O vírus Conficker, que ficou famoso em 2009 e recebeu grande atenção
da mídia devido a uma “função desconhecida” que seria ativada no dia
primeiro de abril daquele ano – quando na verdade
nada aconteceu
– ainda é uma praga comum no Brasil. Um relatório da empresa de
segurança F-Secure publicado no início do ano, bem como as informações
da Shadowserver, que coleta estatísticas de infecções da praga, mostram
que o Brasil é um dos países mais infectados do mundo.
Para a F-Secure, o Brasil representou 26% de todas as detecções do
Conficker, sendo o país mais infectado com a praga. Já para a
Shadowserver, o Brasil tem cerca de 160 mil máquinas infectadas, quase
9% do total. O país com mais infecções seria a China, com 167 mil, mas a
China tem uma rede bem maior do que a brasileira – cerca de 560 milhões
de internautas, contra menos de 100 milhões no Brasil. Comparando o
tamanho das redes, o Conficker ainda é pelo menos três vezes mais comum
no Brasil do que na China.
O Brasil, porém, não é o único país a ter problemas com o Conficker.
As estatísticas da F-Secure mostram presença significativa na França e
na Itália, por exemplo, enquanto a Shadowserver também registra altas
taxas de infecção em Taiwan, Vietnã e Índia. No relatório mais recente
da Microsoft, o Conficker representa 9,8% das infecções mundiais
detectadas pelos produtos de segurança da empresa.
Apesar disso, o Conficker é um “zumbi” na internet. A rede de
controle foi desmantelada pelo Grupo de Trabalho do Conficker (Conficker
Working Group), uma associação de profissionais e empresas para
derrubar os endereços de controle usados pela praga. O código, porém,
continua se disseminando de um computador para outro, mesmo sem que isso
traga qualquer benefício aos seus criadores.
Atualização
automática, que elimina problemas relacionados ao Conficker, pode
trazer surpresas para quem usa o Windows pirata. (Foto: Reprodução)
Por que o Brasil?
A F-Secure não soube explicar por que a praga é tão comum no Brasil.
Vamos entender o Conficker: ele é extremamente agressivo, mas se
dissemina principalmente usando falhas de segurança no Windows. Uma
delas envolve a exploração direta do sistema pela internet. Nesse caso,
basta conectar um Windows XP desatualizado à internet e ele será
infectado em minutos.
O outro método de disseminação é por meio de pen drives. O Conficker
copia a si mesmo para pen drives ou discos externos e configura a
reprodução automática para executar o vírus assim que a unidade for
conectada a um PC.
Nos dois casos, um computador com sistema operacional atualizado está
imune. Não apenas o Windows 7: mesmo o Windows XP, desde que
atualizado, não executa mais programas pela reprodução automática em
drives USB. E também é possível instalar a atualização que corrige a
falha usada pelo Conficker para se espalhar pela internet. Dessa
maneira, é difícil que o sistema seja infectado.
Mas por que os brasileiros não instalam as atualizações do Windows?
Uma das respostas está na pirataria. Junto das atualizações do
Windows, a Microsoft distribui pacotes que podem detectar se o sistema
utilizado é pirata, o que leva internautas brasileiros a desativarem as
atualizações automáticas, já que estas poderiam deixar o computador
inutilizável caso o programa do Vantagens do Windows Original (Windows
Genuine Advantage, ou WGA, em inglês) fosse instalado.
Outra resposta está em uma desconfiança existente sobre próprio
mecanismo de atualizações. Há muitos internautas que acreditam que as
atualizações não servem para nada, que deixam o computador lento ou
travando. Além de histórias contadas por quem usa Windows pirata e
enfrentou dificuldades, problemas eventuais, como o que fez muitos
computadores
deixarem de iniciar após uma atualização, apenas alimentam esse tipo de desconfiança.
Sem as atualizações, no entanto, qualquer computador limpo voltará a ser infectado com o Conficker rapidamente.
Curiosamente, a China, outra vítima do Conficker, também é conhecida pelo uso de softwares piratas.
Como saber se você está infectado
É fácil identificar um computador infectado com o Conficker. Basta visitar esta página web (
clique aqui). Se todas as imagens carregarem, não há infecção do Conficker.
Em
um computador sem o Conficker, imagens carregam sem problemas. Em
computadores infectados, sites de segurança são bloqueados. (Foto:
Reprodução)
Se as três imagens superiores, ou as duas imagens superiores da
esquerda e da direta não carregarem – mesmo depois de algumas tentativas
de “atualizar” a página -, isso significa que o sistema está infectado.
Caso o sistema esteja infectado, há várias ferramentas de remoção disponíveis:
Antes, porém, é preciso instalar as atualizações do Windows, pelo
Windows Update, no Painel de Controle. Sem elas, não há maneira de ficar
livre da infecção.
Fonte:
Segurança Digital