Mostrando postagens com marcador gmail. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador gmail. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Jornalistas e os riscos na era digital


Um jornalista pesquisando a história de um documento complicado que coloca o seu governo local em maus lençóis fica preocupado que as autoridades vão bisbilhotar em seu computador, então ele usa ferramentas de encriptação para armazenar e enviar por e-mail o documento. Mas, em seguida, ele pega o telefone de casa e fala abertamente sobre a história com seu editor. Talvez não tenha passado pela sua cabeça que as pessoas mais interessadas em manter esse documento em segredo não têm a capacidade de entrar em seu e-mail, mas podem facilmente escutar seu telefonema.

Este é um exemplo hipotético, mas é o tipo de erro que os jornalistas fazem regularmente ao considerar seus planos de segurança. Às vezes sentimos a necessidade de usar ferramentas contra ameaças que realmente não enfrentamos, ignorando os riscos que são mais prováveis.
O aumento da quantidade de trabalho dos jornalistas no mundo digital faz com que seja fundamental proteger nossas atividades. Nos velhos tempos, nós poderíamos apenas colocar os nossos documentos em um armário de arquivo trancado e realizar nossas conversas frente a frente para evitar espionagem.

Isso não funciona mais.



Hoje, há uma grande variedade de ameaças e cada tipo de ameaça exige uma medida de proteção diferente em resposta. No mapa Periodistas en Riesgo (Jornalistas em Risco) que rastreia ataques contra a imprensa no México, documentamos vários casos de hacking, ataques de negação de serviço (DOS, em inglês) e roubo de computadores e dispositivos móveis que podem comprometer as informações de um jornalista. Sem mencionar que há provavelmente muitos casos de repórteres e editores com escutas em seus telefones sem ter a mínima ideia.

Hoje, um plano de segurança digital é essencial para os jornalistas, mas as especificidades de cada plano irão variar, pois depende da avaliação dos riscos específicos de cada pessoa. Nas oficinas que realizo com jornalistas mexicanos como parte do meu Knight International Journalism Fellowship do ICFJ, eu ouvi muito sobre as diferentes ameaças que jornalistas enfrentam no mundo digital. Um aspecto importante do treinamento é fazer com que os participantes fiquem cientes de que as ferramentas que são melhores para eles podem não ser as melhores para os seus colegas.

Formular seu plano pessoal de segurança digital começa com o estabelecimento de seus próprios riscos prováveis. Para isso, você precisa saber quem ou o que pode ser uma ameaça para você, quais são as suas capacidades e intenções, como estão dispostos a atacá-lo e, finalmente, suas próprias vulnerabilidades e pontos fortes.

Aqui estão cinco perguntas que o ajudarão a decidir quais as ferramentas ou técnicas deve usar:

1. Que atividades ou informações você precisa proteger?
Há muitas atividades digitais que merecem proteção, como comunicação (e-mails, mensagens, telefonemas); armazenamento (ou em nuvem ou em dispositivo); navegação na Web; redes sociais; uso de ferramentas e dispositivos de localização; e salvamento de senhas.
Para tornar essas atividades mais seguras, você deve tomar certas ações o tempo todo: Sempre use um software antivírus, senhas fortes e configurações de privacidade rigorosas. Isso irá proteger 90 por cento do que você faz online. Você pode guardar outros métodos, tais como comunicações ou armazenamento seguro, para algo específico, como uma matéria delicada.

2. Quem quer atacá-lo?
A ameaça mais imediata para os jornalistas vem de suas fontes ou de sujeitos que os jornalistas cobrem, mas também pode haver agressores desconhecidos interessados em suas atividades ou informações.
3. Quem tem a vontade e capacidade de me fazer mal?
Uma pessoa interessada em conhecer as atividades digitais de um jornalista pode ter uma grande vontade de obter essas informações, mas não ser capaz de fazê-lo. Por outro lado, pode haver pessoas ou entidades com grandes capacidades, mas que não se importam com o que o jornalista está fazendo. No entanto, tenha em mente que alguém com baixa capacidade mas grande vontade pode trabalhar para melhorar suas ferramentas para fazer hacking ou espionagem, ou alguém com pouca vontade, mas grande capacidade pode mais tarde desenvolver o desejo de espionar a atividade digital de um jornalista.

4. Onde estão suas vulnerabilidades? Como você está interagindo no mundo digital?
Qual serviço de e-mail você usa e quão seguro é? Você armazena dados em serviços de nuvem ou dispositivos criptografados ou não garantidos? A função GPS do seu telefone sempre está ligada para que todos saibam onde você está? Tenha em mente que depende da situação se você deve ou não ativar o GPS. Na maioria das vezes, você está mais seguro se deixá-lo desligado, mas, em alguns casos como em trabalhos em ambientes perigosos, isso pode ajudar a manter o controle de seu paradeiro caso algo aconteça e entes queridos precisem achar você.
Você publica informações sobre sua vida privada nas redes sociais? Se sim, quem pode ver? Como são protegidos os seus dispositivos móveis? Se alguém roubar seu telefone celular, por exemplo, seria fácil obter informações a partir dele?

5. Quais são os seus pontos fortes e quais são as ferramentas que você já está usando para reduzir suas vulnerabilidades?
Conhecer a vasta gama de ferramentas de segurança digital disponíveis pode ajudar o jornalista a transformar seus pontos fracos em fortes.
Existem dezenas de ferramentas disponíveis para melhorar a nossa segurança digital, mas tudo depende se elas realmente atendem às nossas necessidades. A única maneira de descobrir é fazer uma avaliação de risco pessoal para saber exatamente o que estamos precisando.

Via IJnet

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Assistente de voz é o futuro ? #Siri #Google Now

Smartphones já têm. Computadores, há algum tempo. Smartwatches aderiram, e a vindoura internet das coisas promete usar bastante. Estamos falando da tecnologia de reconhecimento de fala, na qual sua voz é quem manda. E prepare a garganta, pois ela poderá ser o próximo grande salto na interface homem-máquina.

O exemplo atual mais conhecido do uso do reconhecimento de voz está nos assistentes pessoais inteligentes, capaz de realizar diversas tarefas para seus usuários, como trazer informações do trânsito e da meteorologia, agenda de compromissos, preços de produtos, sugestões de locais para comprar e passear etc.

Você pode usar o teclado para interagir com os assistentes, mas quase todos já têm recursos de reconhecer voz como forma extra de interação. São exemplos de assistentes pessoais a Siri (Apple), Google Now (Google/Android), S Voice (Samsung) e Cortana (Microsoft) --este último ainda não tem versão em português.

Não deixe de ler:  6 links que provam que o Google sabe tudo sobre você

Era preciso treinar a assistente

Mas reagir às nossas solicitações faladas não é tão simples. A grosso modo, os assistentes pessoais usam o reconhecimento de voz para inserir dados no dispositivo e, por isso, precisam interpretar linguisticamente o que falamos. Também contam com acesso aos seus dados pessoais, buscas na internet e auxílio a outros aplicativos instalados no dispositivo.

Redes neurais, que realizam conexões de dados de forma parecida com o sistema nervoso, também vêm sendo pesquisados para esse fim. Mas os estudos em reconhecimento de voz existem pelo menos desde os anos 30 pela Bell Labs, grande empresa de pesquisa dos EUA.

"No final da década de 80, os programas que utilizam redes neurais passaram a ser viáveis e, com eles, surgiu a possibilidade concreta de se desenvolver modelos computacionais para o reconhecimento de voz. Os primeiros sistemas eram muito limitados e exigiam treinamento do software, para que este se adaptasse ao seu usuário. O treinamento poderia ser algo demorado", diz Rosa Vicari, responsável pelo grupo de inteligência artificial da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

As tecnologias envolvendo voz também são um meio alternativo de comunicação para pessoas com necessidades especiais de ordem visual ou motora, capaz de tarefas como leitura automatizada de textos, por exemplo. "Atualmente, esse tipo de aplicação também já atingiu escala comercial, motivando o investimento de grandes empresas, devido a demanda cada vez maior. A realidade é que cada vez mais teremos interações humanos-máquinas através da voz", prevê Rosa.

Como será o amanhã?

Quando a Siri foi lançada, recebeu críticas: 46% dos donos de aparelhos iOS acreditavam que a empresa exagerou nas capacidades prometidas. Isso aparentemente foi resolvido e hoje a assistente da Apple é bem aceita, pesquisa do site Experts Exchange, aponta que a Siri é a preferida entre os norte-americanos e também bateu o desempenho da Google Now e Cortana em testes.

Os vestíveis, o setor automotivo e a vindoura internet das coisas já olham pro futuro da voz enquanto ferramenta. Vários smartwatches das grandes marcas, como os da Apple, Samsung e Motorola, reconhecem as vozes de seus donos --até para compensar os diminutos teclados das suas telas.
O Brillo, sistema da Google com suporte a dispositivos como lâmpadas e fechaduras inteligentes, foi lançado no ano passado e permitirá uso da voz para executar comandos. A Apple lançou em 2014 o CarPlay, um sistema inteligente que liga iPhones a uma central multimídia dos carros e usa a Siri apara ajudar o motorista em trajetos, ligações telefônicas e outros comandos.

Porém, ainda estamos um pouco longe de usar só a voz para controlarmos tudo. As atuais tecnologias de voz precisam corrigir muitas falhas de compreensão. Além disso, levantam constantes debates sobre a privacidade dos dados coletados.

"As possibilidades são infinitas, mas estamos dando um passo de cada vez. Não há atalhos pois trata-se mais de um método artesanal do que de um típico esforço de codificação", disse ao UOL por e-mail Bharath Mohan, gerente de produto da Microsoft responsável pelo Cortana. Apple, Google e Samsung foram procurados para falar sobre o Siri, Now e S Voice, mas não falaram com a reportagem.


Aplicações atuais e futuras

Reprodução
Reprodução

Assistente pessoal em qualquer lugar

Desde 2011 a Siri auxilia os usuários de iPhones e iPads. Na esteira dela veio a concorrência: Google Now (Google/Android), S Voice (Samsung), Cortana (Microsoft), M (Facebook) e Echo (Amazon). O que elas fazem? De um modo geral, são praticamente secretárias de bolso: a partir de perguntas, frases e buscas via voz (ou teclado), trazem informações relevantes para o cotidiano, como previsão do tempo, bolsa de valores e trânsito; navegador em trajetos de carro; sugerem restaurantes, lojas e serviços a partir de sua localização; realizam buscas na internet; agendam compromissos; e interagem com outros aplicativos. Habilitar o recurso de voz é opcional: o usuário deve ir nas configurações do aparelho e confirmar se quer mesmo usar as assistentes dessa forma. Os smartwatches também usam versões adaptadas das assistentes pessoais.
Reprodução
Reprodução

Escrever textos sem teclado

Seja para pessoas com deficiência ou para quem não quer mais usar teclados físicos ou virtuais, a possibilidade de ditar um texto e transformá-lo em frases prontas é uma mão na roda. No iOS, desde 2014 é possível clicar no botão do microfone no teclado virtual e ditar o que quiser em português, com direito a pontuação. O Google Now também faz isso, mas no momento, só há suporte para esse tipo de pontuação em alemão, inglês, espanhol, francês, italiano e russo. E os demais apps de voz em sua maioria só reconhecem bem o inglês.
Reprodução
Reprodução

Tradução simultânea

Em 2013, o aplicativo do Google Tradutor lançou uma atualização em que era possível pessoas de diferentes línguas usarem o programa para traduzir suas frases simultaneamente. Basta tocar em um botão com microfone na interface do app e este faria o resto, mostrando e tocando o áudio das traduções. Depois foi a vez do Skype fazer o mesmo, em 2014. Ambos ainda não funcionam com a precisão esperada, mas são úteis nos momentos mais "desesperados".
Divulgação
Divulgação

Controle da casa conectada

A Internet das Coisas é um conjunto de produtos e tecnologias em desenvolvimento que pretendem funcionar e reagir de forma mais inteligente aos nossos hábitos e necessidades, além de criar objetos e ambientes que "conversam" entre si. Na prática, esse sistema conecta-se à internet ou a redes privadas, unindo "gadgets" como computadores, notebooks, tablets e celulares, além de televisões, geladeiras, iluminação e automóveis. Uma prévia do que pode acontecer já pode ser vista no uso do Kinect (foto), aparelho da Microsoft que funciona com o videogame Xbox One. Quando o dono da casa falar na sala "Xbox, ligue", o console se liga sozinho. E é possível configurar para ligar outros dispositivos, como TV, home theater e receptor de TV a cabo.
Reuters/Google/Divulgação
Reuters/Google/Divulgação

"Chofer" do carro autônomo

Ford, Lexus, Hyundai, Chrysler, Honda e GM são algumas das montadoras que já lançam ou prometem lançar carros com sistemas de comandos de voz, seja sozinhos ou em parcerias com outras empresas. E já que possuem "expertise" no assunto, as gigantes da tecnologia já estão dispostas a participar desse mercado, com iniciativas como Carplay (Apple), Android Auto (Google) e uma adaptação do Cortana para veículos (Microsoft). O protótipo de carro autônomo do Google (foto) não usa voz porque teoricamente não precisa: seus sensores, radares e computadores fazem tudo sozinho. Mas como nos testes já apresentou problemas e acidentes, comenta-se que o reconhecimento de voz surja para melhorar a relação do carrinho com os "motoristas" humanos.
Divulgação/Honda
Divulgação/Honda

Interação completa com robôs

Pode ser que em breve aquilo que vemos em "Star Wars" se torne real. Nos filmes, personagens humanos conversam livremente com os "dróides" R2-D2, C-3PO e BB-8 como se fossem pessoas dotadas de plena compreensão. Na verdade robôs como o Asimo (foto), da Honda, já fazem isso, mas de forma limitada. Se a tecnologia chegar a um nível de sofisticação capaz de entender e reagir a tudo que falamos, talvez teremos de fato um robô humanoide em cada lar resolvendo as tarefas chatas que nós, humanos, costumamos procrastinar... desde que eles não se chateiem nem se vinguem de nós por isso.

O que falta?

Reprodução/Globo
Reprodução/Globo

Acompanhar a velocidade da fala

Quem usa as assistentes pessoais dos celulares já deve ter sentido: quanto mais rápido você falar, maior a chance do programa entender tudo errado. O que acontece é que enquanto falamos, o software precisa processar em tempo real quais palavras foram ditas. A tecnologia atual é até bem precisa, mas quando aceleramos o discurso, não apenas há menos pausas que separam as palavras umas das outras, como também não as pronunciamos tão bem. Isso acaba comprometendo o resultado. Mas convenhamos: falar sempre pausadamente não é lá muito fluido no cotidiano, então seria ótimo se os programas acelerassem sua capacidade de compreensão com o passar do uso.

Compreender diferentes timbres e volumes de voz

Se diferentes pessoas falarem uma mesma frase para o mesmo assistente pessoal, é possível que a Siri, Google Now e afins entendam essa frase de formas diferentes, ou pelo menos não a entendam de primeira com todos eles. O desempenho do reconhecimento de voz também pode variar conforme timbres, volumes e ênfases dadas por cada interlocutor.
Reprodução/Instagram/ivetesangalo
Reprodução/Instagram/ivetesangalo

Entender sotaques e gírias regionais

Algumas gírias o Google Now entende bem, como a pernambucana "arretado" ou a baiana "zoró". Mas se você tentar falar a interjeição gaúcha "bá, chê", ele vai entender como "bate" ou "boot". "O desafio é desenvolver sistemas de reconhecimento de voz que sejam precisos independentes das características do falante, como sotaque nativo x estrangeiro, homem x mulher x criança, fala coloquial x formal", diz Aline Villavicencio, professora do grupo de inteligência artificial da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).
Gregorio Borgia/AP
Gregorio Borgia/AP

Melhorar no quesito multilíngua

Os atuais programas até aceitam mais de uma língua, mas patinam um pouco na hora de distinguir de qual idioma é determinada palavra. E quanto mais idiomas você colocar na mistura, mais difícil vai ser essa separação. É um problema que atrapalha bastante aqueles que têm que lidar com palavras, nomes e expressões em inglês no trabalho, ou para falar termos estrangeiros que foram assimilados no nosso cotidiano, como "mouse" e "dossiê".

Captar e interpretar o som em situações complexas

Ruídos externos estão entre os maiores inimigos do reconhecimento de voz. A diferença entre usar uma assistente pessoal em um escritório em silêncio e em uma rua com carros buzinando ou em uma sala com eco é gritante: a precisão diminui, e o processamento do que foi dito tende a ser bem mais lento. Evoluções nisso passariam não apenas pelo software, que precisaria filtrar melhor as vozes dos demais barulhos, mas também por microfones cada vez melhores em dispositivos móveis.
Divulgação
Divulgação

Pontuar e caprichar na gramática em textos longos

O recurso de voz dos iPhones já aceita pontuação. Se você disser: "Eu amo você ponto", a frase sera escrita como "Eu amo você." No Google Now isso só ocorre em algumas línguas, e o português ainda não está entre elas. O fato é que pontuar com a voz ainda é um dilema, e o ideal mesmo é que o locutor apenas consiga a pontuação com a entonação correta, como ao falar a frase "Você vem hoje?" o sistema já colocar a interrogação por si só. Outro problema é que os sistemas ainda não entendem tão bem questões como sintaxe e concordância verbal em alguns casos. Você pode falar "concordou" e ele entender "concordo", por exemplo.

Expandir vocabulário e aceitar neologismos

Em um teste informal no UOL, o Google Now transformou "imexível", palavra maluca cunhada pelo ex-ministro Antônio Rogério Magri (foto), em "inesquecível". E reverteu "Expelliarmus", um dos feitiços das histórias de Harry Potter, como "italianos". Por mais memória ou auxílio ao Google que tenham os sistemas de reconhecimento de voz, eles podem se confundir nesses casos. Se você inventar uma palavra ou preferir uma forma curiosa de escrever palavras antigas, como a popular na internet "quenhe vc", corruptela de "quem é você?", não conte com a compreensão total do reconhecimento de voz até que o tal termo esteja totalmente difundido.
Reprodução
Reprodução

Usar sem parecermos bobos

Quando os celulares se tornaram populares, muita gente estranhou a nova situação de pessoas "falando sozinhas" na rua. Se o uso das assistentes pessoais e de outras formas de reconhecimento de voz se tornarem imprescindíveis, essa sensação vai se repetir. Afinal, ainda é bem esquisito ficar repetindo a mesma frase ou pergunta no meio da rua com o celular apontado para a boca.
Reprodução
Reprodução

Saber quando não agir

Em 2014, o áudio de um anúncio de TV sobre o Xbox One acabava ativando o videogame à revelia dos usuários, ao falar o comando "Xbox on". Esse é um exemplo do que pode acontecer se ficarmos totalmente cercados de diferentes tecnologias de reconhecimento de voz: algo que não era pra ser contextualmente um comando para a máquina acabar ativando ou desativando algo sem querer. É uma tarefa difícil para os desenvolvedoras de inteligência artificial conseguirem "adivinhar" as intenções do usuário ou saber quando agir ou não.
Grosby Group
Grosby Group

Garantir alguma privacidade

A questão da privacidade e segurança dos dados ainda preocupa nessa seara. Afinal, se todo mundo ficar falando em voz alta com as máquinas, quem garante que alguém mal intencionado não estará por perto ouvindo os comandos para usá-los em crimes? Ou que uma assistente pessoal ativada o tempo todo não ouve e grava absolutamente tudo que ouvimos? Pode parecer paranoia demais, mas o CEO da Apple, Tim Cook, já se pronunciou sobre a Siri dizendo: "A Apple não tem acesso aos dados. Por isso não há preocupações com a privacidade para a maioria das pessoas, acho, quando as informações são mantidas em seu dispositivo e estão protegidas com a sua senha". Será? 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Itamaraty alerta mulheres sobre relacionamento com estrangeiros pela web


Disponível em 16 países, o Ligue 180 Internacional recebe denúncias de abusos contra brasileiras por parte de parceiros no exterior

As brasileiras que se relacionam com estrangeiros pela internet devem ter cautela antes que o envolvimento se torne algo mais sério e resulte, por exemplo, numa viagem ao exterior. Diante de diversos relatos de mulheres que se tornaram vítimas  nas mãos de parceiros estrangeiros, o Itamaraty disponibiliza em seu Portal Consular um alerta para que elas não sejam alvo de nenhum tipo de violência no exterior.

"É um alerta de bom senso. É uma questão de cautela que nós devemos ter sempre nos relacionamentos com desconhecidos", afirma a diretora do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior, Luiza Lopes da Silva.
Segundo a diretora, existem casos de mulheres que se enchem de esperanças, formam uma opinião e nem mesmo familiares e amigos conseguem fazê-las desistir de uma viagem, pois elas depositam todas as expectativas no relacionamento virtual. 




Atualmente, os casos de violência contra a mulher no exterior podem ser reportados por meio do Ligue 180 Internacional, versão do disque-denúncia disponível em 16 países, numa parceria entre o Ministério das Relações Exteriores e a Secretaria de Política para as Mulheres, do Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos.

Por meio do serviço, e também nas representações diplomáticas, o Itamaraty recebe relatos dramáticos de mulheres que iniciam relacionamentos pela internet utilizando ferramentas de tradução disponíveis pela internet, uma vez que, em alguns casos, o casal não tem nem mesmo o domínio de um idioma em comum. Ainda segundo o órgão, muitos estrangeiros buscam relacionamentos com mulheres brasileiras apenas interessados no visto brasileiro.

"Para nós brasileiros é difícil entender, porque nós pensamos que uma cidadania cobiçada é uma cidadania americana ou europeia. Mas a brasileira também é, e nossas compatriotas descobrem isso da maneira mais dura", ressalta a diretora.
Uma das vantagens da cidadania brasileira, por exemplo, é a dispensa de visto para entrar em países da União Europeia. De olho nisso, relatos apontam que alguns estrangeiros têm buscado o contato com as mulheres brasileiras, se casam e o relacionamento dura o tempo necessário para a obtenção do visto.
De acordo com a diretora, a ideia do Itamaraty não é desestimular esse tipo de relacionamento, mas apenas atentar para os cuidados necessários para o sucesso nesse tipo de envolvimento.

"Claro que têm histórias que dão certo, de relacionamentos que são bem-sucedidos e são felizes, mas infelizmente nós conhecemos mais da outra categoria, porque são esses que batem na porta do consulado", afirma Luiza.
Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério de Relações Exteriores e da Secretaria de Políticas para as Mulheres

terça-feira, 12 de agosto de 2014

O IP das Coisas: Até a geladeira pode denunciar o dono na internet


Daniel Lima
Repórter da Agência Brasil
O brasileiro descobriu em 2013 que não existe privacidade na internet. As denúncias do site Wikileaks, de Julian Assange, e as de Edward Snowden, ex-analista de inteligência norte-americano, mostraram que vários programas dos Estados Unidos e de outros países fazem, há muito tempo, vigilância eletrônica dos cidadãos ao redor do mundo.
Agora, a troca do protocolo que permite a identificação de cada dispositivo na internet, o chamado Internet Protocol (IP), é uma nova mudança que deve deixar em alerta os usuários da rede. O Ipv4, padrão atual, que até então gerou pouco mais de 4 bilhões de endereços diferentes, já é insuficiente para mapear as máquinas do planeta – computadores, tablets, smartphones, por exemplo. Ele está sendo substituído pelo Ipv6, que permite um número infinitamente maior de endereços – 340 tera (34x10 elevado a 13ª potência) – abrindo espaço para que cada objeto possa ter seu próprio endereço na internet e, por isso, viabilizar o IP das coisas.
Demi Getschko, um dos membros do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), lembra que, já no final dos anos 90 do século passado, ficou claro que o IPv4 deveria ser extinto, pois não haveria mais IP suficiente. “Não se extinguiu e chegamos a 2013, mas vai de fato se extinguir no ano que vem, porque a internet se defende com alguma gambiarras.”
O cientista cita medidas como a que permite a escolha de um endereço válido para esconder vários outros endereços inválidos na internet, como os IPs usados nas redes domésticas por computadores e smartphones. Na prática, são endereços reservados para o usuário internamente, mas que não são visíveis externamente. Então, todo mundo pode usar vários IPs, teoricamente invisíveis para o ambiente externo em casa, mas precisará de um outro endereço (IPv4) válido para fazer a conexão com a internet.
“Tudo estará ligado com as coisas boas e ruins que isso traz. As boas coisas, de que todos falarão: conforto para todo mundo e conectividade ampla. Coisas ruins? Privacidade em alto risco. Tudo que você faz pode ser conhecido. Tudo que seus equipamentos fazem entre si poderá ser passado para outros equipamentos. São coisas complicadas. Nossa privacidade pode estar em risco”, alerta Getschko, que participou, em dezembro, de um seminário em João Pessoa.
De acordo com Gestschko, com a nova geração de IPs, um televisor, por exemplo, poderá estar conectado ao fabricante e, quando pifar,  poderá ser consertado remotamente. Mas, por outro lado, não se sabe o que o fabricante fará com os dados coletados, como suas preferências, os programas e horários, entre outras possibilidades.
Durante sua explanação no seminário, bem-humorado, Getschko lembrou de uma charge que trazia um cachorro, em 1993, dizendo a outro que, na internet, ninguém sabia que ele era um cachorro, indicando a possibilidade de privacidade. As coisas mudaram e agora, em 2013, todo mundo sabe que, na ponta, tem um cachorro, sabe a raça, que ração consome e o nome do veterinário, disse o cientista, atualizando a charge.
Esse falso anonimato, que se dizia existir em 1993, nunca foi real. “Agora, quebra-se de vez, com todo mundo conectado e todos os equipamentos plugados”, destacou. O representante do CGI.br disse ainda que não é verdade que existam novos delitos na internet. Segundo Getschko, o que existe são novas possibilidades de investigação.
Getschko, que é considerado um dos precursores da internet do Brasil, é de opinião que o Marco Civil da Internet, discutido no Congresso Nacional, é uma vacina  para futuros problemas, pois na internet tudo que se faz pode ser notado por alguém. O cientista acredita que, se não houver limite, por ser uma rede técnica, a internet sempre permitirá que se vasculhe a vida de qualquer um.
“O pessoal que não gosta de IPv6 diz que agora todo mundo terá um endereço fixo, todos saberão o que cada um faz. Eu também tenho uma impressão digital, que é fixa e também não posso trocar. Porém, sso não quer dizer que ela tenha que ser recolhida por todo mundo”, disse o cientista, ao defender o marco civil. Para ele, existem formas de impedir a invasão de privacidade que independem da tecnologia usada. “A tecnologia pode ser invasiva, mas a lei tem que impedir isso.”
Outro ponto relevante é o uso de ferramentas que, aparentemente, não deixam traços [rastros] na internet, como o Projeto TOR, que promete navegação anônima. "Tudo isso é algo falacioso. Não deixam traço porque alguém transformou seu IP em outro IP. Mas quem transformou tem a possibilidade de guardar essa transformação”, ressaltou. Segundo Getschko, a maioria dos roteadores da Onion [do Projeto TOR] é rodada em trechos de domínio do Departamento de Estado dos Estados Unidos. “E eles querem ter aquilo na mão”, concluiu.

Edição: Nádia Franco

domingo, 18 de agosto de 2013

#ForadoEixo-SP: a vez do #UOL

A ideia parece sedutora para qualquer jovem que goste de cultura e novas experiências: morar com outras pessoas da mesma idade e com as mesmas afinidades numa casa grande onde tudo é compartilhado e feito de maneira coletiva. Essa é a proposta das casas do Fora do Eixo, nas quais os integrantes da rede vivem juntos em grupos de até 30 pessoas para economizar nas despesas de aluguel, luz, água, telefone e internet.

O sonho alternativo, entretanto, virou pesadelo para alguns ex-integrantes. Após abandonarem os locais, eles relataram proibições de se relacionar com pessoas de fora das residências, uma divisão machista de tarefas e até o uso de militantes para atrair sexualmente outros indivíduos para a rede.

O UOL visitou a casa do Fora do Eixo em São Paulo na última sexta-feira (16), dia especialmente difícil para as lideranças da rede. Após duas semanas de um bombardeio de críticas às práticas do coletivo, a revista "Carta Capital" publicou reportagem assinada por um ex-parceiro do grupo. Na matéria, uma antiga moradora da casa de São Paulo afirma que Pablo Capilé, cofundador do Fora do Eixo, utiliza a expressão "catar e cooptar" para se referir à prática de um(a) militante fingir interesse sexual para trazer ao coletivo perfis de interesse das lideranças.




"As meninas do Fora do Eixo vão processar essas pessoas [que estão fazendo as acusações]. Isso é de um machismo intolerável do meu ponto de vista. A suposição do acontecimento disso, a acusação para as meninas que estão dentro da rede, saca? É uma acusação muito grande. Você não devia falar isso numa entrevista ou dar um depoimento sobre isso. Você tinha que ir para o Ministério Público, para a polícia, denunciar para os órgãos responsáveis. Eu vou defender que as mulheres do Fora do Eixo processem todo mundo que está falando isso, porque isso não pode passar barato, não pode ficar assim", defende-se Capilé, inquieto na poltrona da sala de TV da Casa em São Paulo.

A reportagem foi recebida por Felipe Altenfelder, membro do planejamento do coletivo. De touca preta e barba por fazer, Felipe apresentou a redação da Mídia Ninja e do #PósTV nos fundos da casa, próximo ao palco onde são recebidas bandas no evento Domingo na Casa. A casa de São Paulo abriga cerca de 20 moradores, mas só metade estava no local no momento da visita. "Tem muita gente fora hoje", disse Capilé.

Continue no UOL 

Leia mais :

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Fora do eixo. Depois de Veja, na Carta Capital

Na esteira dos protestos de junho, a Mídia Ninja emergiu como uma novidade instigante, um novo modelo de jornalismo. A concepção é simples e barata: por meio de celulares, os repórteres ninjas transmitem pela internet as imagens dos acontecimentos. Não há texto nem edição, apenas os vídeos em estado bruto em transmissões que facilmente duram seis horas. Na página do grupo no Facebook, há ainda fotos dos atos.



O sucesso repentino tornou-se, porém, uma fonte de dor de cabeça. Tudo começou com a presença de dois de seus expoentes no Roda Viva, programa de entrevistas da TV Cultura, em 5 de agosto. O jornalista paulistano Bruno Torturra, até então, era a única face do Mídia Ninja, acrônimo de “Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação”. A novidade foi a presença de Pablo Capilé, criador do coletivo Fora do Eixo, guru de uma nova forma de ativismo. Ficou clara a ligação umbilical dos dois (Ninja e Fora do Eixo), antes praticamente desconhecida.

Por que essa relação virou alvo de tantas críticas? Em pequenos círculos, não é de hoje, corriam acusações contra o movimento. A exposição de Capilé amplificou as acusações nas redes sociais, espaço de excelência do grupo. Nos últimos dias, CartaCapital ouviu oito ex-integrantes e debruçou-se sobre a estrutura organizacional do coletivo. Metade deixou-se identificar. Os demais preferiram não ter seus nomes citados, por medo de represálias, mas confirmam as informações dos ex-colegas. Emergem da apuração um aglomerado controverso, acusações de estelionato, dominação psicológica e ameaças.

Nas casas, os integrantes dividem quartos, dinheiro, comida e roupas. E estão submetidos ao “processo” do Fora do Eixo. “Primeiro te isolam. Proíbem de sair na rua ´sem motivo´, impedem de encontrar amigos ou estabelecer qualquer contato com pessoas de fora. Depois, vem a apropriação de toda a sua produção. O cara sai sem grana, sem portfólio e distante dos amigos antigos. Sem apoio psicológico ou da família vai demorar a se restabelecer social e profissionalmente”, diz o fotógrafo Rafael Rolim, 29 anos, 3 deles na organização, em contato direto com Capilé. Rolim e os demais integrantes ouvidos pela revista endossam o depoimento da ex-integrante Laís Bellini, postado nas redes sociais.

A cineasta Beatriz Seigner foi a primeira a criticar o coletivo. Em texto postado no Facebook dois dias após o Roda Viva, diz, entre outros pontos, que o Fora do Eixo rompeu acordos e não lhe pagou por exibições de seu filme. Escreveu ainda sobre o volume de trabalho dos integrantes, que não teriam direito à vida pessoal ou diversão. Se disse ainda impressionada com a devoção à figura de Capilé. E comentou a repercussão: “Chegaram centenas de mensagens de coletivos e artistas do Brasil todo agradecendo o desmonte da rede. Estou aliviada."

No dia seguinte foi a vez de Laís Bellini. Segunda ex-integrante a se manifestar, seu longo relato é considerado por outros ex-membros o mais completo e fiel retrato do dia-a-dia do coletivo. Laís descreve uma estrutura radicalmente rígida e verticalizada, baseada em forte dominação psicológica. Para exemplificar, revela que foi afastada de um amigo antigo que vivia sob o mesmo teto – “Disseram: ´Laís, o Gabriel era seu amigo lá em Bauru. Aqui vocês não têm que ficar de conversa. Aqui dentro vocês não são amigos”; Laís revelou ainda o “choque-pesadelo”, prática que consiste em por uma pessoa na sala e “quebrá-la” moralmente, aos berros; a moça narrou ainda que a cúpula controla horários e saídas à rua e que o trabalho é extenuante e sem folga nem aos domingos. São vigiados até bate-papos no Facebook ou Gtalk. Laís está em meio a uma longa viagem pela América Latina, sem data pra voltar. A distância, diz, lhe deu coragem para falar. “Quando postei, tirei toneladas do ombro e comecei a chorar. Tomei coragem para dizer o que muitos têm medo mas que todos sabem que é verdade".

Um dos pontos levantados pelos entrevistados é o uso dos integrantes como uma espécie de isca sexual, o chamado Catar e Cooptar. “Há reuniões na cúpula para definir quem vai dar em cima de você e te fisgar pra dentro da rede”, afirma Laís. O designer Alejandro Vargas, que morou por 3 anos na Casa Fortaleza, dá mais detalhes: “Numa viagem rolou um papo que 'deveria ficar ali', sobre 'fazer a entrega para a rede'. Diziam: 'tem o cara ou menina mais feios, mas que trampam muito' e tem aqueles com 'mais chances de ter relações'. Tem que fazer a entrega para alimentar o estímulo de quem é menos provido de beleza, inclusive de fora da rede, para trazer para dentro”.

Rolim acrescenta: "'Catar e Cooptar' é o termo usado pelo Pablo, com todas as letras e constantemente. Eu mesmo fui proibido por ele de me aproximar de uma pessoa com quem tinha afinidade porque, 'para o processo', eu deveria estar solteiro, eu era uma boa 'isca'. Relações espontâneas entre dois integrantes, por amor, também não são bem vistas. Casais assim são pressionados a desmanchar, e é proibido ter relações com pessoas de fora da rede, a não ser por ordem superior. Capilé nega a prática. “As relações afetivas não são determinadas por regras do movimento, mas construídas por cada indivíduo, a partir dos desejos de cada um.”

O Fora do Eixo nasceu em 2005, e seu nome faz menção ao fato de a iniciativa ter começado em centros distantes de São Paulo e do Rio. Capilé é de Cuiabá. Do Mato Grosso, o coletivo expandiu-se para Uberlândia (MG) e Rio Branco (AC), e dali para outras cidades. A relação com os artistas funciona assim: uma banda iniciante entra na programação de eventos culturais do grupo e faz shows em algumas cidades. Não paga passagem, hospedagem e alimentação (fica nas casas Fora do Eixo). Em contrapartida, não recebe cachê. O dinheiro arrecadado com suas apresentações financia o movimento.

Capilé e seus apoiadores calculam 2000 integrantes, mas o Fora do Eixo se resume a sete casas (São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Belém e Porto Velho), onde vivem em média dez ativistas, ou seja, cerca de 70 no total. Há ainda algumas casas de coletivos parceiros, como em Bauru e São Carlos. Quando se soma os agregados, na estimativa mais otimista, a organização tem hoje 200 participantes.

Oficialmente, o financiamento é baseado em shows e editais do governo ou de empresas estatais e privadas. Existe, no entanto, uma terceira fonte significativa: a apropriação de dinheiro e bens particulares de colaboradores. "Solicitaram um cartão de crédito que eu tinha em conjunto com meus pais para comprar passagens. Como a confiança era total, fui induzido a compartilhar a senha. Em um mês e meio gastaram 21 mil reais no meu cartão. Compraram um Macbook Pro novo para o Capilé, o que só soube quando a fatura chegou”, lamenta Rolim.

Vargas acrescenta: “É prática cotidiana a utilização dos cartões de quem mora nas casas. E como não tínhamos salário, logo a dívida do cartão entrou no SPC e na Serasa, e até hoje tenho o nome sujo”. Laís, por sua vez, saiu com uma dívida de 5 mil reais. O FdE nega a prática de apropriação, mas reconhece o uso de dinheiro e automóveis dos integrantes. “A destinação de seus bens para o uso do processo é um ato livre. Se você tem um carro e vem para uma casa, é natural que este carro seja usado. Se você tem um cartão de credito e quer disponibilizá-lo para ações da rede, a mesma coisa”. Na última segunda-feira 12 o coletivo lançou um "portal de transparência", mas não menciona o uso sistemático do dinheiro e bens dos integrantes.

O livro de cabeceira de Capilé é uma pista para entender como ele comanda o grupo. 48 Leis do Poder, lançado em 2000 no Brasil pela editora Rocco, é direcionado a empresários e traz dicas como “faça com que as pessoas venham até você: use uma isca, se necessário” e “faça com que os outros trabalhem para você, mas leve sempre o crédito”. Outra pista, esta fornecida por Laís, é a proibição de se assistir nas casas o vídeo Controle Mental – Como se Tornar um Líder de Culto.

Capilé criou um reino particular a partir de “simulacros” do mundo real. A contabilidade virou “Banco FdE”. Eventos com debates formam uma “Universidade FdE”. Viagens viram “colunas”. O lobby político é o “Partido da Cultura”. E a comunicação tornou-se “Mídia Ninja”.

Aos 34 anos, Capilé dedica-se intensamente ao movimento. Dorme pouco, alimenta-se mal e fuma muito. Viaja tanto que, não raro, cumpre agenda em três cidades em um mesmo dia. Está sempre desconfiado e conectado, e com baterias reservas. E é dono de uma retórica eloquente e messiânica.
Há um claro projeto político, e o coletivo não deixa de exercer sua influência. O Fora do Eixo teve peso na indicação, entre outros, do secretário municipal de cultura de São Paulo, Juca Ferreira, do subsecretário estadual de cultura do Rio Grande do Sul, Jéferson Assumção, do secretário estadual de educação do Acre, Daniel Zen, e de três dos secretários municipais de Porto Velho.

A organização não discrimina espectro ideológico. Sua ampliação em Cuiabá se deu sob as asas do PSDB, quando ganhou verbas públicas na gestão de Wilson Santos na prefeitura. Nas eleições do ano passado, apoiaram o petista Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo e Mauro Nazif, atual prefeito de Porto Velho, do PSB. O senador mais próximo do grupo é Randolfe Rodrigues, do Psol. A respeito, o FdE disse não acreditar em política de governo, mas “em políticas de estado.”
A nova aposta é a Rede de Marina Silva. O coletivo esteve no lançamento da legenda em Brasília, e Torturra afirmou no Roda Viva ser marinista. Caso o partido consiga registro no Tribunal Superior Eleitoral, o plano de Capilé é lançar Torturra candidato a deputado federal pela Rede em 2014. "Ele é o nosso homem com rejeição zero", afirmou o cuiabano em mais de uma ocasião.

A relação do Fora do Eixo com parte da esquerda e dos movimentos sociais tem sido atribulada, desde antes da criação da Mídia Ninja. Alguns grupos fazem duras críticas aos ativistas por despolitizar manifestações, ao trocar causas concretas por slogans genéricos. Entre os grupos que tiveram embates com o Fora do Eixo estão Mães de Maio, o Movimento Passe Livre, o Desentorpecendo a Razão, os moradores da Favela do Moinho e o Cordão da Mentira.

Capilé costuma negar que o coletivo e a Mídia Ninja sejam a mesma coisa, mas quem esteve nas casas reafirma os laços entre os dois. “O projeto nasce e vive no Fora do Eixo, segue a mesma estrutura, tem as mesmas hierarquias e cargos. Mas tem outro nome, para evitar a rejeição que o FdE provoca. Mas quem dá o OK são as mesmas pessoas que dão OK em tudo no Fora do Eixo, e quem vai para rua cobrir são moradores das casas ou colaboradores do FdE”, esclarece Gabriel Zambon, coordenador do Ninja em Belo Horizonte até maio último.

Mesmo antes da recente leva de críticas, estava em curso um esforço para desvincular os dois. Capilé segue, contudo, confiante no poder de sedução de sua retórica e do mundo que criou. E vive a repetir: “para cada um que sai do Fora do Eixo tem dez querendo entrar".

Fonte/Autor: Carta Capital

sábado, 10 de agosto de 2013

#MídiaNinja:"Não temos essa política do calote", diz Pablo Capilé, ao UOL, sobre Fora do Eixo

    05.ago.2013 - O produtor cultural Pablo Capilé, fundador do coletivo Fora do Eixo, no programa "Roda Viva" da TV Cultura
Na semana em que o Fora do Eixo foi à berlinda nas redes sociais, o produtor cultural Pablo Capilé afirmou ao UOL, por telefone, que a rede de coletivos não é e nunca foi contra o cachê de artistas. Fundador do projeto que promove intercâmbio em produções culturais pelo Brasil, Capilé e seus parceiros receberam uma série de críticas e relatos de artistas e produtores questionando o modus operandi do grupo.

A cineasta Beatriz Seigner, realizadora do filme "Bollywood Dream - O Sonho Hollywoodiano", está entre esses ex-colaboradores. Em nota, ela acusou o Fora do Eixo de ter omitido patrocínio para a exibição de seu longa. Capilé reconhece que esse e outros casos foram erros no processo. "Por um momento alguém pode ter deixado de receber. Isso não pode ser encarado como uma política nossa. Não temos essa política do calote. É um erro que precisa ser corrigido", disse.
A moeda social do grupo (chamada de cubo card), a participação em editais, os relatos de ex-moradores das casas Fora do Eixo e as acusações de ser um chefe intransigente também entraram na conversa. "O que seria meu salário está lá dentro [do sistema da casa]. A principal fonte [de recursos] é nosso próprio investimento no processo".


UOL Entretenimento - Os coletivos que fazem parte da rede têm autonomia para captar recursos e participar de editais, ou é o Fora do Eixo que coordena isso? A rede também funciona como um caixa único?
Pablo Capilé - Cada coletivo tem sua própria autonomia e caixa própria. O Fora do Eixo só ajuda os coletivos a escrever projetos. Por exemplo, se o coletivo de Manaus está desenvolvendo algo, o Fora do Eixo ajuda o pessoal do Amapá a entender como funciona aquele projeto para fazer igual também. Mas não fazemos gestão de recursos da ponta, nada. O recurso é direto do coletivo.

O que é o Fora do Eixo?

O Fora do Eixo é uma rede de coletivos da área cultural, com a proposta de fazer um intercâmbio solidário de produção e conhecimento na produção de eventos. O grupo surgiu do Espaço Cubo, idealizado pelo produtor cultural e publicitário Pablo Capilé, em Cuiabá (MT), que passou a articular coletivos e eventos fora do eixo Rio-São Paulo, como festivais de música, cinema e teatro, entre eles o Festival Calango e Grito Rock. Recentemente, ganhou notoriedade com o surgimento da Mídia Ninja, que passou a cobrir ao vivo, via streaming, as manifestações em todo o País em 2013.

Há muitas dúvidas sobre o pagamento de serviços, bandas, técnicos, produtores e artistas. Quem participa de um evento organizado ou apoiado pelo Fora do Eixo não recebe cachê? Mesmo quando há recursos através de editais, por exemplo, os valores são repassados para os colaboradores?
Você tem milhares de artistas que se apresentam no Brasil. Se tem o show que vai acontecer no Amapá, as passagens são supercaras e, às vezes, o coletivo de lá não tem condição de pagar passagem e cachê. Então, se o cara topar, ele vai, toca e forma público. Só que a gente defende a remuneração dos artistas. Não existe uma política do Fora do Eixo contra o cachê. Quando falam 'ah, não receberam o cachê'... claro que tem exceções nesse processo, mas a regra é que o que é combinado, acontece. Isso não é só Fora do Eixo, é na produção independente no Brasil inteiro.

Isso depende se o festival tem recursos?
Tem a ver. Você tem R$ 50 mil para fazer [um festival] no Amapá, mas quatro passagens já dão R$ 15 mil. Aí você quer fazer um festival com 20 bandas. Então você conversa e nem sempre vai dar para todas as bandas receberem. Vai do artista entender se é importante formar público lá. O xis da questão é que o Fora do Eixo defende a remuneração dos artistas.

E você pessoalmente também defende? Há relatos de que você é contra artistas receberem cachês.
Eu também defendo. Há cinco anos eu dei uma entrevista falando que o mais importante em festivais é apresentar as bandas em determinadas cidades para 30 mil pessoas, para que elas voltem a fazer shows remunerados. Nunca defendi a não remuneração do artista. Mas cada caso é um caso, e cada artista negocia com cada produtor para decidir o que é melhor para ambos. Tudo que estamos fazendo é para ter sustentabilidade na música. Quando se organiza um circuito de festivais e auxilia a distribuição de CDs, a gente está defendendo uma política de sustentabilidade para eles.

De acordo com uma ficha de inscrição, relacionada na tabela de editais dos coletivos, há a informação de que vocês tiveram a entrada de US$ 4 milhões como financiamento em 2012...
Dólares?

É o que aparece nesse documento...
Ah, velho, eu não sei. Não tive acesso a esse documento. Mas isso não é o que nós temos durante o ano no Fora do Eixo.

Quanto é?
Eu não tenho o número exato, mas esse número não corresponde. Isso aí pode ter sido alguém que escreveu o projeto, não fui eu que escrevi. A rede é grande, alguém pode ter escrito isso para um edital... não sei como foi feito isso aí. A rede é distribuída, o sistema de gestão é um fluxo, né? Não é um panteão de empresas que todo mundo é ligado pelo mesmo caixa. É difícil dimensionar quanto circulou ao todo. É um recurso que circulou lá na ponta e a gente só ajuda eles a entender como esquematizar isso melhor.

Pablo Capilé explica o Fora do Eixo no "Roda Viva"

A "ponta" que você diz é o projeto em si?
Isso, é o coletivo do Amapá, o Goma, por exemplo. O que eles arrecadam fica direto para eles. Mesmo sendo uma ponta no Fora do Eixo, ele não manda esse recurso para nenhum outro tipo de gerenciamento.

O Fora do Eixo em si não recebe nenhum valor nem porcentagem em cima desses recursos?
Nenhuma porcentagem, nenhum valor. Mas às vezes é óbvio que o coletivo de Uberlândia pode emprestar recursos para o coletivo de Manaus. A gente tem um banco que ajuda as duas pontas dialogarem.

É o Banco Fora do Eixo?
É da soma dos coletivos. Cada coletivo também tem um banco, e a soma desses bancos a gente chama de Banco Fora do Eixo. Serve para eles trocarem informações. Um tem a solução e o outro tem o problema, cada um se fortalece.

Como funciona o "cubo card"?
O cubo card é a verdadeira moeda que nos financia. Eu moro em uma casa Fora do Eixo, em São Paulo, que custa R$ 20, 25 mil por mês. Como moram muitas pessoas lá, o custo de cada uma é de R$ 1 mil, mas cada uma faz mais do que isso por mês. É isso que nós chamamos de card. A gente tem um serviço de transmissão ao vivo que no mercado normal custa R$ 5 mil, só que a gente transforma isso em card e oferece isso a parceiros quando eles precisam. Por exemplo, o coletivo do Amapá tem um serviço de design e o coletivo Mundo, lá em João Pessoa, tem o serviço de transmissão. Cada valor tem um serviço e eles vão trocar serviços, então a moeda serve para entender essa troca. Se fosse circular só em real, não ia dar a noção verdadeira do que está sendo movimentado ali. Se fosse em um lugar normal, as pessoas estariam recebendo salário, cerca de R$ 1 mil, mas como ele está no coletivo e não tem um salário, o cubo card é o que vale.

Os próprios colaboradores usam esse card para comprar coisas mais triviais, do dia a dia, como alimentos?
Tem alguns lugares que tem serviços integrados, mas o mais importante do card é o pedagógico. Isso faz as pessoas entenderem que aquilo vale mais do que entrou em real. O card é basicamente uma compreensão de quanto custa aquele serviço disponibilizado. Cada R$ 1 que entra, a gente multiplica por 10 e consegue visualizar como fazer aquilo com pouco.

E como vocês conseguem pagar o custo das casas?
Tem uma série desses serviços que a gente oferece também em real. Coletivo com coletivo fazem troca de serviço, mas se você tem outro parceiro que quer contratar um serviço, também dá. A gente faz palestras remuneradas em alguns lugares, organizamos festivais, fazemos transmissão ao vivo. A soma dos serviços dessas 2 mil pessoas subsidiam as casas, mas tem editais públicos também.

Então o próprio Fora do Eixo também recebe recursos públicos.
A Universidade Fora do Eixo tem o patrocínio da Petrobras. A gente tem a Rede Brasil de Festivais, que começou no Fora do Eixo, mas incentivamos e agora ela anda com as próprias pernas e recebe recursos públicos. Em cada projeto, o recurso é investido no plano de trabalho. Por exemplo, na Universidade tem que promover tantas oficinas, debates, fazer intercâmbios pelo país. Todo esse recurso é voltado para o trajeto que está no plano de trabalho. A Universidade facilita a circulação de pessoas entre os coletivos.

Você leu todos os relatos e críticas ao Fora do Eixo que surgiram essas semanas? Um dos casos mais compartilhados foi o da cineasta Beatriz Seigner. Ela acusou a rede Fora do Eixo de tê-la enganado sobre exibições da produção e omitido patrocínio.
Pelo valor da demanda e o número de pessoas que trabalham, é um processo que é passível de erro. Por um momento, alguém pode ter deixado de receber, um coletivo não pagou o outro. Isso faz parte do processo. Isso não pode ser encarado como uma política nossa. Não temos essa política do calote. É um erro que precisa ser corrigido. Estamos em processo, temos gente no Brasil inteiro. É uma rede em formação.

Você já tinha conhecimento dessas acusações?
Tem várias pessoas cuidando de coisas diferentes. Eu não tenho condições de ter noção de todas as informações. A gente também está trabalhando para que isso não aconteça com frequência. Mas, no caso dela, ela disse ter recebido depois, não?

Ela disse que cobrou publicamente e recebeu nove meses depois. E tem o caso do cantor Daniel Peixoto...
Ele diz que o CD dele foi registrado em outro ISRC [registro das músicas] e que o recurso não foi para ele. O Daniel não era filiado a nenhuma entidade arrecadadora filiada ao Ecad. Como ele queria lançar o disco com a gente, um dos coletivos de São Carlos tinha como fazer esse cadastro e registrou. Esse foi o equívoco: foi registrado em nome de outra banda. Daniel alega que o Fora do Eixo ficou com esse recurso, mas esse recurso fica retido no Ecad. Quando ele regulariza a situação dele com uma arrecadadora, o Ecad repassa esse valor para ele. Ele alega também que teve uma distribuição de CDs e o recurso não foi repassado, mas não tem mais distribuidora de CDs no Brasil, houve um esforço nosso para que isso acontecesse. Alguns foram distribuídos e outros não entraram na prestação de contas. Isso foi feito a posteriori. Como se está tentando dar solidez na distribuição, nem sempre vai dar contento. A regra é facilitar a vida do artista, mas é uma engenharia muito complicada. Se a gente fosse um coletivo só, com algumas ações apenas, teríamos resolvido de modo mais fácil. Mas como são muitas ações, a possibilidade de ter algumas exceções existe. O que não podemos é transformar essas exceções em erros.

Pablo Capilé fala do uso de verbas públicas no Fora do Eixo

No programa "Roda Viva" você disse que cerca de 3 a 7% dos recursos dos coletivos vêm de editais públicos...
Isso. Na real, a gente não é o Estado. O Estado é quem precisa estar dentro da lei da transparência, mas damos o maior número de informações possíveis. A gente presta conta para os órgãos responsáveis, senão seríamos processados. É o único que temos essa obrigação. Nosso banco tem as contas abertas para todo mundo. Não é uma obrigação, mas a gente se esforça para computar qual é a porcentagem de recursos públicos que existe dentro de uma rede como essa. Como o coletivo faz sua própria gestão, não tem como saber exatamente. Um serviço de hotelaria, que recebe subsídio público, não presta contas assim. A gente se esforça para isso, por isso as pessoas cobram

Mas no site de vocês não tem essa informação.
A gente vai lançar um site do Fora do Eixo para tentar disponibilizar o maior número de informações. O que temos é algumas planilhas abertas de forma difusa, sem organização. Eles estarão nesse portal. Quando formos aprovados em um edital, vai entrar nesse portal, já com o plano de trabalho para as pessoas acompanharem.

Vocês tiverem essa ideia nesta semana?
Há uns 30 dias. A gente jogou a ideia, muita gente apoiou e um grupo de desenvolvedores está nesse projeto. A gente produz 300 [eventos] Grito Rock, temos uma estimativa de 3 milhões [de eventos]. É difícil computar quanto circulou em cada Grito. Não é uma conta simples.

Pretendem divulgar também as doações particulares? Parece ser uma grande porcentagem.
Existe um caixa coletivo em cada casa e as pessoas moram nessas casas. Eu sou uma dessas pessoas. O que seria meu salário está lá dentro, então essa é minha doação particular. O Fora do Eixo não me paga um salário. Eu invisto isso no próprio processo. A principal fonte é nosso próprio investimento no processo.

Algumas pessoas relataram que Fora do Eixo adota meios centralizadores de organização, deixando pouca margem ao diálogo.
Eu desafio as pessoas a acharem uma rede que tem tantos parceiros e dialoga com tanta gente como o Fora do Eixo. Eu acho complicado acreditar que tem uma juventude que está no dia a dia trabalhando a não ser pela satisfação de estar ali. Agora, se entre 2 mil pessoas que atuam diretamente, cinco não ficarem satisfeitas, isso não significa o todo. Ao mesmo tempo, não quer dizer que não tenhamos que avaliar as críticas. Nem o céu, nem a terra. Precisamos fazer uma avaliação para que isso não volte a acontecer. É que nem a história dos cachês, não é uma ironia nossa, saca? Nem todas as expectativas das pessoas que estão ali vão ser cumpridas, como qualquer coisa do mundo. Mas está longe de ser a regra. É só conversar com as pessoas que moram lá. Teve várias manifestações das pessoas do Fora do Eixo também nas redes. Isso não significa que vamos reprimir essas manifestações contrárias.

Existem pessoas que dizem ter morado na casa ou participado da rede e que relatam pressão psicológica, até mesmo cerceamento de liberdade com os integrantes. Nesses textos, você é também apontado como um chefe intransigente.
Não, cara. Ninguém fica obrigado em um ambiente como esse. As portas estão abertas o tempo inteiro. Se a rede continua sólida, com cada vez mais gente entrando, é porque o índice de satisfação é grande. Não tem razão você ficar em um lugar em que o cerceamento acontece. O número de pessoas que está lá dentro traduz melhor que minha explicação. Deve ter tido uma ou outra experiência que a pessoa ficou desconfortável. Como esses depoimentos são maiores que as pessoas que estão lá, de 18 a 30 anos, e que podem fazer qualquer coisa da vida? É claro que vamos olhar para ver o que podemos melhorar para que essa interpretação não aconteça. Não se analisa um processo desse pela regra da perfeição. São seres humanos que estão dialogando.

Tem até uma criança morando lá?
Não é isso. As pessoas casam, namoravam, tem filhos. Não é uma casa de marte. É uma casa normal.

O que aconteceu com a favela do Moinho? Há relatos de que vocês não são bem vindos lá.
Tem dois casos lá. Um deles alega que a gente teria feito um evento no Studio SP [casa de shows] em prol da favela do moinho e não repassamos o recurso. Esse evento nunca existiu. Não tivemos envolvimento nenhum com isso. A outra questão que teve foi um evento que aconteceu lá. Recebemos pedidos para ser apoiador de dezenas de iniciativas e um fórum de mulheres solicitou que um dos eventos fosse feito na Casa Fora do Eixo. Depois, ligaram dizendo que não precisava mais, mas o logo do apoio eles mantiveram no panfleto. Eles estavam acusando a gente de ter recebido esses recursos, mas o apoiador é quem investe, não quem recebe recursos.

Há conflitos com outros coletivos de esquerda e movimentos populares?
A gente tenta travar o maior número de parcerias, também somos da periferia do Brasil. Sou de Cuiabá, no Mato Grosso. A gente busca se inserir, mas se tem alguma insatisfação, eu não sei.

Recentemente você postou uma foto com Lula. Como foi esse encontro? Foi em busca de uma parceria com o Instituto Lula?
A gente dialoga com todo mundo, com centenas de deputados e senadores do Brasil, com o Randolfe [Rodrigues], com a Marina [Silva], com o [Marcelo] Freixo. O Lula é ex-presidente da República, né? Para nós é uma coisa normal. Não temos uma parceria, mas também não nos vemos inviabilizados de um dia ter.

Auto/Fonte:  UOL Entretenimento

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

#Chromecast coloca os vídeos da internet em sua TV, sem gastar muito

De acordo com a PCWorld, a Google não tem lá o melhor histórico na sala de estar: a Google TV foi uma boa idéia para adicionar a Internet à familiar experiência de assistir TV, mas não “pegou”. Os consumidores não se entusiasmaram, poucos fabricantes suportam a plataforma com seus aparelhos e muitos provedores de conteúdo bloquearam o acesso a seus filmes, séries e músicas usando os aparelhos. E o Nexus Q, que foi anunciado durante a conferência Google I/O em 2012, nunca chegou ao mercado.

Em sua terceira tentativa de levar vídeo online para a TV, a Google pensou pequeno. O Chromecast (US$ 35 nos EUA, ainda não disponível no Brasil) é um aparelhinho do tamanho de um pendrive que é plugado a uma porta HDMI de uma TV e permite reproduzir filmes, séries, músicas e fotos disponíveis na internet em sua TV. Ele é controlado usando qualquer smartphone ou tablet com Android ou iOS, um Mac ou PC com o navegador Google Chrome ou um Chromebook.

É conveniente
O Chromecast não tem um controle remoto, nem uma interface própria. A configuração é fácil e basta seguir alguns passos: o primeiro é plugar o aparelho a uma porta HDMI em sua TV. Se ela for uma porta HDMI 1.4+ MHL, provavelmente será capaz de alimentar sozinha o aparelho. Mas esse é um padrão recente, e a maioria dos usuários irá precisar conectar o cabo micro USB incluso na embalagem ao Chromecast e a uma porta USB livre na TV ou, se não houver uma porta USB disponível, a um carregador (também incluso na embalagem) plugado à parede.
chromecast_plugada-600px.jpg
Chromecast plugado à TV. Note o cabo USB usado para alimentação
Depois é necessário visitar um site em seu smartphone Android ou no navegador Google Chrome em seu Mac ou PC. Lá você irá baixar um pequeno app para completar a configuração, dando um nome ao seu Chromecast e conectando-o à sua rede Wi-Fi.
Para controlar o Chromecast você irá usar apps que já conhece e provavelmente já estão instalados em seu smartphone, tablet ou computador: Chrome, Netflix, YouTube e os apps de conteúdo da Google, Google Play Filmes e Google Play Music. Para transmitir uma aba do Chrome para sua TV (algo que a Google chama de “casting”) é necessária uma extensão para o navegador chamada Google Cast, que adicionará um botão à barra de ferramentas.
A idéia é que você controla o Chromecast com os mesmos apps que já usa. E de fato, nunca tive de fazer login ou digitar senhas no Netflix e YouTube, algo que é um incômodo em uma Apple TV. Os apps já sabiam quem sou, e em um instante eu estava pronto para transmitir ou, como diz o papel de parede do Chromecast: “ready to cast”.
chromecast_netflix-500px.jpg
Barra azul no topo do app do Netflix mostra o que está sendo transmitido
E porque a Google chama o ato de transmitir conteúdo de um smartphone, tablet ou PC para o Chromecast de “casting”, em vez de “streaming”? É que ao contrário do AirPlay em dispositivos iOS e na Apple TV, que transmitem conteúdo diretamente de seu gadget para a TV, quando você diz ao Chromecast para tocar algo ele vai diretamente à internet para buscar o conteúdo. Seu aparelho não transmite nada além de uma ordem como “toque o vídeo que está neste site”.

Com isso você fica livre para abrir um outro app em seu smartphone ou tablet, ou continuar usando o navegador em seu notebook, enquanto um vídeo toca. Pode até mesmo sair de casa e ele vai continuar tocando. De fato o app do Netflix permite que você comece a tocar um vídeo em um aparelho e depois assuma o controle em qualquer outro conectado à mesma rede Wi-Fi.

É divertido
Quando você usa o app do YouTube pode continuar procurando por mais vídeos enquanto o primeiro toca: quando você seleciona um outro vídeo a opção “Add to TV Queue” (Adicionar à fila da TV) aparece, e basta um toque para criar uma playlist. Qualquer pessoa usando o app do YouTube no Android e iOS em um aparelho conectado à mesma rede Wi-Fi do Chromecast pode adicionar vídeos à lista, o que numa festa acaba gerando uma sequência infindável de videoclipes, comerciais antigos, memes e mais vídeos de gatos do que você pode imaginar. Esperamos que mais apps, como o Rdio ou Spotify, adicionem suporte a estas “playlists em grupo”.
chromecast_fila-500px.jpg
Basta um toque para adicionar um vídeo à fila no YouTube
É legal
O fato de que o Chromecast pode ligar sua TV e mudar o canal sozinho, sem que você sequer tenha de chegar perto do controle remoto, lhe dá um fator “uau!” que nunca vi em uma set-top box tradicional. Para isso o aparelho usa um recurso da especificação HDMI chamado CEC (Consumer Electronics Control - Controle de Eletrônicos de Consumo) que permite que um aparelho envie sinais a outro.
Mas nem todas as TVs suportam este recurso, e cada fabricante de TV tem um nome próprio para o CEC: a Toshiba chama de Regza Link, a Sharp de Aquos Link, a Sony de Bravia Link, a LG de Simplink, a Samsung de Anynet+ e por aí vai. Talvez seja necessário fuçar os menus de configuração de sua TV para ativar o CEC. O recurso funcionou com minha TV LCD da Toshiba, um modelo produzido em 2007 que não é “smart”, não é particularmente fina e sequer tem portas USB, mas agora pode despertar sozinha com um toque na tela de meu smartphone.

É poderoso
A habilidade de enviar o conteúdo de uma aba do Chrome para a TV (que, tecnicamente, ainda está em beta) funciona bem, desde que sua rede Wi-Fi esteja à altura da tarefa. Experimentamos alguns “crashes”, que diminuíram dramaticamente depois que tiramos o Chromecast da saturada rede Wi-Fi de nosso escritório e o colocamos em uma rede doméstica com menos aparelhos e menos fontes de interferência. Seus resultados podem variar, e em caso de problemas não se esqueça de tentar mudar a posição do Chromecast, já que mesmo que sua rede seja rápida o suficiente paredes e a própria TV podem bloquear o sinal de Wi-Fi. A Google inclui com o Chromecast um cabo extensor de HDMI que você pode usar se necessário, e no meu caso o Chromecast conseguiu melhor sinal de Wi-Fi quando conectado à uma porta HDMI na lateral da TV, em vez de uma das portas traseiras.
chromecast_acessorios-600px.jpg
Chromecast vem acompanhado por fonte de alimentação, cabo USB e extensor HDMI
Todos os sites que experimentei no Chrome pra Mac funcionaram no Chromecast, incluindo sites de emissoras de TV, de notícias, Flickr, Rdio e serviços de streaming como o Hulu Plus (não disponível no Brasil). A única coisa que não funcionou foi o streaming ao vivo de um concerto do Phish, devido a restrições de reprodução e proteção anticópia.
Dá até pra tocar vídeos armazenados em seu computador se você abrí-los dentro do Chrome, desde que não estejam em formatos que exigem plugins proprietários como o Flash ou Silverlight. A Apple TV também permite a reprodução de conteúdo local, mas ele precisa estar em um formato suportado pelo iTunes.
Quando você clica no botão “Cast” no canto superior direito da janela do navegador para enviar uma aba para o Chromecast, ele não espelha todo o seu desktop como faz uma Apple TV. Em vez disso um navegador embutido no Chromecast abre a mesma URL mas mostra apenas o conteúdo, sem as barras de menu e a interface do navegador. Você precisa deixar a aba aberta em seu Mac ou PC para que o conteúdo continue sendo mostrado no Chromecast, mas pode abrir uma nova aba no navegador e continuar fazendo outras coisas sem interromper a “transmissão”.
chromecast_casting-600px.jpg
Basta clicar em um ícone no Google Chrome para enviar o conteúdo de uma aba do navegador para a TV
A sincronia entre o computador e o Chromecast não é exata: há um atraso de alguns segundos já que a aba tem de ser carregada de forma independente, e ações como rolar a página ou clicar em um item demoram um pouco para serem registradas pelo Chromecast.
Não é perfeito
O Chromecast não tem um controle remoto, e isso pode ser um problema. Se ele já está tocando um vídeo, pode exemplo, você tem de se lembrar em qual app o abriu e retornar até ele para assumir novamente o controle do aparelho. Mas como a lista de apps compatíveis atualmente é limitada ao Chrome, Netflix, YouTube, Play Filmes e Play Music isso não é um grande problema, e quando você está usando o Netflix ou um dos apps no Google Play em um aparelho Android os controles de reprodução aparecem também na tela de bloqueio do aparelho.
chromecast_lock-500px.jpg
Alguns apps, mas não todos, mostram controles de reprodução na tela de bloqueio
O Chromecast não tem recursos de segurança: não é possível definir uma senha para o acesso, então você terá de usar os recursos de segurança de sua estrutura de rede para protegê-lo. E qualquer aparelho conectado à mesma rede do Chromecast pode vê-lo e controlá-lo, e até mesmo interromper a reprodução de um vídeo. Isso significa que um irmão pestinha pode interromper a maratona de Glee da irmã mesmo estando em outro cômodo.

Veredito
No momento o Chromecast não faz nada que alternativas como a Apple TV não fazem, mas sua implementação do YouTube é melhor, e seu suporte a conteúdo comprado (ou alugado) no Google Play o torna uma compra imediata se você já investiu nesse ecossistema. E seu suporte a múltiplas plataformas o torna ideal para casas que tem um conjunto variado de aparelhos. E o preço, apenas US$ 35 nos EUA, o torna quase que uma compra de impulso.
Se você ainda não tem um aparelho para assistir vídeo via streaming na TV, ou se tem um mas ele não oferece tudo o que você quer assistir, o Chromecast pode ajudar a preencher a lacuna. Ele torna a tarefa de assistir vídeo online tão simples quanto o apertar de um botão, e mesmo que este botão não esteja presente em muitos apps, a possibilidade de transmitir uma aba do Chrome, e seu conteúdo, para a TV é suficiente para mantê-lo grudado no sofá, aproveitando todo os vídeos que a Internet tem a oferecer.

Autor/Fonte: PCWorld

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Cadê o #Latitude?

O Google Latitude não faz mais parte do aplicativo do Google Maps e será desativado completamente em 09 de agosto de 2013.

No entanto, mesmo com as recentes denúncias de invasão de privacidade, o Google sabe que muitos usuários adoram o compartilhamento da localização com a família e amigos. É por isso que adicionou alguns dos recursos de compartilhamento de localização favoritos ao Google+.

Compartilhar sua localização com seus círculos e amigos

No aplicativo do Google+, acesse Configurações > Compartilhamento de local para escolher com quais círculos e amigos você gostaria de compartilhar sua localização. Lembre-se de ativar o Relatório de Localização em seu dispositivo.

Ver seus amigos em um mapa

Você pode ver seus amigos em um mapa acessando a guia "Locais" no aplicativo do Google+.


Você também pode ver um resumo das localizações de seus amigos tocando em "Listar todas as pessoas". Peça a seus amigos que compartilhem suas localizações com você ativando o compartilhamento de local.
Saiba mais sobre o compartilhamento de local usando o Google+.

Fonte: Google

terça-feira, 28 de maio de 2013

Gmail será o próximo serviço Google a ter mudanças ?



O Gmail pode ser o próximo serviço do Google a receber um novo desenho, segundo informações do site The Next Web (TNW), publicadas aqui no Brasil pela Info.

O site obteve acesso a imagens de tela do suposto redesenho do serviço de e-mail do Google, que traria cinco novas abas para organizar melhor as mensagens. As mudanças estariam disponíveis para a versão web e também para os aplicativos Android e iOS do Gmail.

Segundo as informações, o novo Gmail traria algumas abas como padrão. As categorias seriam: Principal, Social, Ofertas, Notificações e Fóruns.
Na aba “Principal” os usuários devem encontrar mensagens de amigos, familiares e assuntos marcados como importantes. Já na aba “Social” estariam todos os e-mails relacionados às mídias sociais, incluindo mensagens vindas do Twitter, Facebook, Google+, entre outros.
Se o usuário costuma receber muitos e-mails de revendedores ou sites de compras, o Gmail irá marcar essas mensagens na categoria “Ofertas”. Já e-mails importantes sobre contas a pagar, reservas para jantares e alertas de viagem serão incluídos na aba “Notificações”. E se o usuário participa de fóruns ou listas de e-mail, estas mensagens serão encontradas na aba “Fóruns”.

As imagens reveladas pelo TNW foram obtidas durante uma palestra realizada no Google I/O, que explicava as mudanças no Gmail e como o serviço iria obter um novo desenho para navegação. Nas fotos é possível observar a inclusão das novas categorias, além dos já conhecidos marcadores.
As mudanças teriam como objetivo melhorar a filtragem e rotulação das mensagens que recebemos por meio do serviço do Google. De acordo com o site, as mudanças podem ser esperadas pelos usuários dentro das próximas semanas.