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sexta-feira, 4 de março de 2016

"El Pais" assume perfil digital

O diário espanhol "El País" vai passar a ser "um jornal essencialmente digital", com um foco cada vez maior no mercado americano. O anúncio foi feito numa "carta aberta" publicada no site do jornal, em que o diretor Antonio Caño assume o compromisso de manter o jornal nas bancas "durante todo o tempo que for possível".


"[Chegou] o momento da transformação do "El País" num jornal essencialmente digital, numa grande plataforma geradora de conteúdos (…). Assumimos o compromisso de continuar a publicar uma edição impressa do "El País" da maior qualidade durante todo o tempo que for possível. Mas avançamos, ao mesmo tempo, na construção de um grande meio digital de cobertura global que possa responder às exigências dos novos e futuros leitores", escreveu Antonio Caño,  no portal do jornal.

O diretor do "El País" acrescenta que "esse meio é e será cada vez mais americano", por ser na América que o jornal mais cresce e tem hoje "uma expansão mais prometedora". Antonio Caño sublinha que o El País continua a ser o jornal impresso mais vendido em Espanha e as edições digitais conseguiram nos últimos 18 meses "crescimentos espetaculares", que o tornaram "no meio de comunicação em espanhol mais visitado e lido do mundo".

"Mas isso não significa que a batalha esteja ganha e a nossa sobrevivência garantida", acrescenta. Caño informou ainda que a "revolução" que afeta os meios de comunicação social continua em curso e "o panorama é ainda muito confuso", apontando que a transferência de leitores do papel para o digital é "constante".

Além disso, dentro do mundo digital, "a situação continua a ser incerta", com os leitores a preferirem agora os 'smartphones' e com o surgimento permanente de novos dispositivos portáteis. Somam-se "ameaças recentes", como os bloqueadores de publicidade, e a "instalação da cultura da gratuitidade", afirma.

Tudo isto torna "muito complexo também o horizonte no terreno dos novos meios", sublinha ainda Antonio Caño, que justifica que as mudanças no jornal, a poucos meses de completar 40 anos (em maio), têm como objetivo estar "na vanguarda", garantindo que o El País está "mais vivo do que nunca".

Fonte: Económico

domingo, 28 de fevereiro de 2016

#Twitter adota melhores tweets ao invés de timeline cronológica. Igual ao #Facebook

Opção "Exibir os melhores tweets primeiro" poderá ser desabilitada pelos usuários que não concordarem com a novidade, já que ela vai contra a proposta inicial de "tempo real", marca da plataforma.

Mesmo após a hashtag RIPTwitter e o CEO do microblog, Jack Dorsey, ter negado que o Twiter estaria planejando mudanças "já na próxima semana", para a forma como os tweets são apresentados na rede social, os usuários do microblog contam sim com uma nova alternativa de exibição dos tweets em sua timeline. Já a partir desta semana, os internautas irão encontrar a opção "Exibir os melhores tweets primeiro". 

Com isso, os usuários da rede social verão primeiramente alguns conteúdos mais importantes, mas que não necessariamente são as atualizações mais recentes dos amigos.  A novidade entra em funcionamento nos apps para Android e Iphone (IOS), assim como na versão web do Twitter.


Este formato de visualização por relevância segue o padrão adotado pelo seu rival Facebook, que utiliza seu próprio sistema para calcular a relevância dos posts e os exibir em uma ordem determianda eletronicamente. A novidade vai contra a proposta de "tempo real", que sempre esteve no DNA da plataforma e, por isso, quando anunciada a possível mudança, gerou comoção na rede social. Os usuários agiram de forma negativa e criaram a hashtag RIPTwitter.  

Mas o Twitter encontrou uma forma menos agressiva de fazer a mudança, não impondo, mas sim fazendo com que o novo padrão de visualização possa ser uma alternativa. A novidade será implementada aos poucos em todas as contas da plataforma, devendo chegar ao Brasil em poucos dias. O recurso estará habilitado automaticamente para todas as contas, mas o internauta terá a opção de desabilita-lo. 
Conforme o escritório do Twitter no Brasil, os usuários deverão entrar nas configurações do perfil para conhecer o novo recurso. Quando ele for ativado, eles receberão uma notificação em sua timeline. Ainda segundo a plataforma, nenhum tweet deixará de ser exibido devido a novidade.
  
 Fonte: Oficina da Net


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Assistente de voz é o futuro ? #Siri #Google Now

Smartphones já têm. Computadores, há algum tempo. Smartwatches aderiram, e a vindoura internet das coisas promete usar bastante. Estamos falando da tecnologia de reconhecimento de fala, na qual sua voz é quem manda. E prepare a garganta, pois ela poderá ser o próximo grande salto na interface homem-máquina.

O exemplo atual mais conhecido do uso do reconhecimento de voz está nos assistentes pessoais inteligentes, capaz de realizar diversas tarefas para seus usuários, como trazer informações do trânsito e da meteorologia, agenda de compromissos, preços de produtos, sugestões de locais para comprar e passear etc.

Você pode usar o teclado para interagir com os assistentes, mas quase todos já têm recursos de reconhecer voz como forma extra de interação. São exemplos de assistentes pessoais a Siri (Apple), Google Now (Google/Android), S Voice (Samsung) e Cortana (Microsoft) --este último ainda não tem versão em português.

Não deixe de ler:  6 links que provam que o Google sabe tudo sobre você

Era preciso treinar a assistente

Mas reagir às nossas solicitações faladas não é tão simples. A grosso modo, os assistentes pessoais usam o reconhecimento de voz para inserir dados no dispositivo e, por isso, precisam interpretar linguisticamente o que falamos. Também contam com acesso aos seus dados pessoais, buscas na internet e auxílio a outros aplicativos instalados no dispositivo.

Redes neurais, que realizam conexões de dados de forma parecida com o sistema nervoso, também vêm sendo pesquisados para esse fim. Mas os estudos em reconhecimento de voz existem pelo menos desde os anos 30 pela Bell Labs, grande empresa de pesquisa dos EUA.

"No final da década de 80, os programas que utilizam redes neurais passaram a ser viáveis e, com eles, surgiu a possibilidade concreta de se desenvolver modelos computacionais para o reconhecimento de voz. Os primeiros sistemas eram muito limitados e exigiam treinamento do software, para que este se adaptasse ao seu usuário. O treinamento poderia ser algo demorado", diz Rosa Vicari, responsável pelo grupo de inteligência artificial da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

As tecnologias envolvendo voz também são um meio alternativo de comunicação para pessoas com necessidades especiais de ordem visual ou motora, capaz de tarefas como leitura automatizada de textos, por exemplo. "Atualmente, esse tipo de aplicação também já atingiu escala comercial, motivando o investimento de grandes empresas, devido a demanda cada vez maior. A realidade é que cada vez mais teremos interações humanos-máquinas através da voz", prevê Rosa.

Como será o amanhã?

Quando a Siri foi lançada, recebeu críticas: 46% dos donos de aparelhos iOS acreditavam que a empresa exagerou nas capacidades prometidas. Isso aparentemente foi resolvido e hoje a assistente da Apple é bem aceita, pesquisa do site Experts Exchange, aponta que a Siri é a preferida entre os norte-americanos e também bateu o desempenho da Google Now e Cortana em testes.

Os vestíveis, o setor automotivo e a vindoura internet das coisas já olham pro futuro da voz enquanto ferramenta. Vários smartwatches das grandes marcas, como os da Apple, Samsung e Motorola, reconhecem as vozes de seus donos --até para compensar os diminutos teclados das suas telas.
O Brillo, sistema da Google com suporte a dispositivos como lâmpadas e fechaduras inteligentes, foi lançado no ano passado e permitirá uso da voz para executar comandos. A Apple lançou em 2014 o CarPlay, um sistema inteligente que liga iPhones a uma central multimídia dos carros e usa a Siri apara ajudar o motorista em trajetos, ligações telefônicas e outros comandos.

Porém, ainda estamos um pouco longe de usar só a voz para controlarmos tudo. As atuais tecnologias de voz precisam corrigir muitas falhas de compreensão. Além disso, levantam constantes debates sobre a privacidade dos dados coletados.

"As possibilidades são infinitas, mas estamos dando um passo de cada vez. Não há atalhos pois trata-se mais de um método artesanal do que de um típico esforço de codificação", disse ao UOL por e-mail Bharath Mohan, gerente de produto da Microsoft responsável pelo Cortana. Apple, Google e Samsung foram procurados para falar sobre o Siri, Now e S Voice, mas não falaram com a reportagem.


Aplicações atuais e futuras

Reprodução
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Assistente pessoal em qualquer lugar

Desde 2011 a Siri auxilia os usuários de iPhones e iPads. Na esteira dela veio a concorrência: Google Now (Google/Android), S Voice (Samsung), Cortana (Microsoft), M (Facebook) e Echo (Amazon). O que elas fazem? De um modo geral, são praticamente secretárias de bolso: a partir de perguntas, frases e buscas via voz (ou teclado), trazem informações relevantes para o cotidiano, como previsão do tempo, bolsa de valores e trânsito; navegador em trajetos de carro; sugerem restaurantes, lojas e serviços a partir de sua localização; realizam buscas na internet; agendam compromissos; e interagem com outros aplicativos. Habilitar o recurso de voz é opcional: o usuário deve ir nas configurações do aparelho e confirmar se quer mesmo usar as assistentes dessa forma. Os smartwatches também usam versões adaptadas das assistentes pessoais.
Reprodução
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Escrever textos sem teclado

Seja para pessoas com deficiência ou para quem não quer mais usar teclados físicos ou virtuais, a possibilidade de ditar um texto e transformá-lo em frases prontas é uma mão na roda. No iOS, desde 2014 é possível clicar no botão do microfone no teclado virtual e ditar o que quiser em português, com direito a pontuação. O Google Now também faz isso, mas no momento, só há suporte para esse tipo de pontuação em alemão, inglês, espanhol, francês, italiano e russo. E os demais apps de voz em sua maioria só reconhecem bem o inglês.
Reprodução
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Tradução simultânea

Em 2013, o aplicativo do Google Tradutor lançou uma atualização em que era possível pessoas de diferentes línguas usarem o programa para traduzir suas frases simultaneamente. Basta tocar em um botão com microfone na interface do app e este faria o resto, mostrando e tocando o áudio das traduções. Depois foi a vez do Skype fazer o mesmo, em 2014. Ambos ainda não funcionam com a precisão esperada, mas são úteis nos momentos mais "desesperados".
Divulgação
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Controle da casa conectada

A Internet das Coisas é um conjunto de produtos e tecnologias em desenvolvimento que pretendem funcionar e reagir de forma mais inteligente aos nossos hábitos e necessidades, além de criar objetos e ambientes que "conversam" entre si. Na prática, esse sistema conecta-se à internet ou a redes privadas, unindo "gadgets" como computadores, notebooks, tablets e celulares, além de televisões, geladeiras, iluminação e automóveis. Uma prévia do que pode acontecer já pode ser vista no uso do Kinect (foto), aparelho da Microsoft que funciona com o videogame Xbox One. Quando o dono da casa falar na sala "Xbox, ligue", o console se liga sozinho. E é possível configurar para ligar outros dispositivos, como TV, home theater e receptor de TV a cabo.
Reuters/Google/Divulgação
Reuters/Google/Divulgação

"Chofer" do carro autônomo

Ford, Lexus, Hyundai, Chrysler, Honda e GM são algumas das montadoras que já lançam ou prometem lançar carros com sistemas de comandos de voz, seja sozinhos ou em parcerias com outras empresas. E já que possuem "expertise" no assunto, as gigantes da tecnologia já estão dispostas a participar desse mercado, com iniciativas como Carplay (Apple), Android Auto (Google) e uma adaptação do Cortana para veículos (Microsoft). O protótipo de carro autônomo do Google (foto) não usa voz porque teoricamente não precisa: seus sensores, radares e computadores fazem tudo sozinho. Mas como nos testes já apresentou problemas e acidentes, comenta-se que o reconhecimento de voz surja para melhorar a relação do carrinho com os "motoristas" humanos.
Divulgação/Honda
Divulgação/Honda

Interação completa com robôs

Pode ser que em breve aquilo que vemos em "Star Wars" se torne real. Nos filmes, personagens humanos conversam livremente com os "dróides" R2-D2, C-3PO e BB-8 como se fossem pessoas dotadas de plena compreensão. Na verdade robôs como o Asimo (foto), da Honda, já fazem isso, mas de forma limitada. Se a tecnologia chegar a um nível de sofisticação capaz de entender e reagir a tudo que falamos, talvez teremos de fato um robô humanoide em cada lar resolvendo as tarefas chatas que nós, humanos, costumamos procrastinar... desde que eles não se chateiem nem se vinguem de nós por isso.

O que falta?

Reprodução/Globo
Reprodução/Globo

Acompanhar a velocidade da fala

Quem usa as assistentes pessoais dos celulares já deve ter sentido: quanto mais rápido você falar, maior a chance do programa entender tudo errado. O que acontece é que enquanto falamos, o software precisa processar em tempo real quais palavras foram ditas. A tecnologia atual é até bem precisa, mas quando aceleramos o discurso, não apenas há menos pausas que separam as palavras umas das outras, como também não as pronunciamos tão bem. Isso acaba comprometendo o resultado. Mas convenhamos: falar sempre pausadamente não é lá muito fluido no cotidiano, então seria ótimo se os programas acelerassem sua capacidade de compreensão com o passar do uso.

Compreender diferentes timbres e volumes de voz

Se diferentes pessoas falarem uma mesma frase para o mesmo assistente pessoal, é possível que a Siri, Google Now e afins entendam essa frase de formas diferentes, ou pelo menos não a entendam de primeira com todos eles. O desempenho do reconhecimento de voz também pode variar conforme timbres, volumes e ênfases dadas por cada interlocutor.
Reprodução/Instagram/ivetesangalo
Reprodução/Instagram/ivetesangalo

Entender sotaques e gírias regionais

Algumas gírias o Google Now entende bem, como a pernambucana "arretado" ou a baiana "zoró". Mas se você tentar falar a interjeição gaúcha "bá, chê", ele vai entender como "bate" ou "boot". "O desafio é desenvolver sistemas de reconhecimento de voz que sejam precisos independentes das características do falante, como sotaque nativo x estrangeiro, homem x mulher x criança, fala coloquial x formal", diz Aline Villavicencio, professora do grupo de inteligência artificial da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).
Gregorio Borgia/AP
Gregorio Borgia/AP

Melhorar no quesito multilíngua

Os atuais programas até aceitam mais de uma língua, mas patinam um pouco na hora de distinguir de qual idioma é determinada palavra. E quanto mais idiomas você colocar na mistura, mais difícil vai ser essa separação. É um problema que atrapalha bastante aqueles que têm que lidar com palavras, nomes e expressões em inglês no trabalho, ou para falar termos estrangeiros que foram assimilados no nosso cotidiano, como "mouse" e "dossiê".

Captar e interpretar o som em situações complexas

Ruídos externos estão entre os maiores inimigos do reconhecimento de voz. A diferença entre usar uma assistente pessoal em um escritório em silêncio e em uma rua com carros buzinando ou em uma sala com eco é gritante: a precisão diminui, e o processamento do que foi dito tende a ser bem mais lento. Evoluções nisso passariam não apenas pelo software, que precisaria filtrar melhor as vozes dos demais barulhos, mas também por microfones cada vez melhores em dispositivos móveis.
Divulgação
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Pontuar e caprichar na gramática em textos longos

O recurso de voz dos iPhones já aceita pontuação. Se você disser: "Eu amo você ponto", a frase sera escrita como "Eu amo você." No Google Now isso só ocorre em algumas línguas, e o português ainda não está entre elas. O fato é que pontuar com a voz ainda é um dilema, e o ideal mesmo é que o locutor apenas consiga a pontuação com a entonação correta, como ao falar a frase "Você vem hoje?" o sistema já colocar a interrogação por si só. Outro problema é que os sistemas ainda não entendem tão bem questões como sintaxe e concordância verbal em alguns casos. Você pode falar "concordou" e ele entender "concordo", por exemplo.

Expandir vocabulário e aceitar neologismos

Em um teste informal no UOL, o Google Now transformou "imexível", palavra maluca cunhada pelo ex-ministro Antônio Rogério Magri (foto), em "inesquecível". E reverteu "Expelliarmus", um dos feitiços das histórias de Harry Potter, como "italianos". Por mais memória ou auxílio ao Google que tenham os sistemas de reconhecimento de voz, eles podem se confundir nesses casos. Se você inventar uma palavra ou preferir uma forma curiosa de escrever palavras antigas, como a popular na internet "quenhe vc", corruptela de "quem é você?", não conte com a compreensão total do reconhecimento de voz até que o tal termo esteja totalmente difundido.
Reprodução
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Usar sem parecermos bobos

Quando os celulares se tornaram populares, muita gente estranhou a nova situação de pessoas "falando sozinhas" na rua. Se o uso das assistentes pessoais e de outras formas de reconhecimento de voz se tornarem imprescindíveis, essa sensação vai se repetir. Afinal, ainda é bem esquisito ficar repetindo a mesma frase ou pergunta no meio da rua com o celular apontado para a boca.
Reprodução
Reprodução

Saber quando não agir

Em 2014, o áudio de um anúncio de TV sobre o Xbox One acabava ativando o videogame à revelia dos usuários, ao falar o comando "Xbox on". Esse é um exemplo do que pode acontecer se ficarmos totalmente cercados de diferentes tecnologias de reconhecimento de voz: algo que não era pra ser contextualmente um comando para a máquina acabar ativando ou desativando algo sem querer. É uma tarefa difícil para os desenvolvedoras de inteligência artificial conseguirem "adivinhar" as intenções do usuário ou saber quando agir ou não.
Grosby Group
Grosby Group

Garantir alguma privacidade

A questão da privacidade e segurança dos dados ainda preocupa nessa seara. Afinal, se todo mundo ficar falando em voz alta com as máquinas, quem garante que alguém mal intencionado não estará por perto ouvindo os comandos para usá-los em crimes? Ou que uma assistente pessoal ativada o tempo todo não ouve e grava absolutamente tudo que ouvimos? Pode parecer paranoia demais, mas o CEO da Apple, Tim Cook, já se pronunciou sobre a Siri dizendo: "A Apple não tem acesso aos dados. Por isso não há preocupações com a privacidade para a maioria das pessoas, acho, quando as informações são mantidas em seu dispositivo e estão protegidas com a sua senha". Será? 

domingo, 15 de novembro de 2015

Competição e ética no jornalismo móvel

Quando se trata de divulgar notícias de última hora, já vai longe a época em que era necessário esperar que uma agência de notícias distribuísse a informação. Atualmente, as redações dependem, em grande parte, de  testemunhas-oculares e do conteúdo criado por usuários [1](User Generated Content – UGC) para alertar o público sobre acontecimentos em andamento e providenciar conteúdo multimídia para as matérias.

Para o especialista em mídia Fergus Bell, tratar desse conteúdo (UGC) de uma maneira ética é fundamental para o futuro do jornalismo. Como co-fundador da Iniciativa UGC de ética da ONA (Online News Association), ele acredita que o projeto é um modelo sustentável para lidar com os conteúdos criados por usuários visando proteger os jornalistas e suas fontes, ao ampliar a confiança da público nas organizações jornalísticas.

“Há maneiras de ser competitivo e ético ao mesmo tempo. Acho que isso exige que a indústria trabalhe em conjunto. Existem alguns padrões a que podemos chegar – só por se tratar de uma coisa nova, isso não significa que não podemos nos reunir e falar sobre o assunto”, disse ele durante um discurso.

A sustentabilidade significa criar confiança para que redações e jornalistas continuem a gozar de confiança para tratar do UGC de uma maneira ética e profissional. Veja, abaixo, o que deve e não deve ser feito para criar um fluxo de trabalho sustentável para tratar de um UGC na redação.

O que deve ser feito: 
Seja transparente

– Certifique-se de que sua audiência sabe que você está tratando de um UGC.
“A transparência é fundamental aqui e volta à sustentabilidade. Nossas audiências estão procurando este conteúdo. Elas são capazes de checar por conta própria e precisam certificar-se de que nós fazemos o mesmo.
Precisam compreender um pouquinho melhor nossos padrões e a maneira pela qual trabalhamos. Não se trata de preencher o tempo, mas mostrar-lhes que sabemos o que estamos fazendo.”

– Não use programas pirateados
Fergus Bell acha que a era do software gratuito está chegando ao fim. Ele recomenda o uso de serviços pagos, como o DataMinr, Geofeedia e SAM, para filtrar para o UGC e valorizar suas matérias.

-Aproveite ao máximo a interatividade das redes sociais
TweetDeck, Google Trends e o Facebook Signal são recursos válidos para localizar o UGC e selecionar material de arquivo para a divulgação de matérias de última hora.

“No mínimo, é um trampolim para aquilo que você quer ler, para aquilo que você vai querer num futuro próximo”, disse Bell.


O que não deve ser feito:
 
– Republicar matérias sem verificação da origem
Só porque outros veículos estão incorporando conteúdo não verificado, isso não significa que você o tenha que fazer. Ao invés de percebê-lo como uma receita em potencial perdida, considere-o um lucro em potencial. E se você não puder verificar uma fonte? Fergus Bell recomenda procurar uma nova fonte.
“Se você concluir que a fonte está errada, que os acontecimentos são ultrapassados e o conteúdo é falso, então pare. No longo prazo, sai muito caro ficar verificando alguma coisa. Se algo não está certo, comece a procurar algo que esteja [certo].”

– Confiar nos avisos sobre filiações e interesses de autores (disclaimer)
“Eu incentivaria a ignorar os avisos porque é uma coisa sem valor. Qual valor tem um desmentido senão o de esconder fatos por trás dele? Sei que isso pode chocar, mas quem vai sair ganhando nisto serão os profissionais que bancam o conteúdo que firmam ser disseram ser o correto”, disse Bell.

– Bombardear as testemunhas com exigências
Como parte do fluxo de trabalho na redação, desenvolva uma estratégia no sentido de que as testemunhas oculares não recebam muitas exigências de sua organização. Isso pode parecer não profissional – tanto para suas fontes em potencial quanto para o público mais amplo.

– Deixe tudo por conta da automação
Fergus Bell disse que embora venham ocorrendo avanços na verificação feita pelo UGC – o que inclui o trabalho provocado por redes tecnológicas voltadas para o sistema nervoso –, a ferramenta mais importante ainda é o seu cérebro.
Seus instintos, experiência e conhecimento ainda não podem ser replicados – nem pelas máquinas mais avançadas. “Você precisa saber quando está olhando para alguma coisa que não é real ou não foi carregada de acordo com um padrão estabelecido”, disse Bell. “Boa parte do conteúdo recusado foi devido à forma pela qual surgiu.”

[1] Conteúdos produzidos por usuários é uma expressão recente para designar noticias e dados enviados por indivíduos praticantes de atos jornalísticos , sem formação especializada

Jason Howie, do site journalism.co.uk/news
Via Observatório de Imprensa

sábado, 14 de novembro de 2015

#Facebook e #Twitter tentam ajudar vítimas do #ParisAttacks. População cria #PorteOuverte

Após os ataques em Paris que deixaram pelo menos 120 mortos e muitos feridos, as redes sociais começaram a se mobilizar para ajudar na comunicação entre as pessoas. A imprensa e o público em geral começaram a compartilhar diversas notícias sobre o ocorrido em tempo real em diversas partes do mundo.

O Facebook reativou seu Centro de Segurança, permitindo que os usuários tentem se assegurar se familiares e amigos estão em segurança. Para utilizar a ferramenta, basta acessa este link. Na página, é possível verificar se seus amigos na área se marcaram como seguros ou não, além de realizar marcações a respeito de si você mesmo – caso esteja na região dos ataques, é claro.



 Enquanto isso, a população de Paris está utilizando a hashtag #PorteOuverte (equivalente a “porta aberta” em francês) para compartilhar seus endereços e indicar que pessoas desconhecidas são bem-vindas a tomar abrigo em suas residências. Da mesma forma, quem estiver procurando um local para se proteger pode usar a expressão para informar sua localização e pedir ajuda.




Com   BBC News e  TechMundo 

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Passagens mais baratas na internet

 

1. Use os sites que comparam preços

Se você tem flexibilidade de datas para viajar, visite sites como kayak, farecompare, momondo e skyscanner para comparar os valores das passagem.

Vale a pena entrar em vários sites, já que as companhias têm acordos diferentes com cada um deles. Alguns dos sites, por exemplo, incluem tarifas de companhias de baixo custo.
Além disso, você pode filtrar os resultados mais convenientes para sua viagem.
Um ferramenta interessante do farecompare e do skyscanner é ativar alertas de tarifas para quando os preços caírem de uma trecho em que você tem interesse.

Já no momondo, a ferramenta "previsão de voo" é útil para te dar detalhes de uma rota específica. Por exemplo: fazendo uma busca de voos de Londres para o México, essa opção mostra em que dias da semana é mais barato viajar ou até em que semanas do ano as tarifas são mais baixas.
Agora, se você tiver um espírito mais aventureiro e topar viajar para onde houver uma oferta, em sites como o skyscanner pode-se colocar como destino "qualquer lugar" e encontrar voos a todos os países.
Uma vez que você encontrar a tarifa mais em conta, não custa checar o valor disponível no site da companhia aérea também.

Mas corra porque algumas companhias, como Lufthansa e o grupo AirFrance-KLM, estão adotando estratégias para combater esses sites, como uma cobrança extra nos bilhetes emitidos fora de seus sites oficiais ou de sistemas operados por agentes de turismo.

A Lufthansa anunciou que vai cobrar 16 euros. A ideia é atrair mais clientes para os sites das companhias aéreas, evitando esses sites intermediários.

2. Cheque quando é mais barato viajar

Provavelmente você já tenha percebido, mas nunca é demais repetir: viajar durante a semana é mais barato. A sexta-feira e o domingo são os dias mais escolhidos pelas pessoas que viajam a negócios e também para turistas que querem aproveitar o fim de semana. Assim, é mais provável encontrar uma boa oferta na terça ou na quarta-feira.

A ferramenta "previsão de voo", mencionada no item interior, também pode ajudar a identificar o dia mais barato da semana em uma rota específica.


3. Ver quando é mais barato comprar a passagem

Segundo um comunicado da Airlines Reporting Corporation, publicado em novembro de 2014, o melhor dia para se comprar uma passagem aérea é a terça-feira. A data também é sugerida por vários blogueiros e especialistas em viagens.
As explicações para isso variam, mas, em geral, esse é o momento em que as companhias aéreas lançam suas ofertas de passagens restantes, para tentar obter a ocupação máximo em seus voos.
Monitorar durante vários dias, em horários distintos, ajuda bastante a assumir um risco calculado na hora da compra.

4. Vale a pena esperar uma oferta de último minuto?

Há alguns anos, existia esse mito. Mas atualmente a posição geral da indústria é a de que não vale a pena.
Vários estudos mostram que o ideal é comprar com uma antecedência de cerca de 60 dias para voos internacionais.
Apenas no caso de alguns pacotes de viagens é que pode valer a pena checar ofertas às vésperas da viagem, já que pode haver cancelamentos ou lugares vagos em voos charter.

5. Limpe os cookies de seu computador e troque de navegador

Ainda que a BBC não tenha conseguido verificar essa informação de maneira independente, há relatos de que algumas companhias aéreas usem informações providas por cookies para monitorar sua navegação e aumentar os preços de um voo se souber que você está interessado.
Isso explicaria por que, algumas vezes, quando você volta meia hora depois para comprar uma passagem, encontra um valor mais alto.
Para viagens longas, uma dica é procurar rotas alternativas ou fazer voos com escalas
Por outro lado, a jornalista Erica Ho, que trabalhava para a revista Time em Hong Kong, comprovou que os preços das mesmas rotas variavam de maneira exorbitante dependendo do país em que se acessava o site da companhia aérea.
Há muitas estratégias para testar isso: uma opção é apagar as cookies antes de pagar a passagem ou utilizar outro navegador para fazer a mesma busca.
Uma outra dica sugerida por Erica é, no site de compras, trocar a sua localização e o idioma. Se estiver no Brasil, escolha um país diferente e não selecione o português.

6. Busque rotas alternativas

Se não encontrar a oferta que procura e se o destino for distante, uma ideia é usar sua criatividade para buscar voos partindo ou chegando a outros aeroportos ou com escalas.
Por exemplo, se seu destino for São Paulo, voar para Viracopos (no município de Campinas) pode ser mais barato do que para o aeroporto de Guarulhos.
É possível saber de promoções em primeira mão ao se assinar as newsletter das companhias aéreas ou segui-las no Twitter

7. Inscreva-se em programas de milhagem

Se você viaja bastante, pode aproveitar as ofertas de programas de fidelidade. Algumas companhias aéreas também oferecem cartões de crédito próprio, com os quais se ganha mais milhas com seu uso.

8. Assine as newsletters das companhias aéreas

Receber ofertas por e-mail pode ser um pouco irritante, mas te permite ficar sabendo em primeira mão quando uma companhia lança uma promoção.
Outra boa ideia pode ser seguir as contas de Twitter das empresas que fazem as rotas que mais te interessam.

Fonte: http://goo.gl/GtuuRX

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Parlamento Europeu aprova resolução para dividir a #Google



O Parlamento Europeu adotou uma resolução não vinculativa que pede o desmembramento da gigante americana Google.
A resolução, um texto acima de tudo simbólico, "apela à Comissão que crie propostas afim de separe a parte de busca dos outros serviços comerciais da empresa. 

O Parlamento Europeu adota todos os anos dezenas de resoluções para levar certos assuntos à atenção da Comissão Europeia, que detém o monopólio da iniciativa legislativa na Europa. Mas esta, intitulada "Resolução para a defesa dos direitos dos consumidores no mercado digital", atraiu a atenção pois está diretamente ligada - sem o referenciar diretamente - ao gigante da Internet.
"Nós queremos dar um sinal forte à Comissão Europeia mas também às empresas americanas como a Google, e, enfim, ao cidadão", explicou no início da semana o deputado belga Marc Tarabella.

O porta-voz da missão dos Estados Unidos junto da União Europeia afirmou que respeita o processo de construção das regras de concorrência na União Europeia. "Não queremos ter preconceito acerca do assunto que estão a decorrer, mas é importante que a identificação de entraves à concorrência e das soluções possíveis seja fundada em conclusões objetivas e imparciais e não seja politizada".

A Comissão abriu um inquérito em novembro de 2010 que visava a Google por abuso de posição dominante. O gigante americano é acusado de colocar primeiro nas suas páginas os seus próprios serviços especializados, em detrimento dos mecanismos de busca dos concorrentes.

Fonte: Diário de Notícias (Portugal) 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Peladonas gaúchas


Em ‘Corra Pelada’, objetivo é fugir da polícia, nu, com a mão no bolso. FOTO: Reprodução
Porto Alegre. Cidade do chimarrão, do belo Guaíba… e das corredoras nuas. A cidade está famosa desde o fim de outubro, quando um fenômeno nasceu: mulheres esportistas que decidem andar ou correr debaixo de chuva ou sol, com boné, tênis, meias e alegria.
Uma delas, ex-lutadora de MMA, chegou a dizer que acha normal sair sem roupa por aí, já que… “Eu sou saudável, sou bonita”.
Quer coisa mais inspiradora? Pois o desenvolvedor Cristiano Bartel, de Porto Alegre, se deixou levar e criou um game para dispositivos móveis em homenagem às corredoras do Parcão – tradicional parque do município –, da Perimetral – avenida muito movimentada da cidade –, ou próximo ao Palácio Piratini.
“Agora a moda pegou! Seja uma corredora pelada profissional! Fuja do guarda desviando dos obstáculos! Jogo simples e viciante!”, propagandeia o único desenvolvedor da Auren Games, com 10 anos de experiência no mercaod.
“O jogo foi feito em 24 horas por uma pessoa só, então peguem leve com a avaliação do jogo”, defende-se logo de partida. Bartel conta que quis tirar proveito da “polêmica” e após uma madrugada de trabalho, nascia Corrida Pelada! POA.
O jogo para Android é simples. Você incorpora uma corredora loira peladona que deve fugir da polícia enquanto desvia de obstáculos como bancos, cavaletes e buracos. Se o policial te alcançar, é o fim da naturalidade.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Eleições 2014: Pesquise e descubra mais sobre os candidatos com o #Google

A tecnologia transformou as eleições em algo que as pessoas compartilham, discutem e moldam. Candidatos usam a internet para difundir suas mensagens e isso ajuda a aperfeiçoar o debate público em torno de assuntos importantes. Eleitores estão constantemente online para aprender mais sobre os candidatos e para expressar suas visões políticas em blogs, redes sociais e muitas outras mídias digitais. Hoje, há muitas oportunidades de usar a tecnologia para permitir que cidadãos se conectem e se envolvam com as eleições por meio de diferentes plataformas.

Acreditamos que tornar informações e notícias mais acessíveis aos usuários contribui para o debate político. Por isso, após experiências de sucesso na Índia e Alemanha, lançamos hoje o site Google Eleições 2014 no Brasil. Fizemos parcerias com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a ONG Transparência Brasil e mais de 30 veículos de imprensa para criar uma plataforma neutra que ajudará você a se manter informado durante as eleições deste ano.




O Google Eleições inclui os seguintes recursos:

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sábado, 21 de setembro de 2013

Google Brasil terá de fornecer e-mails trocados entre pessoas investigadas em inquérito

A empresa Google Brasil Internet Ltda. terá mesmo que fornecer o conteúdo de mensagens transmitidas pelo Gmail entre pessoas investigadas em inquérito sigiloso que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O valor da multa diária por descumprimento da decisão é de R$ 50 mil.

A Corte Especial do STJ negou mandado de segurança impetrado pela Google, em que a empresa alegava ser impossível cumprir a determinação desse próprio colegiado. Sustentou que não tem como promover a quebra de sigilo das contas de e-mail pois esse acesso seria exclusivo da Google Inc., matriz da empresa, com sede nos Estados Unidos.

O relator, ministro Arnaldo Esteves Lima, destacou inicialmente que não cabe a impetração de mandado de segurança no mesmo órgão julgador que proferiu a decisão contestada. Essa é a jurisprudência consolidada do STJ.

Segundo o ministro, embora a decisão atacada tenha sido proferida em inquérito que tramita sob segredo de Justiça, a Google Brasil teve pleno acesso ao seu inteiro teor. Tanto que, além de ter apresentado embargos, a empresa interpôs recurso extraordinário ao Supremo Tribunal Federal.

Para o relator, também não procede a alegação de impossibilidade de cumprimento da decisão, tomada pela Corte Especial após exaustiva fundamentação. Assim, cabe à empresa providenciar em sua matriz os dados solicitados.

Leia também:

Corte Especial determina que Google entregue dados de e-mail armazenados nos EUA

Fonte: STJ

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Fora do eixo. Depois de Veja, na Carta Capital

Na esteira dos protestos de junho, a Mídia Ninja emergiu como uma novidade instigante, um novo modelo de jornalismo. A concepção é simples e barata: por meio de celulares, os repórteres ninjas transmitem pela internet as imagens dos acontecimentos. Não há texto nem edição, apenas os vídeos em estado bruto em transmissões que facilmente duram seis horas. Na página do grupo no Facebook, há ainda fotos dos atos.



O sucesso repentino tornou-se, porém, uma fonte de dor de cabeça. Tudo começou com a presença de dois de seus expoentes no Roda Viva, programa de entrevistas da TV Cultura, em 5 de agosto. O jornalista paulistano Bruno Torturra, até então, era a única face do Mídia Ninja, acrônimo de “Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação”. A novidade foi a presença de Pablo Capilé, criador do coletivo Fora do Eixo, guru de uma nova forma de ativismo. Ficou clara a ligação umbilical dos dois (Ninja e Fora do Eixo), antes praticamente desconhecida.

Por que essa relação virou alvo de tantas críticas? Em pequenos círculos, não é de hoje, corriam acusações contra o movimento. A exposição de Capilé amplificou as acusações nas redes sociais, espaço de excelência do grupo. Nos últimos dias, CartaCapital ouviu oito ex-integrantes e debruçou-se sobre a estrutura organizacional do coletivo. Metade deixou-se identificar. Os demais preferiram não ter seus nomes citados, por medo de represálias, mas confirmam as informações dos ex-colegas. Emergem da apuração um aglomerado controverso, acusações de estelionato, dominação psicológica e ameaças.

Nas casas, os integrantes dividem quartos, dinheiro, comida e roupas. E estão submetidos ao “processo” do Fora do Eixo. “Primeiro te isolam. Proíbem de sair na rua ´sem motivo´, impedem de encontrar amigos ou estabelecer qualquer contato com pessoas de fora. Depois, vem a apropriação de toda a sua produção. O cara sai sem grana, sem portfólio e distante dos amigos antigos. Sem apoio psicológico ou da família vai demorar a se restabelecer social e profissionalmente”, diz o fotógrafo Rafael Rolim, 29 anos, 3 deles na organização, em contato direto com Capilé. Rolim e os demais integrantes ouvidos pela revista endossam o depoimento da ex-integrante Laís Bellini, postado nas redes sociais.

A cineasta Beatriz Seigner foi a primeira a criticar o coletivo. Em texto postado no Facebook dois dias após o Roda Viva, diz, entre outros pontos, que o Fora do Eixo rompeu acordos e não lhe pagou por exibições de seu filme. Escreveu ainda sobre o volume de trabalho dos integrantes, que não teriam direito à vida pessoal ou diversão. Se disse ainda impressionada com a devoção à figura de Capilé. E comentou a repercussão: “Chegaram centenas de mensagens de coletivos e artistas do Brasil todo agradecendo o desmonte da rede. Estou aliviada."

No dia seguinte foi a vez de Laís Bellini. Segunda ex-integrante a se manifestar, seu longo relato é considerado por outros ex-membros o mais completo e fiel retrato do dia-a-dia do coletivo. Laís descreve uma estrutura radicalmente rígida e verticalizada, baseada em forte dominação psicológica. Para exemplificar, revela que foi afastada de um amigo antigo que vivia sob o mesmo teto – “Disseram: ´Laís, o Gabriel era seu amigo lá em Bauru. Aqui vocês não têm que ficar de conversa. Aqui dentro vocês não são amigos”; Laís revelou ainda o “choque-pesadelo”, prática que consiste em por uma pessoa na sala e “quebrá-la” moralmente, aos berros; a moça narrou ainda que a cúpula controla horários e saídas à rua e que o trabalho é extenuante e sem folga nem aos domingos. São vigiados até bate-papos no Facebook ou Gtalk. Laís está em meio a uma longa viagem pela América Latina, sem data pra voltar. A distância, diz, lhe deu coragem para falar. “Quando postei, tirei toneladas do ombro e comecei a chorar. Tomei coragem para dizer o que muitos têm medo mas que todos sabem que é verdade".

Um dos pontos levantados pelos entrevistados é o uso dos integrantes como uma espécie de isca sexual, o chamado Catar e Cooptar. “Há reuniões na cúpula para definir quem vai dar em cima de você e te fisgar pra dentro da rede”, afirma Laís. O designer Alejandro Vargas, que morou por 3 anos na Casa Fortaleza, dá mais detalhes: “Numa viagem rolou um papo que 'deveria ficar ali', sobre 'fazer a entrega para a rede'. Diziam: 'tem o cara ou menina mais feios, mas que trampam muito' e tem aqueles com 'mais chances de ter relações'. Tem que fazer a entrega para alimentar o estímulo de quem é menos provido de beleza, inclusive de fora da rede, para trazer para dentro”.

Rolim acrescenta: "'Catar e Cooptar' é o termo usado pelo Pablo, com todas as letras e constantemente. Eu mesmo fui proibido por ele de me aproximar de uma pessoa com quem tinha afinidade porque, 'para o processo', eu deveria estar solteiro, eu era uma boa 'isca'. Relações espontâneas entre dois integrantes, por amor, também não são bem vistas. Casais assim são pressionados a desmanchar, e é proibido ter relações com pessoas de fora da rede, a não ser por ordem superior. Capilé nega a prática. “As relações afetivas não são determinadas por regras do movimento, mas construídas por cada indivíduo, a partir dos desejos de cada um.”

O Fora do Eixo nasceu em 2005, e seu nome faz menção ao fato de a iniciativa ter começado em centros distantes de São Paulo e do Rio. Capilé é de Cuiabá. Do Mato Grosso, o coletivo expandiu-se para Uberlândia (MG) e Rio Branco (AC), e dali para outras cidades. A relação com os artistas funciona assim: uma banda iniciante entra na programação de eventos culturais do grupo e faz shows em algumas cidades. Não paga passagem, hospedagem e alimentação (fica nas casas Fora do Eixo). Em contrapartida, não recebe cachê. O dinheiro arrecadado com suas apresentações financia o movimento.

Capilé e seus apoiadores calculam 2000 integrantes, mas o Fora do Eixo se resume a sete casas (São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Belém e Porto Velho), onde vivem em média dez ativistas, ou seja, cerca de 70 no total. Há ainda algumas casas de coletivos parceiros, como em Bauru e São Carlos. Quando se soma os agregados, na estimativa mais otimista, a organização tem hoje 200 participantes.

Oficialmente, o financiamento é baseado em shows e editais do governo ou de empresas estatais e privadas. Existe, no entanto, uma terceira fonte significativa: a apropriação de dinheiro e bens particulares de colaboradores. "Solicitaram um cartão de crédito que eu tinha em conjunto com meus pais para comprar passagens. Como a confiança era total, fui induzido a compartilhar a senha. Em um mês e meio gastaram 21 mil reais no meu cartão. Compraram um Macbook Pro novo para o Capilé, o que só soube quando a fatura chegou”, lamenta Rolim.

Vargas acrescenta: “É prática cotidiana a utilização dos cartões de quem mora nas casas. E como não tínhamos salário, logo a dívida do cartão entrou no SPC e na Serasa, e até hoje tenho o nome sujo”. Laís, por sua vez, saiu com uma dívida de 5 mil reais. O FdE nega a prática de apropriação, mas reconhece o uso de dinheiro e automóveis dos integrantes. “A destinação de seus bens para o uso do processo é um ato livre. Se você tem um carro e vem para uma casa, é natural que este carro seja usado. Se você tem um cartão de credito e quer disponibilizá-lo para ações da rede, a mesma coisa”. Na última segunda-feira 12 o coletivo lançou um "portal de transparência", mas não menciona o uso sistemático do dinheiro e bens dos integrantes.

O livro de cabeceira de Capilé é uma pista para entender como ele comanda o grupo. 48 Leis do Poder, lançado em 2000 no Brasil pela editora Rocco, é direcionado a empresários e traz dicas como “faça com que as pessoas venham até você: use uma isca, se necessário” e “faça com que os outros trabalhem para você, mas leve sempre o crédito”. Outra pista, esta fornecida por Laís, é a proibição de se assistir nas casas o vídeo Controle Mental – Como se Tornar um Líder de Culto.

Capilé criou um reino particular a partir de “simulacros” do mundo real. A contabilidade virou “Banco FdE”. Eventos com debates formam uma “Universidade FdE”. Viagens viram “colunas”. O lobby político é o “Partido da Cultura”. E a comunicação tornou-se “Mídia Ninja”.

Aos 34 anos, Capilé dedica-se intensamente ao movimento. Dorme pouco, alimenta-se mal e fuma muito. Viaja tanto que, não raro, cumpre agenda em três cidades em um mesmo dia. Está sempre desconfiado e conectado, e com baterias reservas. E é dono de uma retórica eloquente e messiânica.
Há um claro projeto político, e o coletivo não deixa de exercer sua influência. O Fora do Eixo teve peso na indicação, entre outros, do secretário municipal de cultura de São Paulo, Juca Ferreira, do subsecretário estadual de cultura do Rio Grande do Sul, Jéferson Assumção, do secretário estadual de educação do Acre, Daniel Zen, e de três dos secretários municipais de Porto Velho.

A organização não discrimina espectro ideológico. Sua ampliação em Cuiabá se deu sob as asas do PSDB, quando ganhou verbas públicas na gestão de Wilson Santos na prefeitura. Nas eleições do ano passado, apoiaram o petista Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo e Mauro Nazif, atual prefeito de Porto Velho, do PSB. O senador mais próximo do grupo é Randolfe Rodrigues, do Psol. A respeito, o FdE disse não acreditar em política de governo, mas “em políticas de estado.”
A nova aposta é a Rede de Marina Silva. O coletivo esteve no lançamento da legenda em Brasília, e Torturra afirmou no Roda Viva ser marinista. Caso o partido consiga registro no Tribunal Superior Eleitoral, o plano de Capilé é lançar Torturra candidato a deputado federal pela Rede em 2014. "Ele é o nosso homem com rejeição zero", afirmou o cuiabano em mais de uma ocasião.

A relação do Fora do Eixo com parte da esquerda e dos movimentos sociais tem sido atribulada, desde antes da criação da Mídia Ninja. Alguns grupos fazem duras críticas aos ativistas por despolitizar manifestações, ao trocar causas concretas por slogans genéricos. Entre os grupos que tiveram embates com o Fora do Eixo estão Mães de Maio, o Movimento Passe Livre, o Desentorpecendo a Razão, os moradores da Favela do Moinho e o Cordão da Mentira.

Capilé costuma negar que o coletivo e a Mídia Ninja sejam a mesma coisa, mas quem esteve nas casas reafirma os laços entre os dois. “O projeto nasce e vive no Fora do Eixo, segue a mesma estrutura, tem as mesmas hierarquias e cargos. Mas tem outro nome, para evitar a rejeição que o FdE provoca. Mas quem dá o OK são as mesmas pessoas que dão OK em tudo no Fora do Eixo, e quem vai para rua cobrir são moradores das casas ou colaboradores do FdE”, esclarece Gabriel Zambon, coordenador do Ninja em Belo Horizonte até maio último.

Mesmo antes da recente leva de críticas, estava em curso um esforço para desvincular os dois. Capilé segue, contudo, confiante no poder de sedução de sua retórica e do mundo que criou. E vive a repetir: “para cada um que sai do Fora do Eixo tem dez querendo entrar".

Fonte/Autor: Carta Capital

terça-feira, 13 de agosto de 2013

As críticas ao modelo do #ForadoEixo

No blog do Luis Nassif Online

Sugerido por Leo V
Por Beatriz Seigner, via Facebook
Fora do Fora do Eixo

Conheci um representante da rede Fora do Eixo durante um trajeto de ônibus do Festival de Cinema de Gramado de 2011, onde eu havia sido convidada para exibir meu filme “Bollywood Dream – O Sonho Bollywoodiano” e ele havia sido convidado a participar de um debate sobre formas alternativas de distribuição de filmes no Brasil.

Casa Fora do Eixo Minas (Creative Commons)


Meu filme havia sido lançado naquele mesmo ano no circuito comercial de cinemas, em mais de 19 cidades brasileiras, distribuído pela Espaço Filmes, e o rapaz me contava de como o Fora do Eixo estava articulando pela internet os cerca de 1000 cineclubes do programa do governo Cine Mais Cultura, assim como outros cineclubes de pontos de cultura, escolas, universidades, coletivos e pontos de exibição alternativos, que estavam conectados à internet nas cidades mais longínquas do Brasil, para fazerem exibição simultânea de filmes com debate tanto presencialmente, quanto ao vivo, por skype. Eu achei a idéia o máximo. Me disponibilizei, a mim e ao meu filme para participar destas exibições, pois realmente acredito na necessidade de democratizar o acesso aos bens culturais no país, e sei como é angustiante, nestas cidades distantes, viver sem acesso à cultura alternativa e mais diversas artes.

Leia mais :


Foi então organizado o lançamento do meu filme nos cineclubes associados à rede Fora do Eixo durante o Grito Rock 2012, no qual eu também me disponibilizei a participar de uma tournée de debates no interior de São Paulo, na cidade do Rio de Janeiro, e por skype com outros cineclubes que aderissem à “campanha de exibição”, como eles chamam.

Com relação à remuneração eles me explicaram que aquele ainda era um projeto embrionário, sem recursos próprios, mas que podiam pagá-lo com “Cubo Card”, a moeda solidária deles, que poderia ser trocada por serviços de design, de construção de sites, entre outras coisas. Já adianto aqui que nunca vi nem sequer nenhum centavo deste cubo card, ou a plataforma com ‘menu de serviços’ onde esta moeda é trocada. 
E fiquei sabendo que algumas destas exibições com debate presencial no interior de SP seriam patrocinadas pelo SESC – pois o SESC pede a assinatura do artista que vai fazer a performance ou exibir seu filme nos seus contratos, independente do intermediário. E só por eles pedirem isso é que fiquei sabendo que algumas destas exibições tinham sim, patrocinador. Fui descobrir outros patrocinadores nos posters e banners do Grito Rock de cada cidade. Destes eu não recebi um centavo.

No entanto, foi realmente muito animador ver a quantidade de pessoas sedentas por cultura alternativa em todas as cidades de pequeno e médio porte pelas quais passei. Foi também incrível conversar com cinéfilos por skype de cidadezinhas do Acre, Manaus, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia, Paraíba, Mato Grosso, Goiania, Santa Catarina, Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, entre outras cidades. Pelo que eu via, tinha entre 50 a 150 pessoas em cada sessão. Eu perdi a conta de quantos debates e exibições foram feitas, mas o Fora do Eixo havia me prometido como contra-partida uma foto de cada exibição onde fosse visível o número de público destas, e uma tabela com as cidades e quantidades de exibições que foram feitas. Coisa que também nunca recebi.

De qualquer maneira, empolgada com esta quantidade de pessoas que não querem consumir cultura de massa, em todas estas cidades, entrei em contato com colegas cineastas e distribuidores para que também disponibilizassem seus filmes, pois via o potencial de fortalecimento destes pontos de exibição em todos estes lugares, de crescimento do número de cinéfilos, e de pessoas que têm o desejo de desfrutar coletivamente de um filme, ou de outra obra de arte, de discuti-la, pesquisá-la, e se possível debatê-la com seus realizadores. Estava realmente impressionada com a quantidade de pessoas em todas estas cidades sedentas por arte. Se eu tivesse nascido em uma delas, via que seguramente seria uma delas, e mal conseguia imaginar como deve ser insuportável viver em uma cidade onde não há teatro, cinema alternativo, e muitas vezes nem sequer bibliotecas.

A idéia seria então de fazer um projeto para captar recursos para viabilizar estas exibições. Pensamos em algo como cada cineclube ou ponto de exibição que exibisse um filme receberia 100 reais para organizar e divulgar a sessão, e cada cineasta receberia o mesmo valor pelos diretos de exibição de seu filme naquele lugar. E caso houvesse debate presencial receberia mais cerca de mil reais de cachê pelo debate, e por skype ao vivo cerca de 500 reais pelo debate de até 3 horas.

Pensando em rede, se mil cineclubes exibissem um filme, o cineasta poderia receber, no mínimo, 100 mil reais por estas exibições. Eu ainda acho que é um projeto que deve ser realizado. E que esta ligação entre os cineclubes deveria ser feita por uma plataforma pública online do governo, onde ficaria o armazenamento destes filmes para download com senha e crédito paypal para estes pontos de exibição (sejam eles cineclubes, escolas, universidades, pontos de cultura etc). 

Assim como também acho que os “Céus das Artes” que estão sendo construídos no país todo deveriam ter salas de cinema separadas dos teatros, com programação diária, constante, aumentando em 15% o parque exibidor brasileiro, e capacitando o governo de fazer políticas de exibição de filmes gratuitas ou com preços populares, em lugares onde simplesmente não há cinemas, muito menos, de arte. 

Mas isso já é outra história. Voltemos ao Fora do Eixo.

E quando foi que o projeto degringolou? ou quando foi que me assustei com o Fora do Eixo?
Meu primeiro susto foi quando perguntaram se podiam colocar a logomarca deles no meu filme – para ser uma ‘realização Fora do Eixo’, em seu catálogo. Eu disse que o filme havia sido feito sem nenhum recurso público e que a cota mínima para um patrocinador ter sua logomarca nele era de 50 mil reais. Eles desistiram.
O segundo susto veio justamente na exibição com debate em um SESC do interior de SP, quando recebi o contrato do SESC, e vi que o Fora do Eixo estava recebendo por aquela sessão, em meu nome, e não haviam me consultado sobre aquilo. Assinei o contrato minutos antes da exibição e cobrei do Fora do Eixo aquele valor descrito ali como sendo de meu cachê, coisa que eles me repassaram mais de 9 meses depois, porque os cobrei, publicamente.
O terceiro susto veio quando me levaram para jantar na casa da diretora de marketing da Vale do Rio Doce, no Rio de Janeiro, onde falavam dos números fabulosos (e sempre superfaturados) da quantidade de pessoas que estavam comparecendo às sessões dos filmes, aos festivais de música, e do poder do Fora do Eixo em articular todas aquelas pessoas em todas estas cidades. Falavam do público que compareciam a estas exibições e espetáculos como sendo filiados à eles. Ou como se eles tivessem qualquer poder sobre este público. 
Foi aí que conheci pela primeira vez o Pablo Capilé, fundador da marca/rede Fora do Eixo, um pouco antes deste jantar. Até então haviam me dito que a rede era descentralizada, e eu havia acreditado, mas imediatamente quando vi a reverência com que todos o escutam, o obedecem, não o contradizem ou criticam, percebi que ele é o líder daqueles jovens, e que ao redor dele orbitavam aqueles que eles chamam de “cúpula” ou “primeiro escalão” do FdE. 

O susto veio, não apenas por conta de perceber esta centralidade de liderança, mas porque o Pablo Capilé dizia que não deveria haver curadoria dos filmes a serem exibidos neste circuito de cineclubes, que se a Xuxa liberasse os filmes dela, eles seguramente fariam campanha para estes filmes serem consumidos pois dariam mais visibilidade ao Fora do Eixo, e trariam mais pessoas para ‘curtir’ as fotos e a rede deles – pessoas estas que ele contabilizaria, para seus patrocinadores tanto no âmbito público, quanto privado. “Olha só quantas pessoas fizemos sair de suas casas”. E que ele era contra pagar cachês aos artistas, pois se pagasse valorizaria a atividade dos mesmos e incentivaria a pessoa ‘lá na ponta’ da rede, como eles dizem, a serem artistas e não ‘DUTO’ como ele precisava. Eu perguntei o que ele queria dizer com “duto”, ele falou sem a menor cerimônia: “duto, os canos por onde passam o esgoto”. 

Eu fiquei chocada. Não apenas pela total falta de respeito por aqueles que dedicam a maior quantidades de horas de sua vida para o desenvolvimento da produção artística (e quando eu argumentava isso ele tirava sarro dizendo ‘todo mundo é artista’ ao que eu respondia ‘todo mundo é esportista também – mas quantos têm a vocação e prazer de ficar mais de 8 horas diárias treinando e se aprofundando em determinada forma de expressão? quantas pessoas que jogam uma pelada no fim de semana querem e têm o talento para serem jogadores profissionais?” “mas se pudesse escolher todo mundo seria artista” “não necessariamente, leia as biografias de todos os grandes compositores, escritores, cineastas, coreógrafos, músicos, dançarinos – quero ver quem gostaria de ter aquelas infâncias violentadas, viver na miséria econômicas, passar horas de dedicando-se a coisas consideradas inúteis por outros - vai ver se quem é artista, se pudesse escolher outra forma de vocação se não escolheria ter vontade de ser feliz sendo médico, advogado, empresário, cientista social.”). 

Enfim, o fato é que eu acreditava e continuo acreditando que se a pessoa na ponta da rede, seja no Acre ou onde quer que seja, se esta pessoa tiver vontade de passar a maior quantidade de tempo possível praticando qualquer forma de expressão artística, seja encarando páginas em branco, lapidando textos, lapidando filmes, treinando danças, coreografias, teatro, seja praticando um instrumento musical (e quem toca instrumentos musicais sabe a quantidade de horas de prática para se chegar à liberdade de domínio do instrumento e de seu próprio corpo, os tais 99% de suor para 1% de inspiração), quem quer que seja que encontre felicidade nestas horas e horas de prática cotidiana artística deve produzir tais obras e não ser DUTO de coisa alguma. 

Pois existem pessoas no mundo que não têm este prazer de produção artística, mas têm prazer em exibir, promover, e compartilhar estas obras. E tá tudo certo. Temos diversos exemplos de pessoas assim: vejam a paixão com que o Leon Cakof e a Renata de Almeida produziam e produzem a Mostra de São Paulo. O pessoal da Mostra de Tiradentes. E de tantas outras. Existe paixão pra tudo. E não, exibidores, programadores, curadores, professores, críticos de cinema ou de arte não são artistas frustrados – mas pessoas cuja a paixão deles é esta: analisar, comentar, debater, ensinar, deflagrar e ampliar o pensamento e a reflexão sobre as diversos âmbitos de atuação humanos. Que bom que tem gente com estas paixões tão complementares!

E o meu choque ao discutir com o Pablo Capilé foi ver que ele não tem paixão alguma pela produção cultural ou artística, que ele diz que ver filmes é “perda de tempo”, que livros, mesmo os clássicos, (que continuam sendo lidos e necessários há séculos), são “tecnologias ultrapassadas”, e que ele simplesmente não cultiva nada daquilo que ele quer representar. Nem ele nem os outros moradores das casas Fora do Eixo (já explico melhor sobre isso). 

Ou seja, ele quer fazer shows, exibir filmes, peças de teatro, dança, simplesmente porque estas ações culturais/artísticas juntam muita gente em qualquer lugar, que vão sair nas fotos que eles tiram e mostram aos seus patrocinadores dizendo que mobilizam “tantas mil pessoas” junto ao poder público e privado, e que por tanto, querem mais dinheiro, ou privilégios políticos.

Vejam que esperto: se Pablo Capilé dizer que vai falar num palanque, não iria aparecer nem meia dúzia de pessoas para ouvi-lo, mas se disserem que o Criolo vai dar um show, aparecem milhares. Ou seja, quem mobiliza é o Criolo, e não ele. Mas depois ele tira as fotos do show do Criolo, e vai na Secretaria da Cultura dizendo que foi ele e sua rede que mobilizou aquelas pessoas. E assim, consequentemente, com todos os artistas que fazem participação em qualquer evento ligado à rede FdE. Acredito que, como eu, a maioria destes artistas não saibam o quanto Pablo Capilé capitaliza em cima deles, e de seus públicos.
Mesmo porque ele diz que as planilhas do orçamento do Fora do Eixo são transparentes e abertas na internet, sendo isso outra grande mentira lavada – tais planilhas não encontram-se na internet, nem sequer os próprios moradores das casas Fora do Eixo as viram, ou sabem onde estão. Em recente entrevista no Roda Viva, Capilé disse que arrecadam entre 3 e 5 milhões de reais por ano. 

Quanto disso é redistribuído para os artistas que se apresentam na rede? 
O último dado que tive é que o Criolo recebia cerca de 20 mil reais para um show com eles, enquanto outra banda desconhecida não recebe nem 250 reais, na casa FdE São Paulo. 
Mas seria extremamente importante que os patrocinadores destes milhões exigissem o contrato assinado com cada um destes artistas, baseado pelo menos no mínimo sindical de cada uma das áreas, para ter certeza que tais recursos estão sendo repassados, como faz o SESC. 
Depois deste choque com o discurso do Pablo Capilé, ainda acompanhei a dinâmica da rede por mais alguns meses (foi cerca de 1 ano que tive contato constante com eles), pois queria ver se este ódio que ele carrega contra as artes e os artistas era algo particular dele, ou se estendia à toda a rede. Para a minha surpresa, me deparei com algo ainda mais assustador: as pessoas que moram e trabalham nas casas do Fora do Eixo simplesmente não têm tempo para desfrutar os filmes, peças de teatro, dança, livros, shows, pois estão 24 horas por dia, 7 dias por semana, trabalhando na campanha de marketing das ações do FdE no facebook, twitter e demais redes sociais. 

E como elas vivem e trabalham coletivamente no mesmo espaço, gera-se um frenesi coletivo por produtividade, que, aliado ao fato de todos ali não terem horário de trabalho definido, acreditarem no mantra ‘trabalho é vida’, e não receberem salário, e portanto se sentirem constantemente devedores ao caixa coletivo, da verba que vem da produção de ações que acontecem “na ponta”, em outros coletivos aliados à rede, faz com que simplesmente, na casa Fora do Eixo em São Paulo, não se encontre nenhum indivíduo lendo um livro, vendo uma peça, assistindo a um filme, fazendo qualquer curso, fora da rede. Quem já cruzou com eles em festivais nos quais eles entraram como parceiros sabem do que estou falando: eles não entram para assistir a nenhum filme, nem assistem/participam de nenhum debate que não seja o deles. O que faz com que, depois de um tempo, eles não consigam falar de outra coisa que não sejam eles mesmos. 
Sim, soa como seita religiosa.

Eu comecei a questionar esta prática: como vocês querem promover a cultura, se não a cultivam? Ao que me responderam “enquanto o povo brasileiro todo não puder assistir a um filme no cinema, nós também não vamos”. Eu perguntei se eles sabiam que havia mostras gratuitas de filmes, peças de teatro, dança, bibliotecas públicas, universidades públicas onde pode-se assistir a qualquer aula/curso – ao que me responderam que eles não têm tempo para perder com estas coisas.

Pode parecer algo muito minimalista, mas eu acho chocante eles se denominarem o “movimento social da cultura”, e não cultivar nem a produção nem o desfrute das atividades artísticas da cidade onde estão, considerando-se mártires por isso, orgulhando-se de serem chamados de “precariado cognitivo” (sem perceber o tamanho desta ofensa – podemos nos conformar em viver no precariado material, mas cultivar e querer espalhar o precariado de pensamentos, de massa crítica, de sensibilidade cognitiva, é algo muito grave para o desenvolvimento de seres humanos, e consequentemente da humanidade). 

Concomitantemente a isso, reparei que aquela massa de pessoas que trabalham 24 horas por dia naquelas campanhas de publicidade das ações da rede FdE, não assinam nenhuma de suas criações: sejam textos, fotos, vídeos, pôsters, sites, ações, produções. Pois assinar aquilo que se diz, aquilo que se mostra, que se faz, ou que se cria, é considerado “egóico” para eles. Toda a produção que fazem é assinada simplesmente com a logomarca do Fora do Eixo, o que faz com que não saibamos quem são aquele exercito de criadores, mas sabemos que estão sob o teto e comando de Pablo Capilé, o fundador da marca.
E que não, a marca do fora do Eixo não está ligada a um CNPJ, nem de ONG, nem de Associação, nem de Cooperativa, nem de nada – pois se estivesse, ele seguramente já estaria sendo processado por trabalho escravo e estelionato de suas criações, por dezenas de pessoas que passaram um período de suas vidas nas casas Fora do Eixo, e saem das mesmas, ao se deparar com estas mesmas questões que exponho aqui, e outras ainda mais obscuras e complexas. 

Me explico melhor: existem muitos dissidentes que se aproximam da rede pois vêem nela a possibilidade de viver da criação e circulação artística, de modificar suas cidades e fortalecer o impacto social da arte na população das mesmas, que depois de um tempo trabalhando para eles percebem, tal qual eu percebi, as incongruências do movimento Fora do Eixo. Que aquilo que falam, ou divulgam, não é aquilo que praticam. É a pura cultura da publicidade vazia enraizada nos hábitos diários daquelas pessoas.

E além disso, o que talvez seja mais grave: quem mora nas casas Fora do Eixo, abdicam de salários por meses e anos, e portanto não têm um centavo ou fundo de garantia para sair da rede. Também não adquirem portfólio de produção, uma vez que não assinaram nada do que fizeram lá dentro – nem fotos, nem cartazes, nem sites, nem textos, nem vídeos. E, portanto, acabam se submetendo àquela situação de escravidão (pós)moderna, simplesmente pois não vêem como sobreviver da produção e circulação artística, fora da rede. Muitas destas pessoas são incentivadas pelo próprio Pablo Capilé a abandonar suas faculdades para se dedicarem integralmente ao Fora do Eixo. Quanto menos autonomia intelectual e financeira estas pessoas tiverem, melhor para ele.

E quando algumas destas pessoas conseguem sair, pois têm meios financeiros independentes da rede FdE para isso, ficam com medo de retaliação, pois vêem o poder de intermediação que o Capilé conseguiu junto ao Estado e aos patrocinadores de cultura no país, e temem serem “queimados” com estes. Ou mesmo sofrer agressões físicas. Já três pessoas me contaram ouvir de um dos membros do FdE, ao se desligarem da rede, ameaças tais quais “você está falando de mais, se estivéssemos na década de 70 ou na faixa de gaza você já estaria morto/a.” Como alguns me contaram, “eles funcionam como uma seita religiosa-política, tem gente ali capaz de tudo” na tal ânsia de disputa por cada vez mais hegemonia de pensamento, por popularidade e poder político, capital simbólico e material, de adeptos. Por isso se calam.

Fiquei sabendo de uma menina que produziu o Grito Rock 2012 em Braga, em Portugal, no qual exibiram meu filme. Ela me contou que estava de intercâmbio da universidade lá, e uma amiga dela que havia sido “abduzida pelo Fora do Eixo” entrou em contato perguntando se ela e um amigo não queriam exibir o filme em Braga, produzir o show de uma banda na universidade, fazer a divulgação destas ações nas redes sociais. Ela achou boa a idéia e qual não foi sua surpresa quando viu que em todos os materiais de divulgação do evento que lhe enviaram estava escrito “realização Fora do Eixo”. “Eu nunca fui do Fora do Eixo, não tenho nada a ver com eles, como assim meu nome não saiu em nada? Não vou poder usar estas produções no meu currículo? E pior, eles agora falam que o Fora do Eixo está até em Portugal, e em sei lá quantos países. Isso é simplesmente mentira. Eu não sou, nem nunca fui do Fora do Eixo.”

O que leva a outro ponto grave das falácias do Fora do Eixo: sua falta de precisão numérica. Pablo Capilé, quando vai intermediar recursos junto ao poder público ou privado, para capitalizar a rede FdE, fala números completamente aleatórios “somos mais de 2 mil pessoas em mais de 200 cidades na America Latina”. Cadê a assinatura destas pessoas dizendo que são realmente filiadas à rede? Qualquer associação, cooperativa, partido político, fundação, ONG, ou movimento social tem estes dados. Reais, e não imaginários.

Quando visitei algumas das casas Fora do Eixo, estas pessoas morando e trabalhando lá não chegavam a 10% daquilo que ele diz a rede conter. E estas pessoas são treinadas com a estratégia de marketing da rede, de “englobar” no facebook e twitter alguém que eles consideram estrategicamente importante para o Fora do Eixo, seja um vereador, um intelectual, um artista, um secretário da cultura, e replicam simultaneamente as fotos e textos dos eventos do qual produzem, divulgam, ou simplesmente se aproximam (já vou falar dos outros movimentos sociais que expulsam o Fora do Eixo de suas manifestações – pois eles tiram fotos de si no meio destas ações dos outros e depois vão ao poder público dizer que as representam), ao redor daquelas pessoas estratégicas, política e economicamente para eles, que as adicionaram ao mesmo tempo, criando uma realidade virtual paralela que eles manipulam ao redor desta pessoa. Pois, se esta pessoa ‘englobada’ apertar ‘ocultar’ nas cerca de150 pessoas que trabalham nas casas Fora do Eixo, verá que muito raramente estas informações chegam por outras vias. Ou seja, eles simulam um impacto midiático muito maior de suas ações, apara aqueles que lhes interessam, do que o impacto real das mesmas nas populações e localizações onde aconteceram.
E com isso vão construindo esta realidade falsa, paralela. Controlada por eles, sob liderança do Pablo Capilé.
Dos movimentos sociais que começaram a expulsar os Fora do Eixo de suas manifestações e ações, pois estes, como os melhores mandrakes, ao tentar dominar a comunicação destas, iam depois ao poder público dizer representá-las, estão o movimento do Hip Hop em São Paulo, as Mãe de Maio (que encabeçam o movimento pela desmilitarização da PM aqui), o Cordão da Mentira (que une diversos coletivos e movimentos sociais para a passeata de 1º de Abril, dia do golpe Militar no Brasil, escrachando os lugares e instituições que contribuíram para o mesmo), a Associação de Moradores da Favela do Moinho, o coletivo Zagaia, o Passa-Palavra, o Ocupa Mídia, O Ocupa Sampa, o Ocupa Rio, Ocupa Funarte, entre outros. Até membros do Movimento Passe Livre tem discutido publicamente o assunto dizendo que o Fora do Eixo não os representam, e não podem falar em seu nome.

Sobre a transmissão de protestos e ocupações, são milhares de pessoas em diversos países que transmitem as manifestações no mundo todo, em tempo real, e acredito que os inventores que fizeram os primeiros smartphones conectando vídeo com internet, são realmente tão importantes para a comunicação na atualidade quanto os inventores do telégrafo foram em outra época. 
Já o Fora do Eixo, agora denominados de Mídia Ninja, (antes era Mídia Fora do Eixo, mas como são muito expulsos de manifestações resolveram mudar de nome) utilizar os vídeos feitos por centenas de pessoas não ligadas ao Fora do Eixo, editá-los, subí-los no canal sob seu selo, e querer capitalizar em cima disso – sem repassar os recursos para as pessoas que realmente filmaram estes vídeos/fizeram estas fotos e textos – inclusive do PM infiltrado mudando de roupa e atirando o molotov - eu já acho bastante discutível eticamente.

Sobre a questão do anonimato nos textos e fotos, acredito que esta prática acaba fazendo com que eles façam exatamente aquilo que criticam na grande mídia: espalham boatos anônimos, sem o menor comprometimento com a verdade, com a pesquisa, com a acuidade dos dados e fatos. 
Mas enfim, acho que a discussão é muito mais profunda do que a Midía Ninja em si, apesar deles também se beneficiarem do trabalho escravo daqueles que vivem nas casas Fora do Eixo.
Acredito com este relato estar dando minha contribuição pública à discussão de o que é o Fora do Eixo, como se financiam e sustentam a rede, quais seus lados bons e seus lados perversos, onde é que enganam as pessoas, dizendo-se transparentes, impunemente.

Contribuição esta que acredito ser meu dever público, uma vez que, ao me encantar com a rede, e haver vislumbrado a possibilidade de interagir com cinéfilos do rincões mais distantes do país, que não têm acesso aos bens culturais produzidos ou circulados por aqui, incentivei outros colegas cineastas a fazerem o mesmo. Já conversei pessoalmente com todos aqueles que pude, explicando tudo aquilo que exponho aqui também. 

Dos cineastas que soube que também liberaram seus filmes para serem exibidos pela rede, nenhum recebeu qualquer feedback destas exibições, sejam em fotos com o número de pessoas no públicos, seja com a tabela de cidades em que passaram, seja de eventuais patrocínio que os exibidores receberam. E como talvez tenha alguém mais com quem eu não tenha conseguido falar pessoalmente, fica aqui registrado o testemunho público sobre minha experiência com a rede Fora do Eixo, para que outras pessoas possam tomar a decisão de forma mais consciente caso queiram ou não colaborar com ela.

Espero que os patrocinadores da rede tomem também conhecimento de todas estas falácias, e cobrem do Fora do Eixo o número exato de participantes, com assinatura dos mesmos, os contratos e recibo de repasse das verbas que recebem aos autores das obras e espetáculos que eles dizem promover. E que jornalistas que investigam o trabalho escravo moderno se debrucem também sobre estas casas: pois acredito que as pessoas que estão lá e querem sair precisam de condições financeiras e psicológicas para isso. 
Espero também que mais pessoas tomem coragem para publicar seus relatos (e sei que tem muita gente que poderia fazer o mesmo, mas que tem medo pelos motivos que expliquei a cima), e assim teremos uma polifonia importante para quebrar a máscara de consenso ao redor do Fora do Eixo.

E que, mesmo vivendo em plena era da cultura da publicidade, exijamos “mais integridade, por favor”, entre aquilo que dizem e aquilo que fazem aqueles que querem trabalhar, circular, exibir, criar, representar, pensar ou lutar pelo direito fundamental do Homem de produção e desfrute da diversidade artística e cultural de todas as épocas, em nosso tempo.

Fonte: Luis Nassif Online