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terça-feira, 21 de junho de 2016

Estudo de Princeton expõe vigilância descontrolada dos trackers na Web

Os pesquisadores Steven Englehardt e Arvind Narayanan, da Universidade de Princeton, publicaram no dia 18 de maio o “estudo mais amplo e detalhado de monitoramento online até a presente data” (paper).

Usando a ferramenta livre / de código aberto OpenWPM, (um “framework para medições de privacidade na web), eles conduziram uma série de experimentos nos primeiros 1 milhão de sites do ranking de popularidade da Alexa, e encontraram alguns resultados já esperados — concentração de um pequeno número de gigantes mas uma “cauda longa” de milhares de trackers, prevalência desses mecanismos em sites de notícia, eficácia de extensões e plugins de bloqueio…

Mas Englehardt e Narayanan também fizeram algumas descobertas surpreendentes: a prática comum de “sincronização de cookies” entre diferentes trackers e a adoção de técnicas novas de fingerprinting para identificar dispositivos.

A capacidade de monitorar detalhadamente as ações das pessoas na Web, a prática difundida de compartilhar e vender dados umas para as outras e a característica desse mercado de possuir um pequeno número de empresas que estão presentes na maioria dos sites produzem um grave dano à privacidade de quem acessa a Web, afetando também outros direitos fundamentais como a autodeterminação e a inviolabilidade da intimidade.

Está tramitando na Câmara dos Deputados um Projeto de Lei que busca trazer garantias à população brasileira e que já têm paralelos em mais de cem países ao redor do mundo: uma lei que proteja os dados pessoais. Se aprovada da forma como foi proposto pelo Ministério da Justiça, ela estabelecerá claros limites em quais dados poderão ser guardados e processados por essas empresas com o objetivo explícito de proteger direitos fundamentais.

Neste artigo, vamos ver as principais descobertas do estudo de Englehardt e Narayanane entender como o Projeto de Lei nº 5.276/2016, resultado de duas consultas públicas e encaminhado à Câmara recentemente pelo governo Dilma Rousseff antes da presidenta ser afastada, pode nos dar maior controle sobre a coleta e o tratamento dos dados pessoais por parte dos trackers.

Third parties e trackers: data is money, my friend

Antes de tudo, uma definição: o estudo gira em torno das third parties. Quando visitamos um determinado site, a first party (“primeira pessoa”), ele pode carregar recursos como scripts e imagens de outros domínios, as third parties (“terceiras pessoas”).

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Muitos desses domínios servem trackers, enquanto outros são usados para fornecer imagens estáticas (como o gstatic.com da Google e o fbcdn.net do Facebook). Estes conteúdos não são relevantes para os propósitos do estudo, que analisa aqueles que hospedam scripts que rodam silenciosamente, detectam e comunicam à “base” informações sobre a visita. Para separar o joio do trigo, o estudo usou listas usadas por plugins de privacidade, curadas e alimentadas com novos endereços de trackers conforme eles são descobertos.
Para aprender mais sobre esse monitoramento funciona e como se defender dele, veja nosso artigo Trackers: os grandes stalkers da Web.

Descobertas do estudo

Embora tenham sido registradas 81.000 third parties, um pequeno grupo delas está presente em muitos sites, enquanto a maioria foi detectada em pouquíssimos sites (o “efeito cauda longa“). Isso confirma as impressões de observadores da indústria de que há uma grande concentração de grandes empresas do ramo que domina a maior parte do mercado — somente 123 dessas 81 mil estão presentes em mais de 1% dos sites, e todas as cinco maiores percentem à Google. “De fato, a Google, o Facebook e o Twitter são as únicas entidades com third parties presentes em mais de 10% dos sites”, dizem os autores.

Além disso, o estudo detectou que a maioria dos trackers faz sincronização de cookies (cookie syncing), comunicando a outros trackers os ID’s usados internamente para identificar visitantes. Esta descoberta sugere que as empresas de tracking trocam grandes volumes de seus dados entre si por fora da interação usuário(a)↔website .

Outra descoberta pouco óbvia é que a indústria de monitoramento online pode ser uma barreira para a ampla adoção de HTTPS. Como os navegadores alertam sobre “conteúdo misto” quando um site em HTTPS carrega recursos via HTTP desprotegido, e muitos trackers não oferecem por HTTPS (ou não por padrão), há um desincentivo para sites adotarem essa vital tecnologia para que suas visitas não sejam recebidas com um “cadeado quebrado”. Além dos riscos de interceptação, um outro agravante é que tais scripts de monitoramento e seus cookies, quando trafegam via HTTP, podem ser usados por agências de inteligência e crackers para te identificar e até invadir.

Sites de notícias e outros conteúdos editoriais são os mais monitorados. Já sites de universidades, organizações governamentais e sem fins lucrativos são os que menos instalam trackers. Uma hipótese levantada pelos autores é de que os últimos apresentam menos monitoramento (e anúncios) pois têm financiamento externo, enquanto os primeiros são obrigados a monetizar suas visitas (e, crescentemente, limitar visitantes que usam ad blockers).

Por que querem meus dados?



O caminho dos anúncios desde os marketeiros até você. Cada uma dessas empresas ajuda a definir quais você vai ver ao acessar uma página web.
“Informações pessoais são o novo petróleo, o combustível vital da nossa economia digital”, como disse Andrew Keen para a CNN. A vasta gama de tipos de dados que os aplicativos e dispositivos emitem constantemente — localização, relações sociais, hábitos de consumo e comportamento — são o que mantém o capital girando para uma grande e crescente parcela de empresas de software.

O modelo de negócios adotado nos primórdios da rede, com serviços pagos diretamente pelo cliente ou financiados por universidades e empresas, chegou ao público geral como o que os especialistas em privacidade e segurança da informação chamam de modelo de negócios da vigilância: a empresa oferece serviços “gratuitamente”, e paga suas contas e funcionários(as) vendendo as informações pessoais que conseguem coletar para quem se interessa.

Esses dados possuem alto valor para uma série de outras empresas que se beneficiam em conhecer detalhes sobre a vida das pessoas: serviços de crédito que querem avaliar seu risco de dar um calote, seguros de saúde que podem usá-los para determinar o valor do plano, lojas e empreendimentos que querem entender o comportamento do mercado e anunciar diretamente para um público-alvo específico…

Para intermediar a coleta de dados nos sites e aplicativos e seu uso final pelo mercado, surgiu a indústria das data brokers (“corretores de dados”). Gigantes como a Acxiom e a Experian possuem sedes ao redor do mundo, onde compram e vendem bancos de dados sobre populações inteiras.
O ramo é tão grande que muitas vezes há mais intermediários na cadeia: centenas de outras empresas pequenas e grandes comercializam entre si bancos de dados para integrar com sua vasta coleção — a Experian, que comprou a Serasa em 2007, possui terabytes de informação sobre o público brasileiro e petabytes a nível global.

Algumas das data brokers que coletam dados na Internet segmentam internautas com base no seu comportamento online, justamente através dos trackers estudados pela dupla de pesquisadores de Princeton. No Brasil, por exemplo, uma empresa chamada Navegg Analytics busca “entender o comportamento do consumidor”, e baseia sua segmentação da população em um estudo de 6 anos conduzido em mais de 100 mil sites. Seus scripts estão presentes na maioria dos portais de notícias e em vários outros sites voltados para o público brasileiro.


Algumas categorias em que a Navegg associa a você a cada visita em um site que use seus third-party scripts. Se você não tem tempo para ler nosso artigo sobre profiling, TEM QUE ao menos ler o guia ilustrado.

E agora, quem poderá nos defender?

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O mercado de coleta e tratamento de dados em escala massiva, na ausência de leis que o limitem e por ser invisível para quem navega no site (tanto na coleta quanto no uso), se tornou definitivamente um monstro.
Proibi-lo completamente, no entanto, é desproporcional e eliminaria uma opção legítima de usar serviços gratuitos que, além de manterem-se financeiramente com o tratamento de dados, os usem para aprimorar sua interface e seu serviço — por exemplo coletando estatísticas de uso de seus softwares para entender quais entraves as pessoas enfrentam.

O que precisamos para tornar essa indústria mais justa e saudável são ferramentas para que as pessoas possam exercer controle sobre que dados vão compartilhar e entendendo o que está em jogo após suas escolhas.

Proteções legais aos nossos dados com o Projeto de Lei 5276/2016, além de eficazes no cenário atual de trackers, protegem todos os dados, quer sejam visitas em sites, quer sejam suas compras no supermercado. Ele também traz limites claros não só para o momento da coleta como o de tratamento (pense em algoritmos) e o repasse para o poder público ou empresas dentro e fora do país. O PL também obriga as empresas a seguir padrões e boas práticas de segurança para o armazenamento, a transmissão e a anonimização (que serão atualizados conforme as tecnologias de proteção e de quebra evoluem).

O PL 5276/2016 protege seus dados

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Segundo Marília Monteiro, pesquisadora do Privacidade Brasil e mestranda em Políticas Públicas na Hertie School of Governance, “há pouca, senão nenhuma regra que regule a atividade dos chamados data brokers no Brasil. Para aquelas que lidam com informações de crédito, algumas balizas estão presentes nas regras consumeristas, mas isso está limitando a alguns agentes da cadeia de informações de crédito e não de forma sistemática e especializada”.

Nós da Coding Rights, junto com mais 40 entidades da academia e da sociedade civil organizada manifestamos interesse na chegada do Projeto de Lei de Proteção de Dados Pessoais à Câmara dos Deputados. O PL nº 5.276/2016, como escrevemos em uma carta aberta, “foi construído de forma colaborativa com amplo engajamento social por meio de duas consultas públicas realizadas no fim do ano de 2010 e começo do ano de 2015, a partir da iniciativa do Ministério de Justiça em colocar o texto do então Anteprojeto de Lei de Proteção de Dados Pessoais sob escrutínio público nas plataformas online Cultura Digital e Pensando o Direito“.

O PL de Proteção de Dados vem preencher uma lacuna na nossa legislação: proteções semelhantes já existem na maioria das democracias mais fortes do mundo, como a Diretiva de Proteção de Dados que orienta as leis de cada país da União Europeia, ou as regulamentações específicas por setor que os EUA adotam em vez de uma lei geral. Marília Monteiro, que era coordenadora de Consumo e Sociedade da Informação da Senacon/MJ e participou ativamente da elaboração do debate público, afirma que “o PL 5.276/16 traz padrões mínimos internacionalmente reconhecidos que criam o dever de transparência para as data brokers. Os princípios, direitos e garantias presentes no projeto permitiriam, por exemplo, que os usuários acessem as informações agregadas pelas data brokers, optem pela não coleta, compartilhamento e divulgação de seus dados pessoais e que corrijam as informações a seu respeito”.
Como vimos, há uma grande concentração de atores no mercado de tracking, o que torna uma lei que estabeleça normas para sua atuação mais eficiente. Segundo os autores, “para as pouco mais de 100 third parties que são prevalentes em pelo menos 1% dos sites, imaginamos que elas são entidades grandes o bastante para terem seu comportamento regulamentado por pressão da opinião pública e a possibilidade de ações legais”.
Ao longo dos últimos meses, viemos preparando uma série de materiais para auxiliar a participação no processo de consulta pública. No guia Dados Pessoais: como contribuir para o debate público, feito pela Oficina Antivigilância e pelo CSLab, são explicados os principais conceitos e questões de cada um dos “eixos” do debate conforme organizado pelo Ministério da Justiça. Fizemos um boletim especial com artigos sobre as data brokers e os riscos e garantias da anonimização na proteção de dados pessoais, além de uma visualização interativa dos comentários feitos na plataforma do MJ para enxergar as principais disputas em torno do texto da lei.

Exercendo (algum) controle sobre sua navegação

Enquanto não temos uma lei que nos proteja, podemos exercer um maior controle sobre os dados que entregamos para estas empresas através das já conhecidas ferramentas de bloqueio de anúncios. O estudo dos pesquisadores de Princeton realizou testes comparados com um navegador com Ghostery, e verificou que ele é bastante eficiente, bloqueando grande parte dos trackers sem comprometer o funcionamento normal do site (deixando passar domínios de CDN’s e e widgets, por exemplo).
As extensões Privacy Badger (Chrome, Firefox)  e uBlock Origin (Chrome, Firefox, Opera) possuem um funcionamento similar ao Ghostery, com a vantagem de serem software livre. A combinação das duas é nossa recomendação para proteger sua navegação dos olhos da indústria de forma transparente e automática. Estas ferramentas atuam através de “listas negras” e sistemas sofisticados de reconhecimento de tracking para impedir o navegador de carregar scripts enxeridos.




Comparação feita para nosso artigo sobre trackers mostra scripts carregados sem (1ª) e com (2ª) as extensões Privacy Badger e uBlock Origin. Muitos deles atuam em vários sites ao mesmo tempo.

Fingerprinting, ou seguindo você na Internet sem login

Apesar de haver ferramentas que bloqueiam os trackers tradicionais, o estudo detectou uma série de métodos pouco conhecidos ou até inéditos de monitorar pessoas online, que passam batido por essas extensões.
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As técnicas de fingerprinting permitem que o tracker faça uma “impressão digital” de todos os dados que consegue juntar sobre o navegador; assim, ele sabe que quem está entrando no site X é a mesma pessoa que entrou em um site Y. Seguindo sua trajetória online é possível aprender muito sobre seu comportamento mesmo sem saber sua identidade pessoal — e basta fazer login em um site onde você tenha se cadastrado e puf, já é possível te ligar ao seu histórico de navegação.

Alguns métodos de fingerprinting já são conhecidos: a lista de fontes e plugins que o navegador suporta, as informações sobre a versão do navegador (user agent string) e o tamanho de sua janela… a ferramenta Panopticlick mantida pela EFF testa o quão único é seu navegador frente aos das outras milhares de visitas que o site já ganhou.

Uma gama de outras formas de fingerprinting são menos conhecidas e estudadas. O canvas fingerprinting, por exemplo, se aproveita de particularidades na forma como o javascript desenha formas no <canvas> em diferentes dispositivos e navegadores. A pesquisa de Englehardt e Narayanan é a primeira a detectar uma série de métodos sofisticados de identificação que se aproveitam de interações com o sistema que o javascript oferece sem pedir permissão:
  • Font canvas fingerprinting é enumerar as fontes presentes no sistema através da interface “canvas” de desenho.
  • O WebRTC-based fingerprinting coloca na mistura seu endereço de IP na rede local.
  • O AudioContext fingerprinting detecta sutilezas na forma como a Audio API processa sinais de áudio em cada máquina e navegador.
  • Foram detectados até scripts que gravam o nível de bateria e quanto falta para (des)carregar completamente.
A princípio, estas informações parecem banais e inúteis. No entanto, é consenso na comunidade técnica e na ciência da computação que até mesmo poucos dados que se refiram aos hábitos ou comportamentos de uma pessoa, quando combinados, podem identificá-las com alta precisão, ou destacá-las na multidão com base em características coletivas como etnia, situação econômica, condição de saúde e posições políticas.

Como disse Arvind Narayanan em seu site pessoal dedicado à (des)anonimização de dados, “há somente 6,6 bilhões de pessoas no mundo, então são necessários somente 33 bits de informação sobre uma pessoa para determinar quem ela é”. O cenário só piora na Web, já que o número de pessoas com acesso à rede é muito menor que a população mundial, e 15 minutos de navegação podem facilmente revelar todos os bits necessários para revelar nossa identidade.

Entramos em contato com Cooper Quintin, desenvolvedor da extensão Privacy Badger, para entender o quanto a extensão já nos protege contra as técnicas abordadas no estudo. Em vez de usar uma lista de trackers conhecidos, o software mantido pela Electronic Frontier Foundation busca em todas as third parties comportamentos associados ao monitoramento, como o armazenamento de cookies e acesso às funcionalidades do javascript que fornecem dados para fingerprinting. Assim, aprimorar a heurística do software para novas ameaças protege automaticamente milhares de usuários(as) da extensão na próxima atualização.

Para Cooper, o relatório da dupla de Princeton é “fascinante”, e ele planeja examiná-lo com mais calma para adaptar seu software aos novos métodos descobertos. “Font canvas e AudioContext são definitivamente novos para mim, e não são detectados pelo Privacy Badger. No momento atual detectamos canvas fingerprinting e super cookies de armazenamento local, além dos cookies tradicionais”.


No próximo artigo da Oficina Antivigilância para a campanha #ProtejamMeusDados, veremos como o PL 5.276/2016, através de suas determinações sobre anonimização de dados e dados usados para formação de perfis (profiling) nos protege de práticas abusivas de publicidade e riscos severos de segurança que a reidentificação apresenta para todos(as), dentro e fora da Web (spoiler: será baseado no nosso artigo sobre anonimização).

Os especialistas em proteção de dados pessoais Bruno Bioni e Renato Leite Monteiro fizeram uma instrutiva linha do tempo dos PLs de Proteção de Dados Pessoais para o Data Privacy Brasil. Você pode acompanhar a tramitação do PL no site da Câmara; é possível se cadastrar para receber atualizações por e-mail.
O InternetLab fez uma análise detalhada de todo o debate feito na última consulta pública, sendo um ótimo guia para se aprofundar em questões específicas como consentimento, dados anônimos, transferência internacional, e o tratamento de dados para segurança pública e defesa nacional.

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Você pode se envolver pelo Twitter , Facebook e nas suas redes de preferência — memes e materiais de divulgação estão sendo organizados no Tumblr PL 5276 protege nossos dados!. Na página especial #ProtejamMeusDados que preparamos aqui no site, manteremos uma visão geral da campanha e do processo no Congresso.

Oficina Antivigilancia

sábado, 19 de março de 2016

Bots : Cuidado com eles e como checar informações

As pessoas interessadas em distorcer informações para favorecer objetivos pessoais ou institucionais estão usando recursos cada vez mais sofisticadas, o que obriga os jornalistas a serem também mais sofisticados na identificação da manipulação de notícias.

Checar suas fontes é fundamental para qualquer investigação online. Quando você encontra vídeos ou imagens irresistíveis, chegar ao “quem” as fez ou de “onde” vieram é essencial. E os Guias de Checagem Visual do First Draft News fornecem uma excelente visão de conjunto dos itens que devem ser levados em consideração quando se pretende checar uma fonte. Há guias especiais para checagem de fotos e para vídeos.

Reprodução de uma página do guia de verificação de fotos suspeitas

Reprodução de uma página do guia de verificação de fotos suspeitas

O cenário ideal, evidentemente, é poder falar diretamente com uma fonte, se possível, pelo telefone ou pessoalmente. Mesmo assim, podem ocorrer erros, principalmente quando a fonte está fingindo ser alguma coisa ou alguém que não é. Muitas vezes, essas pessoas são apenas farsantes, mas há uma tendência crescente de casos de pessoas que usam identidade falsa para fins fraudulentos [sockpuppets]: identidades falsas online criadas para atrapalhar determinadas pautas políticas ou sociais.

No entanto, as fontes podem não responder quando você tenta falar com elas. Talvez estejam ocupadas, ou talvez não queiram falar com jornalistas. Outro motivo poderia ser que a sua fonte que a sua fonte não seja uma pessoa coisa nenhuma: muitos casos que acontecem em redes sociais são bots [softwares concebidos para simular ações humanas repetidas vezes de maneira padrão, da mesma forma que o faria um robô].

Sockpuppets e bots colocam alguns desafios interessantes para checagem, principalmente em regiões do mundo onde governos os usam para manipular redes sociais (e isso significa uma parte do mundo maior do que você poderia imaginar) e sabendo como localizá-los pode poupar tempo e esforços.

Localizando um bot
Expor um caso de um bot pode ser de uma facilidade trivial ou ilusoriamente difícil. Veja, por exemplo, estas duas contas do Twitter:

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No caso do primeiro usuário, inúmeras bandeiras vermelhas aparecem instantaneamente. O nome incompreensível do usuário, a foto do perfil do Twitter com um ovo, o único e breve tweet – este usuário rapidamente se choca com as principais dicas para localizar contas falsas do First Draft.

No entanto, a segunda conta, cujo último tweet fala de um preso paquistanês que fugiu de uma prisão em Gidá, na Arábia Saudita, é um desafio mais importante. Um número razoavel de seguidores (embora poucos) , uma boa amostragem de tweets, uma foto da pessoa real no perfil, nomes de usuário e de visualização aparentemente corretos e um conjunto de conteúdos (incluindo foto e vídeo) numa linguagem que poderíamos esperar. Precisamos trabalhar um pouco mais.

Primeiramente, vamos checar a foto do perfil. Trata-se de uma imagem original? Tentemos fazer uma busca reversa das imagens :
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Reprodução da página do Google especializada na pesquisa de imagens
Uma bandeira vermelha que surge imediatamente sugere que a foto do perfil seja, na verdade, de um homem chamado Khalaf Al-Ali, um diplomata saudita assassinado em Bangladesh em 2012. Portanto, talvez este usuário tenha postado sua imagem como uma recordação do diplomata. Continuemos investigando.

O segundo passo é ver se conseguimos encontrar uma pessoa chamada Rahi Al-Msalkhe procurando no Google pelo seu nome no idioma árabe.
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Qual o objetivo dos bots?

Não há qualquer retorno senão a conta do Twitter que estamos investigando e outra bandeira vermelha. Talvez esta pessoa tenha posto um nome falso na conta? Não é tão incomum.

Como terceiro passo, examinemos com mais cuidado os tweets da conta. Parecem ser, em sua maioria, compartilhamento de links no idioma árabe com dois ou três tweets em inglês. Nada de extraordinário. Após uma breve busca, este tweet parece o mais pessoal e possivelmente dá uma localização:
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Tradução: “Qual é a melhor loja de chocolate em Gidá?????”
É uma boa pergunta, mas parece que ninguém respondeu. Vejamos se alguém mais fez a mesma pergunta no Twitter.
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Puxa vida! Parece que às 22:15 (horário da Costa Oeste dos Estados Unidos) do dia 14 de janeiro, cerca de 100 contas fizeram exatamente o mesmo tweet.
É difícil imaginar uma situação em que isso acontecesse na vida real e, se repetirmos a busca em dois outros tweets de @almsalker881, descobriremos que se trata de um padrão repetido. 

A esta altura, podemos dizer com segurança que, na melhor das hipóteses, esta conta está comprometida e que muito provavelmente se trata de um bot. Ao clicar em qualquer das contas que tenha feito tweets do conteúdo duplicado, obtemos resultados semelhantes.

Qual será o objetivo deste exército de bots? Desconhecendo quem está por trás dele, é difícil dizer. Mas algumas das maneiras que já vimos contas serem usadas por bots e sockpuppets foram para mandar mensagens não desejadas pela internet e para caluniar ativistas, para apagar hashtags e criticar autoridades e para disseminar desinformação.

Consciência das possibilidades

Esses esforços por parte de Estados podem ser mais elaborados do que você imagina. Em 2015, o repórter Adrian Chen, do New York Times, publicou uma matéria fascinante com uma visão aprofundada de uma “fábrica de trolls” russa [um departamento aparentemente voltado para disseminar notícias e opiniões pró-Putin nas redes sociais]. Chen rastreia algumas campanhas de desinformação extremamente complexas que o levam de volta à fábrica de trolls. Num exemplo, autoridades e moradores de uma cidade no estado de Louisiana receberam mensagens com advertências sobre uma explosão numa fábrica química e a disseminação de vapores tóxicos. 

Pelo Twitter, dúzias de contas começaram a enviar mensagens sobre a explosão, citando jornalistas importantes com screengrabs [captura de tela] da CNN.com mostrando as notícias “em cima da hora”. Surgiram vídeos mostrando imagens semelhantes às do Estado Islâmico em que era reivindicada a responsabilidade pela explosão.

Rapidamente, apareceu uma página na Wikipedia descrevendo a explosão e fazendo o link entre os vídeos. Tudo isto era falso, inclusive clones que funcionavam como websites do noticiário local e divulgavam a matéria. Esse ataque de desinformação fez-se seguir por outros, também explorando medos públicos muito concretos, como o #EbolaInAtlanta and #shockingmurderinatlanta.

Embora seja improvável que encontremos campanhas de desinformação tão bem coordenadas em termos diários e constantes, é extremamente importante que os jornalistas fiquem atentos para as proporções em que a coleta de dados sociais pode ser manipulada e gozem de alguns truques e ferramentas que os ajudem a localizar os bots.

Uma ferramenta útil para localizar bots é a BotOrNot, criada pelo projeto Truthy. BotOrNot analisa uma série de características de uma conta para lhe dar uma avaliação sobre se a conta parece um bot, o que inclui a rede, o usuário, “amigos”, temporal, conteúdo e análise de sentimentos.
BotOrNot não é perfeito (acerta apenas em 31% dos casos de um bot selecionado), mas pode proporcionar percepções úteis sobre contas a que, de outra maneira, não teríamos fácil acesso.

A rede social está apenas saindo da infância e a internet, na qual ela vive, tem apenas 20 anos em termos de acesso público. Os atores políticos utilizarão todos os meios possíveis para disseminar suas mensagens e, portanto, é crucial que os jornalistas tenham consciência das possibilidades e as saibam identificar.

Verifique o site Sock puppets and spambots: How states manipulate social networks e outras leituras e recursos sobre checagem.
***

Via Observatório da Imprensa com Tom Trewinnard do Meedan Labs

sexta-feira, 4 de março de 2016

"El Pais" assume perfil digital

O diário espanhol "El País" vai passar a ser "um jornal essencialmente digital", com um foco cada vez maior no mercado americano. O anúncio foi feito numa "carta aberta" publicada no site do jornal, em que o diretor Antonio Caño assume o compromisso de manter o jornal nas bancas "durante todo o tempo que for possível".


"[Chegou] o momento da transformação do "El País" num jornal essencialmente digital, numa grande plataforma geradora de conteúdos (…). Assumimos o compromisso de continuar a publicar uma edição impressa do "El País" da maior qualidade durante todo o tempo que for possível. Mas avançamos, ao mesmo tempo, na construção de um grande meio digital de cobertura global que possa responder às exigências dos novos e futuros leitores", escreveu Antonio Caño,  no portal do jornal.

O diretor do "El País" acrescenta que "esse meio é e será cada vez mais americano", por ser na América que o jornal mais cresce e tem hoje "uma expansão mais prometedora". Antonio Caño sublinha que o El País continua a ser o jornal impresso mais vendido em Espanha e as edições digitais conseguiram nos últimos 18 meses "crescimentos espetaculares", que o tornaram "no meio de comunicação em espanhol mais visitado e lido do mundo".

"Mas isso não significa que a batalha esteja ganha e a nossa sobrevivência garantida", acrescenta. Caño informou ainda que a "revolução" que afeta os meios de comunicação social continua em curso e "o panorama é ainda muito confuso", apontando que a transferência de leitores do papel para o digital é "constante".

Além disso, dentro do mundo digital, "a situação continua a ser incerta", com os leitores a preferirem agora os 'smartphones' e com o surgimento permanente de novos dispositivos portáteis. Somam-se "ameaças recentes", como os bloqueadores de publicidade, e a "instalação da cultura da gratuitidade", afirma.

Tudo isto torna "muito complexo também o horizonte no terreno dos novos meios", sublinha ainda Antonio Caño, que justifica que as mudanças no jornal, a poucos meses de completar 40 anos (em maio), têm como objetivo estar "na vanguarda", garantindo que o El País está "mais vivo do que nunca".

Fonte: Económico

domingo, 28 de fevereiro de 2016

#Twitter adota melhores tweets ao invés de timeline cronológica. Igual ao #Facebook

Opção "Exibir os melhores tweets primeiro" poderá ser desabilitada pelos usuários que não concordarem com a novidade, já que ela vai contra a proposta inicial de "tempo real", marca da plataforma.

Mesmo após a hashtag RIPTwitter e o CEO do microblog, Jack Dorsey, ter negado que o Twiter estaria planejando mudanças "já na próxima semana", para a forma como os tweets são apresentados na rede social, os usuários do microblog contam sim com uma nova alternativa de exibição dos tweets em sua timeline. Já a partir desta semana, os internautas irão encontrar a opção "Exibir os melhores tweets primeiro". 

Com isso, os usuários da rede social verão primeiramente alguns conteúdos mais importantes, mas que não necessariamente são as atualizações mais recentes dos amigos.  A novidade entra em funcionamento nos apps para Android e Iphone (IOS), assim como na versão web do Twitter.


Este formato de visualização por relevância segue o padrão adotado pelo seu rival Facebook, que utiliza seu próprio sistema para calcular a relevância dos posts e os exibir em uma ordem determianda eletronicamente. A novidade vai contra a proposta de "tempo real", que sempre esteve no DNA da plataforma e, por isso, quando anunciada a possível mudança, gerou comoção na rede social. Os usuários agiram de forma negativa e criaram a hashtag RIPTwitter.  

Mas o Twitter encontrou uma forma menos agressiva de fazer a mudança, não impondo, mas sim fazendo com que o novo padrão de visualização possa ser uma alternativa. A novidade será implementada aos poucos em todas as contas da plataforma, devendo chegar ao Brasil em poucos dias. O recurso estará habilitado automaticamente para todas as contas, mas o internauta terá a opção de desabilita-lo. 
Conforme o escritório do Twitter no Brasil, os usuários deverão entrar nas configurações do perfil para conhecer o novo recurso. Quando ele for ativado, eles receberão uma notificação em sua timeline. Ainda segundo a plataforma, nenhum tweet deixará de ser exibido devido a novidade.
  
 Fonte: Oficina da Net


terça-feira, 5 de maio de 2015

O acordo do Facebook coloca em risco o futuro da Internet?

A PROTESTE e outras 33 entidades que participam da campanha Marco Civil Já entregaram, na quarta-feira (22), carta à presidente Dilma Rousseff com críticas ao possível acordo entre o Facebook e o governo, anunciado  no último dia 10, para levar internet à população de baixa renda e de áreas isoladas do país.

O projeto Internet.org, implementado pela rede social em países da América Latina, África e Ásia, viola direitos assegurados pelo Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965), como a privacidade, a liberdade de expressão e a neutralidade da rede.

Ao prometer o "acesso gratuito e exclusivo" a aplicativos e serviços, o Facebook está na verdade limitando o acesso aos demais serviços existentes na rede e oferecendo aos usuários de baixa renda acesso a apenas uma parte da internet.

Esta estratégia da rede social, realizada em parceria com operadoras de telecomunicações e provedores de conteúdo, desrespeita o princípio da neutralidade, ainda que garanta o uso dos aplicativos e conteúdos mais populares. No longo prazo, pode gerar concentração dos serviços de infraestrutura, de acesso à internet e conteúdos, restringindo a liberdade de escolha do usuário. A cartelização do mercado e a falta de estímulo a preços baixos comprometem os objetivos de universalização.




Ou seja, o projeto Internet.org fere a livre concorrência e a liberdade no fluxo de informações, já que em alguns casos, o acesso à internet e a conteúdos são fornecidos pelas mesmas empresas. E também viola o princípio da privacidade, já que dados pessoais dos usuários podem ser disponibilizados, deixando-os vulneráveis a interesses comerciais e pressões políticas.

Na carta, é pedido que não seja firmado qualquer acordo com o Facebook, relacionado ao projeto Internet.org, que tenha como objetivo "fornecer acesso grátis à internet"; e que qualquer parceria futura a ser fechada com a rede social ou qualquer outra empresa respeite os direitos garantidos pelo Marco Civil, em especial o da neutralidade da rede. O movimento Marco Civil Já pede também que o governo realize amplo debate com a sociedade civil antes de fechar acordos desse tipo, da mesma forma como foi feito com o Marco Civil da Internet.




Fonte: Proteste

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Microsoft oferece Windows para Internet das Coisas à comunidade maker

A empresa está distribuindo uma versão reduzida do sistema operacional junto com a CPU Galileo da Intel e aposta na criação de novos dispositivos conectados




Na esperança de cobrir todos os pontos de presença no mercado emergente da Internet das Coisas (IoT), a Microsoft está "dando uma ajuda" aos hackers, hobistas e empreendedores que criam novos dispositivos conectados usando as pequenas CPUs compatíveis com a plataforma Arduino, de PCs do tamanho de um cartão de crédito.

A Microsoft está distribuindo uma versão reduzida do Windows na placa de desenvolvimento Intel Galileo, na esperança de estender o alcance do seu sistema operacional para dentro do universo dos dispositivos inteligentes e aparelhos conectados à Internet.

A empresa aposta que desenvolvedores de software e hackers de hardware usarão a placa para construir e testar novos dispositivos que, algum dia, possam se transformar em produtos comerciais. Com o kit de desenvolvimento da Galileo, a Microsoft busca uma nova audiência de potenciais criadores de inovação na IoT: desenvolvedores independentes trabalhando em casa, mais popularmente conhecidos como a "comunidade maker".

Galileo e Windows

O computador Galileo da Intel, que consiste em uma CPU do tamanho de um cartão de crédito, tem sido usado para uma variedade de dispositivos como robôs que distribuem doces, sistemas de iluminação e dispositivos de saúde conectados a smartphones ou tablets e à internet. A placa da Intel compete com o PC open-source Raspberry Pi, que custa 25 dólares, e é compatível com a plataforma Arduino.
A Microsoft está distribuindo o kit com a placa como parte da sua iniciativa Windows Developer Program for IoT. Os destinatários do primeiro lote de placas parecem ter sido cuidadosamente selecionados e nem todos que solicitam o kit para entrar no programa conseguem. Mas os desenvolvedores interessados em se candidatar a entrar no programa podem se inscrever no site da Microsoft.
"Fomos surpreendidos pela resposta pública à oferta e recebemos mais pedidos de kits do que tínhamos em estoque para essa primeira rodada", diz o comunicado da Microsoft num site GitHub para o programa de desenvolvedores IoT.

intel galileo placa 520

Windows for IoT

A placa, segundo notas publicadas pela Microsoft no GitHub, roda uma "versão menor" do Windows. A Microsoft não quis comentar que versão é essa, mas no GitHub diz que é o pré-release de um software que até agora está sendo genericamente chamado de "Windows." O sistema operacional é compatível com Arduino.
Segundo uma porta-voz da Microsoft, o software que está rodando na placa Galileo para IoT "é uma versão não comercial customizada do Windowsbaseada no Windows 8.1". Segundo a porta-voz, a prova de conceito dodo SO ainda está em estágio inicial e não foram definidas ainda as regras e requisitos de hardware para ela.

"Nós simplesmente elegemos a placa Galileo da Intel para um projeto piloto projetado para colocar em funcionamento uma versão do Windows voltada para dispositivos de baixo custo e baixo consumo de energia", diz a porta-voz.
A Microsoft publicou ferramentas de desenvolvimento open-source para a Galileo no GitHub. No site há exemplos de como fazer um sensor de temperatura, um piano e um sistema de iluminação com LED usando portas especiais da placa.



Intel e Microsoft

A Intel também vende as placas Galileo com uma versão mais leve do Linux através de distribuidores. Mas o kit da placa com o Windows só será distribuído pela Microsoft, diz a Intel. Em algum momento, a Microsoft poderá colocar o sistema operacional disponível para todos que comprarem a placa Galileo, mas a empresa não definiu uma data para isso.
"Temos planos para vocês. Acompanhem nossos sites de redes sociais para ficar sabendo", diz o comunicado da Microsoft numa página do GitHub voltada para as pessoas que já possuem uma placa Galileo.
A Galileo começou a ser distribuída no ano passado e a Intel já anunciou uma segunda versão da placa chamada Galileo Gen2, que estará disponível este mês. A Intel não informou se a Galileo Gen2 será compatível com o novo Windows, dizendo apenas que caberia à Microsoft fazer isso acontecer.
A placa original Galileo tem um processador Quark SoC X1000 de 400MHz e suporta PCI-Express, Ethernet e USB 2.0. Ela também tem um leque de portas para conectar câmeras, telas, sensores, fontes de força e outros componentes.

Windows no piano

Durante sua conferência Build, realizada em abril, a empresa mostrou a Galileo e uma versão experimental do software embutidos em um piano. Um app móvel se conectava com a placa e fazia com que o piano tocasse uma música ou, no sentindo inverso, recebia da placa informações sobre as notas da melodia tocada no instrumento e as enviava para um serviço hospedado na nuvem Azure, da Microsoft.
A meta final é pegar a informação coletada de bilhões de dispositivos e alimentar serviços de cloud hospedados no Azure, como parte da estratégia geral "mobile first, cloud first" da empresa.
"O ponto mais importante sobre a Internet das Coisas é que ela não se limita "às coisas", mas sim ao fato de que elas estão conectadas à internet", disse Terry Myerson, vice presidente executivo de sistemas operacionais da Microsoft durante sua apresentação na Build.

Windows Compacto

A Microsoft há um bom tempo vem entregando a fabricantes de equipamentos o chamado Windows Embedded Compact, utilizado em um leque de dispositivos industriais, dispositivos móveis, monitores médicos, ATMs e outros dispositivos, e reforçando a eles a capacidade do sistema operacional embutido de trabalhar em dispositivos para a IoT.
"O Windows Embedded Compact continua a ser importante para nossa oferta abrangente para IoT. Ele continua sendo o único sistema operacional real-time da Microsoft e é o sistema operacional com o mais abrangente conjunto de portas, incluindo inúmeros níveis das arquiteturas ARM e x86", disse a Microsoft no GitHub.

Ainda assim, permanecem as dúvidas sobre como precisamente o novo SO da Galileo se difere do Windows Embedded Compact. O novo sistema "poderá ser mais moderno ou possivelmente um produto mais focado em aplicações voltadas para a IoT que o Windows Embedded Compact", especula Al Gillen, vice-presidente de programas, servidores e software de sistemas da IDC, em email enviado à redação.

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Fonte:  PC World

O IP das Coisas: Até a geladeira pode denunciar o dono na internet


Daniel Lima
Repórter da Agência Brasil
O brasileiro descobriu em 2013 que não existe privacidade na internet. As denúncias do site Wikileaks, de Julian Assange, e as de Edward Snowden, ex-analista de inteligência norte-americano, mostraram que vários programas dos Estados Unidos e de outros países fazem, há muito tempo, vigilância eletrônica dos cidadãos ao redor do mundo.
Agora, a troca do protocolo que permite a identificação de cada dispositivo na internet, o chamado Internet Protocol (IP), é uma nova mudança que deve deixar em alerta os usuários da rede. O Ipv4, padrão atual, que até então gerou pouco mais de 4 bilhões de endereços diferentes, já é insuficiente para mapear as máquinas do planeta – computadores, tablets, smartphones, por exemplo. Ele está sendo substituído pelo Ipv6, que permite um número infinitamente maior de endereços – 340 tera (34x10 elevado a 13ª potência) – abrindo espaço para que cada objeto possa ter seu próprio endereço na internet e, por isso, viabilizar o IP das coisas.
Demi Getschko, um dos membros do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), lembra que, já no final dos anos 90 do século passado, ficou claro que o IPv4 deveria ser extinto, pois não haveria mais IP suficiente. “Não se extinguiu e chegamos a 2013, mas vai de fato se extinguir no ano que vem, porque a internet se defende com alguma gambiarras.”
O cientista cita medidas como a que permite a escolha de um endereço válido para esconder vários outros endereços inválidos na internet, como os IPs usados nas redes domésticas por computadores e smartphones. Na prática, são endereços reservados para o usuário internamente, mas que não são visíveis externamente. Então, todo mundo pode usar vários IPs, teoricamente invisíveis para o ambiente externo em casa, mas precisará de um outro endereço (IPv4) válido para fazer a conexão com a internet.
“Tudo estará ligado com as coisas boas e ruins que isso traz. As boas coisas, de que todos falarão: conforto para todo mundo e conectividade ampla. Coisas ruins? Privacidade em alto risco. Tudo que você faz pode ser conhecido. Tudo que seus equipamentos fazem entre si poderá ser passado para outros equipamentos. São coisas complicadas. Nossa privacidade pode estar em risco”, alerta Getschko, que participou, em dezembro, de um seminário em João Pessoa.
De acordo com Gestschko, com a nova geração de IPs, um televisor, por exemplo, poderá estar conectado ao fabricante e, quando pifar,  poderá ser consertado remotamente. Mas, por outro lado, não se sabe o que o fabricante fará com os dados coletados, como suas preferências, os programas e horários, entre outras possibilidades.
Durante sua explanação no seminário, bem-humorado, Getschko lembrou de uma charge que trazia um cachorro, em 1993, dizendo a outro que, na internet, ninguém sabia que ele era um cachorro, indicando a possibilidade de privacidade. As coisas mudaram e agora, em 2013, todo mundo sabe que, na ponta, tem um cachorro, sabe a raça, que ração consome e o nome do veterinário, disse o cientista, atualizando a charge.
Esse falso anonimato, que se dizia existir em 1993, nunca foi real. “Agora, quebra-se de vez, com todo mundo conectado e todos os equipamentos plugados”, destacou. O representante do CGI.br disse ainda que não é verdade que existam novos delitos na internet. Segundo Getschko, o que existe são novas possibilidades de investigação.
Getschko, que é considerado um dos precursores da internet do Brasil, é de opinião que o Marco Civil da Internet, discutido no Congresso Nacional, é uma vacina  para futuros problemas, pois na internet tudo que se faz pode ser notado por alguém. O cientista acredita que, se não houver limite, por ser uma rede técnica, a internet sempre permitirá que se vasculhe a vida de qualquer um.
“O pessoal que não gosta de IPv6 diz que agora todo mundo terá um endereço fixo, todos saberão o que cada um faz. Eu também tenho uma impressão digital, que é fixa e também não posso trocar. Porém, sso não quer dizer que ela tenha que ser recolhida por todo mundo”, disse o cientista, ao defender o marco civil. Para ele, existem formas de impedir a invasão de privacidade que independem da tecnologia usada. “A tecnologia pode ser invasiva, mas a lei tem que impedir isso.”
Outro ponto relevante é o uso de ferramentas que, aparentemente, não deixam traços [rastros] na internet, como o Projeto TOR, que promete navegação anônima. "Tudo isso é algo falacioso. Não deixam traço porque alguém transformou seu IP em outro IP. Mas quem transformou tem a possibilidade de guardar essa transformação”, ressaltou. Segundo Getschko, a maioria dos roteadores da Onion [do Projeto TOR] é rodada em trechos de domínio do Departamento de Estado dos Estados Unidos. “E eles querem ter aquilo na mão”, concluiu.

Edição: Nádia Franco

sexta-feira, 14 de março de 2014

Pré-candidato à Presidência tenta bloquear buscas na internet, diz Olhar Digital

A Justiça negou um pedido do senador Aécio Neves, que queria obrigar buscadores a bloquear resultados de buscas relacionados à sua pessoa. Pré-candidato à Presidência pelo PSDB, Aécio tem o nome vinculado a desvio de dinheiro durante sua gestão como governador de Minas Gerais e ao uso de entorpecentes.

Segundo a Folha de S.Paulo, a Justiça já havia decidido contra o senador sobre o caso do desvio, então ele entrou com recurso e pedido de liminar. Foi derrotado novamente, mas o mérito do processo ainda está em análise.

A ação mira Google, Yahoo e Bing, onde aparecem notícias que o acusam de responder por desvio de verbas da Saúde em MG – são mais de 20 mil links. O senador pede a remoção dessas informações e de mais 19 termos.

O Google diz no processo que Aécio "parece 'sensível' demais às críticas sobre sua atuação" e que é impossível remover o conteúdo sem interferir em outras buscas relacionadas ao senador. Mesmo assim, avisa a empresa, mexer nisso implica em vistoriar o conteúdo antes que ele apareça nos resultados, algo visto pela empresa como atentado à liberdade de expressão.

O outro caso, iniciado em 2013 e que liga o tucano ao uso de entorpecentes, corre em segredo de Justiça. Ele pede providências contra comunidades e perfis que tratam do assunto.

Fonte: Olhar Digital

domingo, 18 de agosto de 2013

#ForadoEixo-SP: a vez do #UOL

A ideia parece sedutora para qualquer jovem que goste de cultura e novas experiências: morar com outras pessoas da mesma idade e com as mesmas afinidades numa casa grande onde tudo é compartilhado e feito de maneira coletiva. Essa é a proposta das casas do Fora do Eixo, nas quais os integrantes da rede vivem juntos em grupos de até 30 pessoas para economizar nas despesas de aluguel, luz, água, telefone e internet.

O sonho alternativo, entretanto, virou pesadelo para alguns ex-integrantes. Após abandonarem os locais, eles relataram proibições de se relacionar com pessoas de fora das residências, uma divisão machista de tarefas e até o uso de militantes para atrair sexualmente outros indivíduos para a rede.

O UOL visitou a casa do Fora do Eixo em São Paulo na última sexta-feira (16), dia especialmente difícil para as lideranças da rede. Após duas semanas de um bombardeio de críticas às práticas do coletivo, a revista "Carta Capital" publicou reportagem assinada por um ex-parceiro do grupo. Na matéria, uma antiga moradora da casa de São Paulo afirma que Pablo Capilé, cofundador do Fora do Eixo, utiliza a expressão "catar e cooptar" para se referir à prática de um(a) militante fingir interesse sexual para trazer ao coletivo perfis de interesse das lideranças.




"As meninas do Fora do Eixo vão processar essas pessoas [que estão fazendo as acusações]. Isso é de um machismo intolerável do meu ponto de vista. A suposição do acontecimento disso, a acusação para as meninas que estão dentro da rede, saca? É uma acusação muito grande. Você não devia falar isso numa entrevista ou dar um depoimento sobre isso. Você tinha que ir para o Ministério Público, para a polícia, denunciar para os órgãos responsáveis. Eu vou defender que as mulheres do Fora do Eixo processem todo mundo que está falando isso, porque isso não pode passar barato, não pode ficar assim", defende-se Capilé, inquieto na poltrona da sala de TV da Casa em São Paulo.

A reportagem foi recebida por Felipe Altenfelder, membro do planejamento do coletivo. De touca preta e barba por fazer, Felipe apresentou a redação da Mídia Ninja e do #PósTV nos fundos da casa, próximo ao palco onde são recebidas bandas no evento Domingo na Casa. A casa de São Paulo abriga cerca de 20 moradores, mas só metade estava no local no momento da visita. "Tem muita gente fora hoje", disse Capilé.

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terça-feira, 14 de maio de 2013

Sai pesquisa sobre o uso da Internet por crianças e adolescentes no Brasil




Debate realizado durante o lançamento da publicação em São Paulo reuniu especialistas

O Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br) lançou no último dia 07 de maio o livro da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2012. A pesquisa mapeia as oportunidades e riscos associados ao uso da Internet por crianças e adolescentes brasileiros.

O levantamento de dados foi realizado durante o ano de 2012 com 1.580 entrevistas de crianças e adolescentes entre 9 e 16 anos de idade e mostra como eles acessam e utilizam a Internet e os riscos que enfrentam on-line. Além disso, a pesquisa investiga as experiências, práticas e preocupações dos pais relacionadas ao uso da Internet por parte dos seus filhos.

O livro TIC Kids Online Brasil também conta com artigos de especialistas na interface entre Internet e as crianças, que analisam em detalhes alguns indicadores do estudo.

Para marcar o lançamento da publicação, o CETIC.br realizou um debate com o tema “Crianças e Adolescentes na Internet: Riscos e Oportunidades”. O evento contou com a participação da Drª Ellen J. Helsper, da London School of Economics (Inglaterra), Drª Cristina Ponte, da Universidade Nova de Lisboa (Portugal) e Drª Regina de Assis, consultora em Mídia e Educação no Brasil.

Durante o debate, levantou-se o tema dos riscos aos quais as crianças e adolescentes estão sujeitos com o uso da Internet. Sobre esta questão, Ellen Helsper disse entender que “não devemos estimular uma visão amedrontada da rede e nem mesmo um encantamento excessivo com esses novos nativos digitais”.

A pesquisadora portuguesa, Cristina Ponte, também apresentou comparações entre os dados obtidos na Europa e no Brasil. “Brasil e Portugal são semelhantes no quanto à existência de pais que saíram cedo da escola e possuem acesso reduzido à educação. Esse quadro é diferente do norte da Europa ou mesmo em países mais próximos de Portugal, como a França”, afirmou Cristina.

Regina de Assis, por sua vez, ressaltou a importância da formação dos professores para educar a nova geração, que já tem a Internet envolvida em suas vidas. “As escolas ainda adotam os famosos laboratórios de informática, mas será que essa ideia é boa e isso realmente funciona? Está claro que não. A Internet tem que estar dentro da sala de aula.Essa geração sabe muito, mas não sabe tudo”, disse Regina.

O debate foi mediado pela jornalista Simone Ronzani, criadora do sítio recontando.com, que narra notícias em vídeos para crianças.

Para ter acesso à pesquisa na íntegra, acesse: http://www.cetic.br/publicacoes/2012/tic-kids-online-2012.pdf.