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terça-feira, 4 de julho de 2017

Gerações conectadas: Pesquisa mostra mudanças no consumo

Cléa Rubinstein, aos 71 anos, usa a tecnologia com a mesma facilidade que os netos Gabriel (4) e Dora (10), seja usando o Whatsapp para falar com uma filha que mora em Londres ou com a outra, mãe das crianças, que reside na mesma rua que ela. Nascida em Olaria, na Zona Norte do Rio de Janeiro, desde os oito anos ela mora em Copacabana. Já são sete décadas e várias mudanças de estilo de vida, refletidas na evolução do orçamento familiar.

Filha de imigrantes judeus que aqui chegaram vindos da Romênia na década de 1930, D. Cléa recorda o ambiente familiar da infância:
“Falávamos português e iídiche em casa. Preparávamos pratos típicos judaicos em celebrações e, de vez em quando, era preciso fazer alguma adaptação. O gefilte fish, por exemplo, que é um bolinho de peixe típico judaico, é feito com carpa, um peixe de rio, mas nossa família teve que se adequar aos peixes nacionais”.

De lá pra cá, a receita já mudou de novo e hoje os restaurantes judaicos costumam usar processador elétrico para moer a tilápia, um peixe fluvial africano que foi introduzido no Brasil para a pesca artesanal nos anos 80 e hoje representa cerca de metade da produção da piscicultura no país.
Assim como os hábitos culinários e alimentares mudaram, também os orçamentos familiares se adaptaram aos novos tempos. As despesas com alimentação, que ocupavam mais de um terço (33,9%) das contas das casas nos anos 70, tiveram sua influência reduzida a menos de um quinto (19,8%) em 2008-2009.

Do caderno de dedicatórias às redes sociais

Cléa também se lembra das conversas com as colegas de escola numa época sem celulares, Orkut ou Facebook: “Quase todas as meninas tinham cadernos de mensagens, em que os colegas escreviam dedicatórias no fim de cada ano. Eram mensagens de amizade e bem-querer, não se revelava nenhum grande segredo. Era tudo bem público e respeitoso. Aquilo servia como uma espécie de rede social da época, considerando-se as devidas proporções.
As conversas dos jovens também já eram longas na época do telefone fixo: “Falávamos muito ao telefone. Era só um aparelho na sala de estar, sem extensões para outros cômodos da casa. Às vezes, nossos pais reclamavam e tínhamos que desligar na hora”.
Essas e muitas outras informações são coletadas pelo IBGE desde o Estudo Nacional da Despesa Familiar (Endef), feito em 1974-75. Depois, foi realizada a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) em 1996, 2002-2003 e 2008-2009. A coleta da próxima edição da pesquisa começou em 26 de junho e vai até 2018.

Leia mais na revista Retratos 1

Matérias relacionadas:
IBGE lança a Pesquisa de Orçamentos Familiares, um retrato de como os brasileiros gastam o seu dinheiro
Vídeo mostra como é feita a coleta da POF

Um salto no peso das crianças

A POF também revelou um salto no número de crianças de 5 a 9 anos com excesso de peso ao longo de 35 anos: em 2008-09, 34,8% dos meninos estavam com o peso acima da faixa considerada saudável pela OMS. Em 1989, este índice era de 15%, contra 10,9% em 1974-75.O padrão era semelhante nas meninas, que, de 8,6% na década de 70, foram para 11,9% no final dos anos 80 e chegaram aos 32% em 2008-09.


Texto: Eduardo Peret

Imagem: Licia Rubinstein

Infográfico: Luiz Arbex


sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Jornalistas e os riscos na era digital


Um jornalista pesquisando a história de um documento complicado que coloca o seu governo local em maus lençóis fica preocupado que as autoridades vão bisbilhotar em seu computador, então ele usa ferramentas de encriptação para armazenar e enviar por e-mail o documento. Mas, em seguida, ele pega o telefone de casa e fala abertamente sobre a história com seu editor. Talvez não tenha passado pela sua cabeça que as pessoas mais interessadas em manter esse documento em segredo não têm a capacidade de entrar em seu e-mail, mas podem facilmente escutar seu telefonema.

Este é um exemplo hipotético, mas é o tipo de erro que os jornalistas fazem regularmente ao considerar seus planos de segurança. Às vezes sentimos a necessidade de usar ferramentas contra ameaças que realmente não enfrentamos, ignorando os riscos que são mais prováveis.
O aumento da quantidade de trabalho dos jornalistas no mundo digital faz com que seja fundamental proteger nossas atividades. Nos velhos tempos, nós poderíamos apenas colocar os nossos documentos em um armário de arquivo trancado e realizar nossas conversas frente a frente para evitar espionagem.

Isso não funciona mais.



Hoje, há uma grande variedade de ameaças e cada tipo de ameaça exige uma medida de proteção diferente em resposta. No mapa Periodistas en Riesgo (Jornalistas em Risco) que rastreia ataques contra a imprensa no México, documentamos vários casos de hacking, ataques de negação de serviço (DOS, em inglês) e roubo de computadores e dispositivos móveis que podem comprometer as informações de um jornalista. Sem mencionar que há provavelmente muitos casos de repórteres e editores com escutas em seus telefones sem ter a mínima ideia.

Hoje, um plano de segurança digital é essencial para os jornalistas, mas as especificidades de cada plano irão variar, pois depende da avaliação dos riscos específicos de cada pessoa. Nas oficinas que realizo com jornalistas mexicanos como parte do meu Knight International Journalism Fellowship do ICFJ, eu ouvi muito sobre as diferentes ameaças que jornalistas enfrentam no mundo digital. Um aspecto importante do treinamento é fazer com que os participantes fiquem cientes de que as ferramentas que são melhores para eles podem não ser as melhores para os seus colegas.

Formular seu plano pessoal de segurança digital começa com o estabelecimento de seus próprios riscos prováveis. Para isso, você precisa saber quem ou o que pode ser uma ameaça para você, quais são as suas capacidades e intenções, como estão dispostos a atacá-lo e, finalmente, suas próprias vulnerabilidades e pontos fortes.

Aqui estão cinco perguntas que o ajudarão a decidir quais as ferramentas ou técnicas deve usar:

1. Que atividades ou informações você precisa proteger?
Há muitas atividades digitais que merecem proteção, como comunicação (e-mails, mensagens, telefonemas); armazenamento (ou em nuvem ou em dispositivo); navegação na Web; redes sociais; uso de ferramentas e dispositivos de localização; e salvamento de senhas.
Para tornar essas atividades mais seguras, você deve tomar certas ações o tempo todo: Sempre use um software antivírus, senhas fortes e configurações de privacidade rigorosas. Isso irá proteger 90 por cento do que você faz online. Você pode guardar outros métodos, tais como comunicações ou armazenamento seguro, para algo específico, como uma matéria delicada.

2. Quem quer atacá-lo?
A ameaça mais imediata para os jornalistas vem de suas fontes ou de sujeitos que os jornalistas cobrem, mas também pode haver agressores desconhecidos interessados em suas atividades ou informações.
3. Quem tem a vontade e capacidade de me fazer mal?
Uma pessoa interessada em conhecer as atividades digitais de um jornalista pode ter uma grande vontade de obter essas informações, mas não ser capaz de fazê-lo. Por outro lado, pode haver pessoas ou entidades com grandes capacidades, mas que não se importam com o que o jornalista está fazendo. No entanto, tenha em mente que alguém com baixa capacidade mas grande vontade pode trabalhar para melhorar suas ferramentas para fazer hacking ou espionagem, ou alguém com pouca vontade, mas grande capacidade pode mais tarde desenvolver o desejo de espionar a atividade digital de um jornalista.

4. Onde estão suas vulnerabilidades? Como você está interagindo no mundo digital?
Qual serviço de e-mail você usa e quão seguro é? Você armazena dados em serviços de nuvem ou dispositivos criptografados ou não garantidos? A função GPS do seu telefone sempre está ligada para que todos saibam onde você está? Tenha em mente que depende da situação se você deve ou não ativar o GPS. Na maioria das vezes, você está mais seguro se deixá-lo desligado, mas, em alguns casos como em trabalhos em ambientes perigosos, isso pode ajudar a manter o controle de seu paradeiro caso algo aconteça e entes queridos precisem achar você.
Você publica informações sobre sua vida privada nas redes sociais? Se sim, quem pode ver? Como são protegidos os seus dispositivos móveis? Se alguém roubar seu telefone celular, por exemplo, seria fácil obter informações a partir dele?

5. Quais são os seus pontos fortes e quais são as ferramentas que você já está usando para reduzir suas vulnerabilidades?
Conhecer a vasta gama de ferramentas de segurança digital disponíveis pode ajudar o jornalista a transformar seus pontos fracos em fortes.
Existem dezenas de ferramentas disponíveis para melhorar a nossa segurança digital, mas tudo depende se elas realmente atendem às nossas necessidades. A única maneira de descobrir é fazer uma avaliação de risco pessoal para saber exatamente o que estamos precisando.

Via IJnet

terça-feira, 21 de junho de 2016

Estudo de Princeton expõe vigilância descontrolada dos trackers na Web

Os pesquisadores Steven Englehardt e Arvind Narayanan, da Universidade de Princeton, publicaram no dia 18 de maio o “estudo mais amplo e detalhado de monitoramento online até a presente data” (paper).

Usando a ferramenta livre / de código aberto OpenWPM, (um “framework para medições de privacidade na web), eles conduziram uma série de experimentos nos primeiros 1 milhão de sites do ranking de popularidade da Alexa, e encontraram alguns resultados já esperados — concentração de um pequeno número de gigantes mas uma “cauda longa” de milhares de trackers, prevalência desses mecanismos em sites de notícia, eficácia de extensões e plugins de bloqueio…

Mas Englehardt e Narayanan também fizeram algumas descobertas surpreendentes: a prática comum de “sincronização de cookies” entre diferentes trackers e a adoção de técnicas novas de fingerprinting para identificar dispositivos.

A capacidade de monitorar detalhadamente as ações das pessoas na Web, a prática difundida de compartilhar e vender dados umas para as outras e a característica desse mercado de possuir um pequeno número de empresas que estão presentes na maioria dos sites produzem um grave dano à privacidade de quem acessa a Web, afetando também outros direitos fundamentais como a autodeterminação e a inviolabilidade da intimidade.

Está tramitando na Câmara dos Deputados um Projeto de Lei que busca trazer garantias à população brasileira e que já têm paralelos em mais de cem países ao redor do mundo: uma lei que proteja os dados pessoais. Se aprovada da forma como foi proposto pelo Ministério da Justiça, ela estabelecerá claros limites em quais dados poderão ser guardados e processados por essas empresas com o objetivo explícito de proteger direitos fundamentais.

Neste artigo, vamos ver as principais descobertas do estudo de Englehardt e Narayanane entender como o Projeto de Lei nº 5.276/2016, resultado de duas consultas públicas e encaminhado à Câmara recentemente pelo governo Dilma Rousseff antes da presidenta ser afastada, pode nos dar maior controle sobre a coleta e o tratamento dos dados pessoais por parte dos trackers.

Third parties e trackers: data is money, my friend

Antes de tudo, uma definição: o estudo gira em torno das third parties. Quando visitamos um determinado site, a first party (“primeira pessoa”), ele pode carregar recursos como scripts e imagens de outros domínios, as third parties (“terceiras pessoas”).

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Muitos desses domínios servem trackers, enquanto outros são usados para fornecer imagens estáticas (como o gstatic.com da Google e o fbcdn.net do Facebook). Estes conteúdos não são relevantes para os propósitos do estudo, que analisa aqueles que hospedam scripts que rodam silenciosamente, detectam e comunicam à “base” informações sobre a visita. Para separar o joio do trigo, o estudo usou listas usadas por plugins de privacidade, curadas e alimentadas com novos endereços de trackers conforme eles são descobertos.
Para aprender mais sobre esse monitoramento funciona e como se defender dele, veja nosso artigo Trackers: os grandes stalkers da Web.

Descobertas do estudo

Embora tenham sido registradas 81.000 third parties, um pequeno grupo delas está presente em muitos sites, enquanto a maioria foi detectada em pouquíssimos sites (o “efeito cauda longa“). Isso confirma as impressões de observadores da indústria de que há uma grande concentração de grandes empresas do ramo que domina a maior parte do mercado — somente 123 dessas 81 mil estão presentes em mais de 1% dos sites, e todas as cinco maiores percentem à Google. “De fato, a Google, o Facebook e o Twitter são as únicas entidades com third parties presentes em mais de 10% dos sites”, dizem os autores.

Além disso, o estudo detectou que a maioria dos trackers faz sincronização de cookies (cookie syncing), comunicando a outros trackers os ID’s usados internamente para identificar visitantes. Esta descoberta sugere que as empresas de tracking trocam grandes volumes de seus dados entre si por fora da interação usuário(a)↔website .

Outra descoberta pouco óbvia é que a indústria de monitoramento online pode ser uma barreira para a ampla adoção de HTTPS. Como os navegadores alertam sobre “conteúdo misto” quando um site em HTTPS carrega recursos via HTTP desprotegido, e muitos trackers não oferecem por HTTPS (ou não por padrão), há um desincentivo para sites adotarem essa vital tecnologia para que suas visitas não sejam recebidas com um “cadeado quebrado”. Além dos riscos de interceptação, um outro agravante é que tais scripts de monitoramento e seus cookies, quando trafegam via HTTP, podem ser usados por agências de inteligência e crackers para te identificar e até invadir.

Sites de notícias e outros conteúdos editoriais são os mais monitorados. Já sites de universidades, organizações governamentais e sem fins lucrativos são os que menos instalam trackers. Uma hipótese levantada pelos autores é de que os últimos apresentam menos monitoramento (e anúncios) pois têm financiamento externo, enquanto os primeiros são obrigados a monetizar suas visitas (e, crescentemente, limitar visitantes que usam ad blockers).

Por que querem meus dados?



O caminho dos anúncios desde os marketeiros até você. Cada uma dessas empresas ajuda a definir quais você vai ver ao acessar uma página web.
“Informações pessoais são o novo petróleo, o combustível vital da nossa economia digital”, como disse Andrew Keen para a CNN. A vasta gama de tipos de dados que os aplicativos e dispositivos emitem constantemente — localização, relações sociais, hábitos de consumo e comportamento — são o que mantém o capital girando para uma grande e crescente parcela de empresas de software.

O modelo de negócios adotado nos primórdios da rede, com serviços pagos diretamente pelo cliente ou financiados por universidades e empresas, chegou ao público geral como o que os especialistas em privacidade e segurança da informação chamam de modelo de negócios da vigilância: a empresa oferece serviços “gratuitamente”, e paga suas contas e funcionários(as) vendendo as informações pessoais que conseguem coletar para quem se interessa.

Esses dados possuem alto valor para uma série de outras empresas que se beneficiam em conhecer detalhes sobre a vida das pessoas: serviços de crédito que querem avaliar seu risco de dar um calote, seguros de saúde que podem usá-los para determinar o valor do plano, lojas e empreendimentos que querem entender o comportamento do mercado e anunciar diretamente para um público-alvo específico…

Para intermediar a coleta de dados nos sites e aplicativos e seu uso final pelo mercado, surgiu a indústria das data brokers (“corretores de dados”). Gigantes como a Acxiom e a Experian possuem sedes ao redor do mundo, onde compram e vendem bancos de dados sobre populações inteiras.
O ramo é tão grande que muitas vezes há mais intermediários na cadeia: centenas de outras empresas pequenas e grandes comercializam entre si bancos de dados para integrar com sua vasta coleção — a Experian, que comprou a Serasa em 2007, possui terabytes de informação sobre o público brasileiro e petabytes a nível global.

Algumas das data brokers que coletam dados na Internet segmentam internautas com base no seu comportamento online, justamente através dos trackers estudados pela dupla de pesquisadores de Princeton. No Brasil, por exemplo, uma empresa chamada Navegg Analytics busca “entender o comportamento do consumidor”, e baseia sua segmentação da população em um estudo de 6 anos conduzido em mais de 100 mil sites. Seus scripts estão presentes na maioria dos portais de notícias e em vários outros sites voltados para o público brasileiro.


Algumas categorias em que a Navegg associa a você a cada visita em um site que use seus third-party scripts. Se você não tem tempo para ler nosso artigo sobre profiling, TEM QUE ao menos ler o guia ilustrado.

E agora, quem poderá nos defender?

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O mercado de coleta e tratamento de dados em escala massiva, na ausência de leis que o limitem e por ser invisível para quem navega no site (tanto na coleta quanto no uso), se tornou definitivamente um monstro.
Proibi-lo completamente, no entanto, é desproporcional e eliminaria uma opção legítima de usar serviços gratuitos que, além de manterem-se financeiramente com o tratamento de dados, os usem para aprimorar sua interface e seu serviço — por exemplo coletando estatísticas de uso de seus softwares para entender quais entraves as pessoas enfrentam.

O que precisamos para tornar essa indústria mais justa e saudável são ferramentas para que as pessoas possam exercer controle sobre que dados vão compartilhar e entendendo o que está em jogo após suas escolhas.

Proteções legais aos nossos dados com o Projeto de Lei 5276/2016, além de eficazes no cenário atual de trackers, protegem todos os dados, quer sejam visitas em sites, quer sejam suas compras no supermercado. Ele também traz limites claros não só para o momento da coleta como o de tratamento (pense em algoritmos) e o repasse para o poder público ou empresas dentro e fora do país. O PL também obriga as empresas a seguir padrões e boas práticas de segurança para o armazenamento, a transmissão e a anonimização (que serão atualizados conforme as tecnologias de proteção e de quebra evoluem).

O PL 5276/2016 protege seus dados

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Segundo Marília Monteiro, pesquisadora do Privacidade Brasil e mestranda em Políticas Públicas na Hertie School of Governance, “há pouca, senão nenhuma regra que regule a atividade dos chamados data brokers no Brasil. Para aquelas que lidam com informações de crédito, algumas balizas estão presentes nas regras consumeristas, mas isso está limitando a alguns agentes da cadeia de informações de crédito e não de forma sistemática e especializada”.

Nós da Coding Rights, junto com mais 40 entidades da academia e da sociedade civil organizada manifestamos interesse na chegada do Projeto de Lei de Proteção de Dados Pessoais à Câmara dos Deputados. O PL nº 5.276/2016, como escrevemos em uma carta aberta, “foi construído de forma colaborativa com amplo engajamento social por meio de duas consultas públicas realizadas no fim do ano de 2010 e começo do ano de 2015, a partir da iniciativa do Ministério de Justiça em colocar o texto do então Anteprojeto de Lei de Proteção de Dados Pessoais sob escrutínio público nas plataformas online Cultura Digital e Pensando o Direito“.

O PL de Proteção de Dados vem preencher uma lacuna na nossa legislação: proteções semelhantes já existem na maioria das democracias mais fortes do mundo, como a Diretiva de Proteção de Dados que orienta as leis de cada país da União Europeia, ou as regulamentações específicas por setor que os EUA adotam em vez de uma lei geral. Marília Monteiro, que era coordenadora de Consumo e Sociedade da Informação da Senacon/MJ e participou ativamente da elaboração do debate público, afirma que “o PL 5.276/16 traz padrões mínimos internacionalmente reconhecidos que criam o dever de transparência para as data brokers. Os princípios, direitos e garantias presentes no projeto permitiriam, por exemplo, que os usuários acessem as informações agregadas pelas data brokers, optem pela não coleta, compartilhamento e divulgação de seus dados pessoais e que corrijam as informações a seu respeito”.
Como vimos, há uma grande concentração de atores no mercado de tracking, o que torna uma lei que estabeleça normas para sua atuação mais eficiente. Segundo os autores, “para as pouco mais de 100 third parties que são prevalentes em pelo menos 1% dos sites, imaginamos que elas são entidades grandes o bastante para terem seu comportamento regulamentado por pressão da opinião pública e a possibilidade de ações legais”.
Ao longo dos últimos meses, viemos preparando uma série de materiais para auxiliar a participação no processo de consulta pública. No guia Dados Pessoais: como contribuir para o debate público, feito pela Oficina Antivigilância e pelo CSLab, são explicados os principais conceitos e questões de cada um dos “eixos” do debate conforme organizado pelo Ministério da Justiça. Fizemos um boletim especial com artigos sobre as data brokers e os riscos e garantias da anonimização na proteção de dados pessoais, além de uma visualização interativa dos comentários feitos na plataforma do MJ para enxergar as principais disputas em torno do texto da lei.

Exercendo (algum) controle sobre sua navegação

Enquanto não temos uma lei que nos proteja, podemos exercer um maior controle sobre os dados que entregamos para estas empresas através das já conhecidas ferramentas de bloqueio de anúncios. O estudo dos pesquisadores de Princeton realizou testes comparados com um navegador com Ghostery, e verificou que ele é bastante eficiente, bloqueando grande parte dos trackers sem comprometer o funcionamento normal do site (deixando passar domínios de CDN’s e e widgets, por exemplo).
As extensões Privacy Badger (Chrome, Firefox)  e uBlock Origin (Chrome, Firefox, Opera) possuem um funcionamento similar ao Ghostery, com a vantagem de serem software livre. A combinação das duas é nossa recomendação para proteger sua navegação dos olhos da indústria de forma transparente e automática. Estas ferramentas atuam através de “listas negras” e sistemas sofisticados de reconhecimento de tracking para impedir o navegador de carregar scripts enxeridos.




Comparação feita para nosso artigo sobre trackers mostra scripts carregados sem (1ª) e com (2ª) as extensões Privacy Badger e uBlock Origin. Muitos deles atuam em vários sites ao mesmo tempo.

Fingerprinting, ou seguindo você na Internet sem login

Apesar de haver ferramentas que bloqueiam os trackers tradicionais, o estudo detectou uma série de métodos pouco conhecidos ou até inéditos de monitorar pessoas online, que passam batido por essas extensões.
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As técnicas de fingerprinting permitem que o tracker faça uma “impressão digital” de todos os dados que consegue juntar sobre o navegador; assim, ele sabe que quem está entrando no site X é a mesma pessoa que entrou em um site Y. Seguindo sua trajetória online é possível aprender muito sobre seu comportamento mesmo sem saber sua identidade pessoal — e basta fazer login em um site onde você tenha se cadastrado e puf, já é possível te ligar ao seu histórico de navegação.

Alguns métodos de fingerprinting já são conhecidos: a lista de fontes e plugins que o navegador suporta, as informações sobre a versão do navegador (user agent string) e o tamanho de sua janela… a ferramenta Panopticlick mantida pela EFF testa o quão único é seu navegador frente aos das outras milhares de visitas que o site já ganhou.

Uma gama de outras formas de fingerprinting são menos conhecidas e estudadas. O canvas fingerprinting, por exemplo, se aproveita de particularidades na forma como o javascript desenha formas no <canvas> em diferentes dispositivos e navegadores. A pesquisa de Englehardt e Narayanan é a primeira a detectar uma série de métodos sofisticados de identificação que se aproveitam de interações com o sistema que o javascript oferece sem pedir permissão:
  • Font canvas fingerprinting é enumerar as fontes presentes no sistema através da interface “canvas” de desenho.
  • O WebRTC-based fingerprinting coloca na mistura seu endereço de IP na rede local.
  • O AudioContext fingerprinting detecta sutilezas na forma como a Audio API processa sinais de áudio em cada máquina e navegador.
  • Foram detectados até scripts que gravam o nível de bateria e quanto falta para (des)carregar completamente.
A princípio, estas informações parecem banais e inúteis. No entanto, é consenso na comunidade técnica e na ciência da computação que até mesmo poucos dados que se refiram aos hábitos ou comportamentos de uma pessoa, quando combinados, podem identificá-las com alta precisão, ou destacá-las na multidão com base em características coletivas como etnia, situação econômica, condição de saúde e posições políticas.

Como disse Arvind Narayanan em seu site pessoal dedicado à (des)anonimização de dados, “há somente 6,6 bilhões de pessoas no mundo, então são necessários somente 33 bits de informação sobre uma pessoa para determinar quem ela é”. O cenário só piora na Web, já que o número de pessoas com acesso à rede é muito menor que a população mundial, e 15 minutos de navegação podem facilmente revelar todos os bits necessários para revelar nossa identidade.

Entramos em contato com Cooper Quintin, desenvolvedor da extensão Privacy Badger, para entender o quanto a extensão já nos protege contra as técnicas abordadas no estudo. Em vez de usar uma lista de trackers conhecidos, o software mantido pela Electronic Frontier Foundation busca em todas as third parties comportamentos associados ao monitoramento, como o armazenamento de cookies e acesso às funcionalidades do javascript que fornecem dados para fingerprinting. Assim, aprimorar a heurística do software para novas ameaças protege automaticamente milhares de usuários(as) da extensão na próxima atualização.

Para Cooper, o relatório da dupla de Princeton é “fascinante”, e ele planeja examiná-lo com mais calma para adaptar seu software aos novos métodos descobertos. “Font canvas e AudioContext são definitivamente novos para mim, e não são detectados pelo Privacy Badger. No momento atual detectamos canvas fingerprinting e super cookies de armazenamento local, além dos cookies tradicionais”.


No próximo artigo da Oficina Antivigilância para a campanha #ProtejamMeusDados, veremos como o PL 5.276/2016, através de suas determinações sobre anonimização de dados e dados usados para formação de perfis (profiling) nos protege de práticas abusivas de publicidade e riscos severos de segurança que a reidentificação apresenta para todos(as), dentro e fora da Web (spoiler: será baseado no nosso artigo sobre anonimização).

Os especialistas em proteção de dados pessoais Bruno Bioni e Renato Leite Monteiro fizeram uma instrutiva linha do tempo dos PLs de Proteção de Dados Pessoais para o Data Privacy Brasil. Você pode acompanhar a tramitação do PL no site da Câmara; é possível se cadastrar para receber atualizações por e-mail.
O InternetLab fez uma análise detalhada de todo o debate feito na última consulta pública, sendo um ótimo guia para se aprofundar em questões específicas como consentimento, dados anônimos, transferência internacional, e o tratamento de dados para segurança pública e defesa nacional.

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Você pode se envolver pelo Twitter , Facebook e nas suas redes de preferência — memes e materiais de divulgação estão sendo organizados no Tumblr PL 5276 protege nossos dados!. Na página especial #ProtejamMeusDados que preparamos aqui no site, manteremos uma visão geral da campanha e do processo no Congresso.

Oficina Antivigilancia

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Banda larga fixa : Operadoras terão que suspender sistema de franquia

A Superintendência de Relações com os Consumidores (SRC) publicou nesta segunda-feira, 18, o Despacho nº 1/2016/SEI/SRC determinando cautelarmente que as prestadoras de banda larga fixa se abstenham de adotar práticas de redução de velocidade, suspensão de serviço ou de cobrança de tráfego excedente após o esgotamento da franquia, ainda que tais ações encontrem previsão em contrato de adesão ou em plano de serviço, até o cumprimento cumulativo das seguintes condições:
  • comprovar, perante a Agência, a colocação ao dispor dos consumidores, de forma efetiva e adequada, de ferramentas que permitam, de modo funcional e adequado ao nível de vulnerabilidade técnica e econômica dos usuários: o acompanhamento do consumo do serviço; a identificação do perfil de consumo; a obtenção do histórico detalhado de sua utilização; a notificação quanto à proximidade do esgotamento da franquia; e a possibilidade de se comparar preços
  • informar ao consumidor, por meio de documento de cobrança e outro meio eletrônico de comunicação, sobre a existência e a disponibilidade das ferramentas disponíveis acima
  • explicitar, em sua oferta e nos meios de propaganda e de publicidade, a existência e o volume de eventual franquia nos mesmos termos e com mesmo destaque dado aos demais elementos essenciais da oferta, como a velocidade de conexão e o preço;
  • emitir instruções a seus empregados e agentes credenciados envolvidos no atendimento em lojas físicas e demais canais de atendimento para que os consumidores sejam previamente informados sobre esses termos e condições antes de contratar ou aditar contratos de prestação de serviço de banda larga fixa, ainda que contratados conjuntamente com outros serviços.
 

  As práticas de redução de velocidade, suspensão de serviço ou de cobrança de tráfego excedente após o esgotamento da franquia somente poderão ser adotadas após noventa dias da publicação de ato da SRC que reconheça o cumprimento das condições fixadas.

A SRC também fixou multa diária de R$ 150 mil reais por descumprimento dessa determinação, até o limite de R$ 10 milhões de reais.

A determinação foi destinadas as empresas Algar Telecom S.A, Brasil Telecomunicações S.A, Cabo Serviços de Telecomunicações Ltda, Claro S.A., Global Village Telecom Ltda, OI Móvel S.A., Sky Serviços de Banda Larga Ltda, Telefônica Brasil S.A, Telemar Norte Leste S.A, TIM Celular S.A., Sercomtel S.A Telecomunicações e OI S.A.

Fonte: Anatel

sábado, 19 de março de 2016

Bots : Cuidado com eles e como checar informações

As pessoas interessadas em distorcer informações para favorecer objetivos pessoais ou institucionais estão usando recursos cada vez mais sofisticadas, o que obriga os jornalistas a serem também mais sofisticados na identificação da manipulação de notícias.

Checar suas fontes é fundamental para qualquer investigação online. Quando você encontra vídeos ou imagens irresistíveis, chegar ao “quem” as fez ou de “onde” vieram é essencial. E os Guias de Checagem Visual do First Draft News fornecem uma excelente visão de conjunto dos itens que devem ser levados em consideração quando se pretende checar uma fonte. Há guias especiais para checagem de fotos e para vídeos.

Reprodução de uma página do guia de verificação de fotos suspeitas

Reprodução de uma página do guia de verificação de fotos suspeitas

O cenário ideal, evidentemente, é poder falar diretamente com uma fonte, se possível, pelo telefone ou pessoalmente. Mesmo assim, podem ocorrer erros, principalmente quando a fonte está fingindo ser alguma coisa ou alguém que não é. Muitas vezes, essas pessoas são apenas farsantes, mas há uma tendência crescente de casos de pessoas que usam identidade falsa para fins fraudulentos [sockpuppets]: identidades falsas online criadas para atrapalhar determinadas pautas políticas ou sociais.

No entanto, as fontes podem não responder quando você tenta falar com elas. Talvez estejam ocupadas, ou talvez não queiram falar com jornalistas. Outro motivo poderia ser que a sua fonte que a sua fonte não seja uma pessoa coisa nenhuma: muitos casos que acontecem em redes sociais são bots [softwares concebidos para simular ações humanas repetidas vezes de maneira padrão, da mesma forma que o faria um robô].

Sockpuppets e bots colocam alguns desafios interessantes para checagem, principalmente em regiões do mundo onde governos os usam para manipular redes sociais (e isso significa uma parte do mundo maior do que você poderia imaginar) e sabendo como localizá-los pode poupar tempo e esforços.

Localizando um bot
Expor um caso de um bot pode ser de uma facilidade trivial ou ilusoriamente difícil. Veja, por exemplo, estas duas contas do Twitter:

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No caso do primeiro usuário, inúmeras bandeiras vermelhas aparecem instantaneamente. O nome incompreensível do usuário, a foto do perfil do Twitter com um ovo, o único e breve tweet – este usuário rapidamente se choca com as principais dicas para localizar contas falsas do First Draft.

No entanto, a segunda conta, cujo último tweet fala de um preso paquistanês que fugiu de uma prisão em Gidá, na Arábia Saudita, é um desafio mais importante. Um número razoavel de seguidores (embora poucos) , uma boa amostragem de tweets, uma foto da pessoa real no perfil, nomes de usuário e de visualização aparentemente corretos e um conjunto de conteúdos (incluindo foto e vídeo) numa linguagem que poderíamos esperar. Precisamos trabalhar um pouco mais.

Primeiramente, vamos checar a foto do perfil. Trata-se de uma imagem original? Tentemos fazer uma busca reversa das imagens :
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Reprodução da página do Google especializada na pesquisa de imagens
Uma bandeira vermelha que surge imediatamente sugere que a foto do perfil seja, na verdade, de um homem chamado Khalaf Al-Ali, um diplomata saudita assassinado em Bangladesh em 2012. Portanto, talvez este usuário tenha postado sua imagem como uma recordação do diplomata. Continuemos investigando.

O segundo passo é ver se conseguimos encontrar uma pessoa chamada Rahi Al-Msalkhe procurando no Google pelo seu nome no idioma árabe.
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Qual o objetivo dos bots?

Não há qualquer retorno senão a conta do Twitter que estamos investigando e outra bandeira vermelha. Talvez esta pessoa tenha posto um nome falso na conta? Não é tão incomum.

Como terceiro passo, examinemos com mais cuidado os tweets da conta. Parecem ser, em sua maioria, compartilhamento de links no idioma árabe com dois ou três tweets em inglês. Nada de extraordinário. Após uma breve busca, este tweet parece o mais pessoal e possivelmente dá uma localização:
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Tradução: “Qual é a melhor loja de chocolate em Gidá?????”
É uma boa pergunta, mas parece que ninguém respondeu. Vejamos se alguém mais fez a mesma pergunta no Twitter.
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Puxa vida! Parece que às 22:15 (horário da Costa Oeste dos Estados Unidos) do dia 14 de janeiro, cerca de 100 contas fizeram exatamente o mesmo tweet.
É difícil imaginar uma situação em que isso acontecesse na vida real e, se repetirmos a busca em dois outros tweets de @almsalker881, descobriremos que se trata de um padrão repetido

A esta altura, podemos dizer com segurança que, na melhor das hipóteses, esta conta está comprometida e que muito provavelmente se trata de um bot. Ao clicar em qualquer das contas que tenha feito tweets do conteúdo duplicado, obtemos resultados semelhantes.

Qual será o objetivo deste exército de bots? Desconhecendo quem está por trás dele, é difícil dizer. Mas algumas das maneiras que já vimos contas serem usadas por bots e sockpuppets foram para mandar mensagens não desejadas pela internet e para caluniar ativistas, para apagar hashtags e criticar autoridades e para disseminar desinformação.

Consciência das possibilidades

Esses esforços por parte de Estados podem ser mais elaborados do que você imagina. Em 2015, o repórter Adrian Chen, do New York Times, publicou uma matéria fascinante com uma visão aprofundada de uma “fábrica de trolls” russa [um departamento aparentemente voltado para disseminar notícias e opiniões pró-Putin nas redes sociais]. Chen rastreia algumas campanhas de desinformação extremamente complexas que o levam de volta à fábrica de trolls. Num exemplo, autoridades e moradores de uma cidade no estado de Louisiana receberam mensagens com advertências sobre uma explosão numa fábrica química e a disseminação de vapores tóxicos. 

Pelo Twitter, dúzias de contas começaram a enviar mensagens sobre a explosão, citando jornalistas importantes com screengrabs [captura de tela] da CNN.com mostrando as notícias “em cima da hora”. Surgiram vídeos mostrando imagens semelhantes às do Estado Islâmico em que era reivindicada a responsabilidade pela explosão.

Rapidamente, apareceu uma página na Wikipedia descrevendo a explosão e fazendo o link entre os vídeos. Tudo isto era falso, inclusive clones que funcionavam como websites do noticiário local e divulgavam a matéria. Esse ataque de desinformação fez-se seguir por outros, também explorando medos públicos muito concretos, como o #EbolaInAtlanta and #shockingmurderinatlanta.

Embora seja improvável que encontremos campanhas de desinformação tão bem coordenadas em termos diários e constantes, é extremamente importante que os jornalistas fiquem atentos para as proporções em que a coleta de dados sociais pode ser manipulada e gozem de alguns truques e ferramentas que os ajudem a localizar os bots.

Uma ferramenta útil para localizar bots é a BotOrNot, criada pelo projeto Truthy. BotOrNot analisa uma série de características de uma conta para lhe dar uma avaliação sobre se a conta parece um bot, o que inclui a rede, o usuário, “amigos”, temporal, conteúdo e análise de sentimentos.
BotOrNot não é perfeito (acerta apenas em 31% dos casos de um bot selecionado), mas pode proporcionar percepções úteis sobre contas a que, de outra maneira, não teríamos fácil acesso.

A rede social está apenas saindo da infância e a internet, na qual ela vive, tem apenas 20 anos em termos de acesso público. Os atores políticos utilizarão todos os meios possíveis para disseminar suas mensagens e, portanto, é crucial que os jornalistas tenham consciência das possibilidades e as saibam identificar.

Verifique o site Sock puppets and spambots: How states manipulate social networks e outras leituras e recursos sobre checagem.
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Via Observatório da Imprensa com Tom Trewinnard do Meedan Labs

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

WhatsApp se prepara contra possível bloqueio de operadoras

O alerta é da Proteste

Frases divulgadas recentemente mostram que o aplicativo estaria se organizando para possível restrição das operadoras. Participe da petição online criada pela PROTESTE e ajude a reverter esse cenário garantindo os seus direitos.

Na última semana, foi divulgada na internet uma preparação do Whatsapp para a possibilidade de enfrentar o bloqueio do aplicativo pelas operadoras de telefonia. O objetivo das teles é impedir que o usuário continue fazendo chamadas de voz pelo aplicativo, utilizando o pacote de dados de internet.  



Ao que consta até o momento, o primeiro país a sofrer com a pressão para o bloqueio seria a Itália. Através de um conteúdo que circula na internet, a desenvolvedora do Whatsapp revelou algumas frases em italiano, que de acordo com o significado, seria uma preparação do aplicativo contra um provável bloqueio por parte das operadoras. 


As frases divulgadas tratam justamente de um alerta aos usuários sobre a ação de operadoras para limitar serviços do aplicativo, que até então eram oferecidos normalmente. Confira os avisos abaixo:
 


  • Não foi possível efetuar a ligação pois sua operadora restringe ligações pelo WhatsApp. Tente se conectar ao Wi-Fi e ligue novamente.
  • Não foi possível efetuar chamada porque seu celular está conectado a uma rede que não permite ligações pelo WhatsApp. Conecte-se a outra rede ou desligue o Wi-Fi.
  • Seu plano de telefonia não permite realizar chamadas pelo WhatsApp. Tente mudar para outra operadora, ou se conectar a uma rede Wi-Fi.
  • Sua rede WiFi impede a realização de chamadas pelo WhatsApp. Tente trocar de rede ou desligar seu WiFi e use seu plano de dados móveis.
  • Operadora de celular ou rede WiFi não permite a realização de chamadas pelo WhatsApp.
  No Brasil, as operadoras também já se posicionaram e são declaradamente contrárias a função de chamadas por voz em aplicativos como o Whatsapp. A Vivo já reclamou abertamente do WhatsApp, tendo classificado-o como uma “operadora pirata” pelo seu presidente, Amos Genish. 


Não podemos deixar que o interesse comercial das operadoras nos restrinjam o uso do aplicativo. Entre nesta luta com a PROTESTE para garantir e assegurar que todos os nossos direitos sejam respeitados. A petição online já conta quase 20 mil assinaturas. Assine, compartilhe com seus amigos e faça com que nossa voz seja ainda mais forte para vencer essa causa:
 



As práticas comerciais das teles são questionadas por violarem direitos garantidos pelo Marco Civil da Internet. Por isso, a PROTESTE solicita investigação à 3ª Câmara de Consumidor e Ordem Econômica da Procuradoria Geral da República para evitar que consumidores sejam prejudicados com a tentativa de bloqueio do serviço de voz em aplicativos. 


 Fonte: Proteste

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Pau de selfie é proibido em Salvador

A partir desta quinta-feira (17) está proibido uso de ‘pau de selfie’ em espetáculos de aglomeração popular em ambientes públicos e privados, em Salvador, conforme medida publicada no Diário Oficial do Município (DOM), e passa a valer em 90 dias. Após esse período, poderão ser estabelecidas penalidades para quem descumprir a nova regra.

 A nova lei permite o uso do pau de selfie apenas em áreas privadas e em ambientes fechados, como sala de espetáculos e casas de show da capital baiana. O uso do objeto já era proibido em estádios baianos desde janeiro deste ano pela Polícia Militar da Bahia, com base no Estatuto do Torcedor.


A legislação foi aprovada na Câmara Municipal e proposta pelo vereador Alfredo Mangueira. "Considerando que portadores mal intencionados do “pau de selfie” estão transformando artesanalmente em "chunchos" (arma branca muito utilizada por presidiários), conforme já detectado por autoridades policias", argumenta o vereador no texto do projeto de lei.

Via A Tarde da Bahia

domingo, 9 de agosto de 2015

#Twitter: Veja como é fácil criar tuites falsos

Definitivamente, não dá pra confiar em mais nada e mais ninguém. :-) Como se não bastasse ser extremamente fácil forjar uma mensagem de qualquer usuário do Twitter – usando serviços online como o http://www.lemmetweetthatforyou.com/ –, tweetes ‘embedados’ também não são mais confiáveis do que esse screenshot aí em cima. 

Segundo matéria do TNW, “há uma forma de ‘embedar’ tweetes usando o JavaScript que permite que você altere várias de suas propriedades, incluindo fonte, data, números de retweets e favorites e até seu conteúdo. Basta copiar e colar o trecho de código JavaScript na sua página, alterando o ‘tweet ID’ para o ID do tuite que você deseja alterar. O resultado é um tuite ‘embedado’ que parece legítimo, mas que diz qualquer coisa que você quiser” – leia na íntegra aqui.



Fonte: Beware @Blue Bus

domingo, 28 de junho de 2015

#Facebook passa a mensurar tempo gasto na visualização de publicações

A rede social vai passar a mensurar o tempo gasto na visualização de cada publicação e, com isso, definir quais posts são considerados mais interessantes e terão mais destaque ao internauta. 



Comunicado do Facebook explica que para a rede social não é tão simples adotar o critério de seleção, pois muitas pessoas podem passar mais tempo olhando para determinada publicação porque possuem uma conexão de internet lenta. Por outro lado, se os usuários gastam muito mais tempo em um conteúdo particular do que em outros, pode ser um bom sinal de que aquilo é importante para ela.

O fato de um usuário não rolar a barra do feed vai ajudar o Facebook a perceber que o que estava sendo exibido naquele pedaço é interessante e, dessa forma, podem ser priorizados conteúdos similares. A novidade começa a ser implementada nas próximas semanas. A rede não espera mudanças significativas com a distribuição e alcance das fan pages com essa atualização.


Fontes: Comunique-se e Facebook

terça-feira, 5 de maio de 2015

O acordo do Facebook coloca em risco o futuro da Internet?

A PROTESTE e outras 33 entidades que participam da campanha Marco Civil Já entregaram, na quarta-feira (22), carta à presidente Dilma Rousseff com críticas ao possível acordo entre o Facebook e o governo, anunciado  no último dia 10, para levar internet à população de baixa renda e de áreas isoladas do país.

O projeto Internet.org, implementado pela rede social em países da América Latina, África e Ásia, viola direitos assegurados pelo Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965), como a privacidade, a liberdade de expressão e a neutralidade da rede.

Ao prometer o "acesso gratuito e exclusivo" a aplicativos e serviços, o Facebook está na verdade limitando o acesso aos demais serviços existentes na rede e oferecendo aos usuários de baixa renda acesso a apenas uma parte da internet.

Esta estratégia da rede social, realizada em parceria com operadoras de telecomunicações e provedores de conteúdo, desrespeita o princípio da neutralidade, ainda que garanta o uso dos aplicativos e conteúdos mais populares. No longo prazo, pode gerar concentração dos serviços de infraestrutura, de acesso à internet e conteúdos, restringindo a liberdade de escolha do usuário. A cartelização do mercado e a falta de estímulo a preços baixos comprometem os objetivos de universalização.




Ou seja, o projeto Internet.org fere a livre concorrência e a liberdade no fluxo de informações, já que em alguns casos, o acesso à internet e a conteúdos são fornecidos pelas mesmas empresas. E também viola o princípio da privacidade, já que dados pessoais dos usuários podem ser disponibilizados, deixando-os vulneráveis a interesses comerciais e pressões políticas.

Na carta, é pedido que não seja firmado qualquer acordo com o Facebook, relacionado ao projeto Internet.org, que tenha como objetivo "fornecer acesso grátis à internet"; e que qualquer parceria futura a ser fechada com a rede social ou qualquer outra empresa respeite os direitos garantidos pelo Marco Civil, em especial o da neutralidade da rede. O movimento Marco Civil Já pede também que o governo realize amplo debate com a sociedade civil antes de fechar acordos desse tipo, da mesma forma como foi feito com o Marco Civil da Internet.




Fonte: Proteste

sexta-feira, 24 de abril de 2015

O Jornalismo, o Passaralho e a Computação em Nuvem

O Estado de S. Paulo reproduz, na edição de quinta-feira (23/4), reportagem da revista inglesa The Economist sobre as perspectivas de crescimento da computação em nuvem. O tema central é a queda progressiva dos preços de armazenamento de dados, ao mesmo tempo em que cresce exponencialmente a capacidade e a operacionalidade desses sistemas. Um olhar no horizonte mostra que a gestão de redes de computadores remotos é um dos setores da tecnologia que mais crescem, junto com a comunicação móvel.
René Mansi - Creative Commons
O que isso tem a ver com a imprensa como a conhecemos?

Tem tudo a ver, em pelo menos dois pontos cruciais: primeiro, o tráfego instantâneo de informações numa rede complexa de computadores manda para o arquivo morto os sistemas centralizados de gestão que caracterizam as empresas de mídia noticiosa; segundo, o sistema transforma o núcleo da atividade jornalística em mercadoria que pode ser servida por qualquer tipo de empresa que possua os programas de gestão remota de dados.
Um olhar para o horizonte próximo mostra que será necessário trocar grande parte dos programas utilizados na coleta, edição e publicização de material jornalístico, porque a maioria dos sistemas multiplataforma foi construída com a lógica da mídia impressa.

Não é tarefa simples adequar esses conjuntos de softwares para gerenciar textos, imagens e sons de maneira integrada entre unidades computacionais localizadas em várias partes do planeta. Há quem diga que esse salto tecnológico equivale ao processo de troca dos sistemas de mainframes pelas redes de computadores pessoais, que gerou altos custos e grande endividamento nas empresas jornalísticas na década de 1990.
No Brasil, onde as corporações de mídia enfrentam dificuldades financeiras e se veem obrigadas a cortar empregos às dezenas, esse desafio só poderá ser enfrentado com o suporte do Estado – e aí o leitor atento pode imaginar o quanto ajudaria ter em Brasília um governo disposto a abrir os cofres do Tesouro, como aconteceu em passado recente.

Parece, portanto, haver uma conexão entre a crise financeira das grandes empresas de comunicação, a perspectiva de aumento dos custos devido a uma acelerada mudança na tecnologia de informação e comunicação, e certo esforço que fazem os jornais para substituir os inquilinos do Palácio do Planalto antes da próxima eleição presidencial regulamentar.

Demissões em massa

O contexto diz que jornalistas serão sempre essenciais, mas empresas jornalísticas do tipo que conhecemos se tornam obsoletas. Como se sabe, o setor vem sendo obrigado a reduzir severamente os postos de trabalho: no dia 6 de janeiro, houve mais de 30 demissões em jornais do interior paulista, cinco das quais na sucursal da Folha de S. Paulo em Ribeirão Preto, que foi fechada; nos dois dias seguintes, o Estado de Minas demitiu mais de uma dezena de jornalistas e o Globo cortou uma centena de funcionários, entre os quais 30 jornalistas; em março, a TV Bandeirantes mandou embora 30 profissionais; e neste mês de abril o Estado de S. Paulo cortou 100 postos de trabalho, o SBT demitiu 40 e a Folha começou um corte que, segundo o Sindicato dos Jornalistas, já passou de 50.

Esse cenário tecnológico precisa ser compreendido no contexto mais amplo do mercado, onde também não há boas notícias para a mídia tradicional. Na primeira semana deste mês, a revista Meio e Mensagem publicou entrevista (ver aqui) do britânico Miles Young, presidente mundial da rede Ogilvy, que pertence à WPP, o maior conglomerado de publicidade e comunicação do planeta, na qual ele anunciava uma mudança radical no negócio: as antigas agências de propaganda estão se transformando em produtoras de conteúdo, ou publishers, e começam a contratar jornalistas.

Na mesma quinta-feira (23), a Folha de S. Paulo publica entrevista na qual o sorridente diretor de negócios da TV Globo, Willy Haas, diz que a emissora ainda acredita na força da propaganda, motor da TV aberta, apesar da crescente concorrência de outras telas, como as do computador, dos tablets e dos smartphones, além do crescimento dos serviços de vídeo sob demanda, como o Netflix. Ao comemorar seus 50 anos de existência, afirmou, a emissora considera que precisa inovar para concorrer com as novas mídias.

Acontece que, embora se beneficie com 40% do bolo publicitário da TV no Brasil, tendo faturado em 2014 a montanha de R$ 16,2 bilhões, com um lucro líquido de R$ 2,4 bilhões, a Globo não está imune às dificuldades que se avolumam. Um exemplo: como lembra o jornalista Adalberto Marcondes, o que aconteceria se mudassem as regras que beneficiam a mídia, com uma separação clara entre jornalismo e entretenimento?

Via  Observatório da Imprensa

domingo, 19 de abril de 2015

Banir e-mail é a saída para a produtividade ?




Em 2001, a consultora irlandesa Clare Burge voltou de umas férias de dez dias e encontrou 10 mil novos e-mails em sua caixa de entrada.
Em um momento de "loucura", segundo ela, Burge decidiu fazer uma experiência radical: ficar um ano inteiro sem usar o correio eletrônico. Acionou uma resposta automática em suas contas de casa e do trabalho, pedindo para que as pessoas ligassem se precisassem falar com ela. Foi algo que transformou sua vida.

"O e-mail é uma ferramenta muito egoísta", define Burge, que hoje dirige a consultoria Get Organised, em Dublin. "As pessoas despejam tarefas na caixa de entrada das outras sem nem pensar se estão incomodando". O resultado: "Você se torna um escravo do Inbox, checando seus e-mails da hora que acorda ao momento de se deitar".
Muitos trabalhadores entendem a irritação de Burge com o fluxo constante de mensagens chegando a qualquer hora do dia ou da noite. O e-mail também pode ter um impacto direto nos resultados financeiros de uma empresa, já que distrai os funcionários de tarefas importantes com um volume desnecessário de recados. 


Imagine it: banning email at the office. (Credit: Alamy)

Mais produtividade

Uma pesquisa estima que, em média, uma pessoa leva 64 segundos para retomar o que estava fazendo após ler uma mensagem nova. Outros estudos mostraram que isso pode levar a um total de várias horas perdidas por dia.
Como se trata de um atraso na eficiência do escritório e no bem-estar do funcionário, o e-mail agora entrou na mira de corporações ao redor do mundo. No mesmo ano em que Burge abriu mão da ferramenta, Thierry Breton, diretor-executivo da empresa francesa de tecnologia Atos, anunciou a seus 80 mil funcionários que eles estavam proibidos de usar o correio eletrônico interno.
Desde então, esse tipo de proibição tem se tornado uma maneira cada vez mais popular para as empresas ajudarem seus funcionários a manter um equilíbrio saudável entre o trabalho e a vida doméstica, e aumentar sua produtividade.


A tendência está se arraigando em vários setores. Na Alemanha, algumas montadoras anunciaram políticas para limitar o uso do e-mail. Nos Estados Unidos, um conhecido colunista do The New York Times escreveu sobre as ferramentas que ele usa com seus editores para substituir a comunicação por e-mail.

Na Grã-Bretanha, a Halton Housing Trust, uma ONG que cuida de pessoas sem moradia e gerencia milhares de casas, decidiu simplesmente extinguir a ferramenta. Seu diretor-executivo, Nick Atkin, é um crítico feroz do correio eletrônico, apesar de ter admitido recentemente que a iniciativa ainda está longe de ir de vento em popa. Segundo ele, os desafios de fazer com que seus 280 funcionários parassem de checar sua caixa de entrada constantemente "mostra o quanto as pessoas estão viciadas no e-mail e, sendo assim, têm uma resposta irracional quando se ameaça tirar isso delas".


Leia mais: Como preservar sua privacidade no mundo digital

Sugestão de funcionária

Na Van Meter, uma distribuidora de peças elétricas de Cedar Rapids, em Iowa, nos Estados Unidos, acabar com os e-mails depois do expediente foi parte de um programa mais abrangente para melhorar a cultura interna da empresa.
Há dez anos, a companhia começou a medir o envolvimento dos funcionários e a implementar políticas que melhoraram o equilíbrio entre a vida doméstica e o trabalho.

Para Lura McBride, diretora de operações dessa companhia de 400 funcionários, a gota d'água foi perceber que tinha se habituado a travar as portas do carro ao estacionar da garagem de casa no fim do dia para continuar trabalhando, enquanto seus quatro filhos tentavam chamar sua atenção pelas janelas.
McBride sugeriu a seus superiores cortar os e-mails internos depois das 17h e nos fins de semana, sugerindo telefonemas no lugar. Para ela, a regra serve mais para respeitar o tempo das outras pessoas. Afinal, quando escutamos o sinal de que chegou um novo e-mail sempre nos sentimos obrigados a verificar se se trata de algo importante.

Ao longo do tempo, a decisão se infiltrou e se tornou parte da cultura interna da Van Meter. Quando um empregado sai de férias, a empresa até desativa seu e-mail. McBride e seus colegas ainda trabalham de noite, mas ninguém manda mensagens eletrônicas, a não ser que se trate de responder a um cliente ou de algo inadiável.

Mudando o ritmo

O que a irlandesa Burge aprendeu durante seu ano longe dos e-mails é que para fazer isso bem, as empresas precisam encontrar alternativas para que as pessoas se comuniquem e contribuam entre si.
Ao ouvi-la em uma palestra, o consultor em informática Lee Mallon, da cidade britânica de Bornemouth, tomou a mesma decisão e aboliu seus e-mails em setembro do ano passado.

Quando anunciou sua decisão, seus funcionários respiraram aliviados. Para ele, o maior desafio foi a transição para outras ferramentas de comunicação que funcionam melhor para designar tarefas e compartilhar documentos.
"Antes, o e-mail era o recipiente de todas as comunicações, além das interações com clientes e armazenagem de documentos", diz Mallon. "Agora usamos quatro produtos diferentes para cada tipo de comunicação".

Em seu pequeno escritório, os assuntos mais urgentes são discutidos pessoalmente ou por telefone. Para compartilharem informações e se manterem a par do andamento de algum projeto, os funcionários usam o Skype, o Dropbox e o Slack.

"A equipe se comunica muito melhor", afirma ele, que estima ter economizado 20% do dia de trabalho ao se livrar do e-mail. "Agora os assuntos se resolvem imediatamente." Burge acredita que um mundo sem e-mails ainda está longe de se tornar realidade. "Eu ainda uso a ferramenta diariamente porque não consegui converter as 7 bilhões de pessoas do planeta", brinca.

Fonte: BBC Capital