é menos provido de beleza, inclusive de fora da rede, para trazer para dentro”.

Rolim acrescenta: "'Catar e Cooptar' é o termo usado pelo Pablo, com todas as letras e constantemente. Eu mesmo fui proibido por ele de me aproximar de uma pessoa com quem tinha afinidade porque, 'para o processo', eu deveria estar solteiro, eu era uma boa 'isca'. Relações espontâneas entre dois integrantes, por amor, também não são bem vistas. Casais assim são pressionados a desmanchar, e é proibido ter relações com pessoas de fora da rede, a não ser por ordem superior. Capilé nega a prática. “As relações afetivas não são determinadas por regras do movimento, mas construídas por cada indivíduo, a partir dos desejos de cada um.”

O Fora do Eixo nasceu em 2005, e seu nome faz menção ao fato de a iniciativa ter começado em centros distantes de São Paulo e do Rio. Capilé é de Cuiabá. Do Mato Grosso, o coletivo expandiu-se para Uberlândia (MG) e Rio Branco (AC), e dali para outras cidades. A relação com os artistas funciona assim: uma banda iniciante entra na programação de eventos culturais do grupo e faz shows em algumas cidades. Não paga passagem, hospedagem e alimentação (fica nas casas Fora do Eixo). Em contrapartida, não recebe cachê. O dinheiro arrecadado com suas apresentações financia o movimento.

Capilé e seus apoiadores calculam 2000 integrantes, mas o Fora do Eixo se resume a sete casas (São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Belém e Porto Velho), onde vivem em média dez ativistas, ou seja, cerca de 70 no total. Há ainda algumas casas de coletivos parceiros, como em Bauru e São Carlos. Quando se soma os agregados, na estimativa mais otimista, a organização tem hoje 200 participantes.

Oficialmente, o financiamento é baseado em shows e editais do governo ou de empresas estatais e privadas. Existe, no entanto, uma terceira fonte significativa: a apropriação de dinheiro e bens particulares de colaboradores. "Solicitaram um cartão de crédito que eu tinha em conjunto com meus pais para comprar passagens. Como a confiança era total, fui induzido a compartilhar a senha. Em um mês e meio gastaram 21 mil reais no meu cartão. Compraram um Macbook Pro novo para o Capilé, o que só soube quando a fatura chegou”, lamenta Rolim.

Vargas acrescenta: “É prática cotidiana a utilização dos cartões de quem mora nas casas. E como não tínhamos salário, logo a dívida do cartão entrou no SPC e na Serasa, e até hoje tenho o nome sujo”. Laís, por sua vez, saiu com uma dívida de 5 mil reais. O FdE nega a prática de apropriação, mas reconhece o uso de dinheiro e automóveis dos integrantes. “A destinação de seus bens para o uso do processo é um ato livre. Se você tem um carro e vem para uma casa, é natural que este carro seja usado. Se você tem um cartão de credito e quer disponibilizá-lo para ações da rede, a mesma coisa”. Na última segunda-feira 12 o coletivo lançou um "portal de transparência", mas não menciona o uso sistemático do dinheiro e bens dos integrantes.

O livro de cabeceira de Capilé é uma pista para entender como ele comanda o grupo. 48 Leis do Poder, lançado em 2000 no Brasil pela editora Rocco, é direcionado a empresários e traz dicas como “faça com que as pessoas venham até você: use uma isca, se necessário” e “faça com que os outros trabalhem para você, mas leve sempre o crédito”. Outra pista, esta fornecida por Laís, é a proibição de se assistir nas casas o vídeo Controle Mental – Como se Tornar um Líder de Culto.

Capilé criou um reino particular a partir de “simulacros” do mundo real. A contabilidade virou “Banco FdE”. Eventos com debates formam uma “Universidade FdE”. Viagens viram “colunas”. O lobby político é o “Partido da Cultura”. E a comunicação tornou-se “Mídia Ninja”.

Aos 34 anos, Capilé dedica-se intensamente ao movimento. Dorme pouco, alimenta-se mal e fuma muito. Viaja tanto que, não raro, cumpre agenda em três cidades em um mesmo dia. Está sempre desconfiado e conectado, e com baterias reservas. E é dono de uma retórica eloquente e messiânica.
Há um claro projeto político, e o coletivo não deixa de exercer sua influência. O Fora do Eixo teve peso na indicação, entre outros, do secretário municipal de cultura de São Paulo, Juca Ferreira, do subsecretário estadual de cultura do Rio Grande do Sul, Jéferson Assumção, do secretário estadual de educação do Acre, Daniel Zen, e de três dos secretários municipais de Porto Velho.

A organização não discrimina espectro ideológico. Sua ampliação em Cuiabá se deu sob as asas do PSDB, quando ganhou verbas públicas na gestão de Wilson Santos na prefeitura. Nas eleições do ano passado, apoiaram o petista Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo e Mauro Nazif, atual prefeito de Porto Velho, do PSB. O senador mais próximo do grupo é Randolfe Rodrigues, do Psol. A respeito, o FdE disse não acreditar em política de governo, mas “em políticas de estado.”
A nova aposta é a Rede de Marina Silva. O coletivo esteve no lançamento da legenda em Brasília, e Torturra afirmou no Roda Viva ser marinista. Caso o partido consiga registro no Tribunal Superior Eleitoral, o plano de Capilé é lançar Torturra candidato a deputado federal pela Rede em 2014. "Ele é o nosso homem com rejeição zero", afirmou o cuiabano em mais de uma ocasião.

A relação do Fora do Eixo com parte da esquerda e dos movimentos sociais tem sido atribulada, desde antes da criação da Mídia Ninja. Alguns grupos fazem duras críticas aos ativistas por despolitizar manifestações, ao trocar causas concretas por slogans genéricos. Entre os grupos que tiveram embates com o Fora do Eixo estão Mães de Maio, o Movimento Passe Livre, o Desentorpecendo a Razão, os moradores da Favela do Moinho e o Cordão da Mentira.

Capilé costuma negar que o coletivo e a Mídia Ninja sejam a mesma coisa, mas quem esteve nas casas reafirma os laços entre os dois. “O projeto nasce e vive no Fora do Eixo, segue a mesma estrutura, tem as mesmas hierarquias e cargos. Mas tem outro nome, para evitar a rejeição que o FdE provoca. Mas quem dá o OK são as mesmas pessoas que dão OK em tudo no Fora do Eixo, e quem vai para rua cobrir são moradores das casas ou colaboradores do FdE”, esclarece Gabriel Zambon, coordenador do Ninja em Belo Horizonte até maio último.

Mesmo antes da recente leva de críticas, estava em curso um esforço para desvincular os dois. Capilé segue, contudo, confiante no poder de sedução de sua retórica e do mundo que criou. E vive a repetir: “para cada um que sai do Fora do Eixo tem dez querendo entrar".

Fonte/Autor: Carta Capital