A Era Digital viabiliza novos métodos de persuasão. Agora, não é mais preciso repetir uma mentira mil vezes para que pareça verdade, como defendia o propagandista nazista Joseph Goebbels. Com a ajuda da big data (grande conjunto de dados armazenados), candidatos podem aferir desejos íntimos de cada pessoa, oferecer mensagens personalizadas e adotar os formatos que mais lhe atraem. Tudo isso em escala industrial.
O uso desse tipo de técnica chamou a atenção durante a campanha eleitoral norte-americana. No Brasil, a utilização da big data por políticos está só começando. Responsável pela campanha virtual de Donald Trump, a empresa Cambridge Analytica já está em atividade também no Brasil, onde firmou parceria com a CA Ponte. Entre os serviços oferecidos, estão, segundo o site da empresa, pesquisa de mercado, para descobrir “como a sua audiência pensa e se comporta”; integração de database para centralizar “seus diferentes bancos de dados para trazer muito mais valor a eles”; data analytics, que permite conhecer “profundamente a sua audiência”; segmentação da audiência, a fim de prever “segmentos da população com maior afinidade com a sua campanha” e comunicação segmentada, desenvolvendo “campanhas multi-canais para engajar segmentos prioritários”.
Assim como a CA Ponte, várias empresas disponibilizam serviços desse tipo. Até a eleição passada, o pagamento pelo impulsionamento de publicações para determinados públicos na rede não era permitido. A reforma eleitoral permite o impulsionamento, mas ainda há controvérsia. O texto aprovado pelo Congresso Nacional dispõe que é “vedada a veiculação de qualquer propaganda paga na internet, excetuado o impulsionamento de conteúdos”.
No dia 18 de dezembro, o TSE divulgou resoluções que detalham as regras eleitorais, inclusive sobre o ambiente virtual, e manteve limites à propaganda na internet. De acordo com o tribunal, as propagandas somente poderão aparecer nos sites de candidatos, partidos e coligações, sendo vedada em páginas que pertençam a pessoas físicas ou empresas privadas. Todas as resoluções podem ser modificadas até o dia 5 de março, prazo final para publicação das regras eleitorais.
Antes, o contato com os eleitores ocorria essencialmente “de forma analógica”, a começar pelo diálogo direto com a população, o chamado corpo a corpo. Além disso, pesquisas feitas por diferentes institutos buscavam captar informações sobre os eleitores.
Há, contudo, diferenças questionáveis em relação ao que era feito e o que tem passado a ser viabilizado pelas novas tecnologias, na opinião do coordenador da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), Fernando Neisser. Antes, todos esses materiais poderiam ser conhecidos, o que permitia aos eleitores saberem as ideias dos políticos. Agora, eles podem escolher apresentar conteúdos para uns, sem que outros tomem conhecimento disso.
Na principal rede social existente no Brasil, essa estratégia pode ocorrer por meio do chamado dark post. Trata-se de uma publicação patrocinada segmentada para um grupo específico de pessoas e que não aparece na timeline da página que gerou esse conteúdo. Isto é, um candidato pode dizer que defende a legalização da maconha para pessoas que concordam com essa ideia e falar exatamente o contrário para aquelas que discordam, sem que essas opiniões sejam visíveis para quem procurar na página dele informações sobre propostas.
Além de afetar o eleitor individualmente, o direcionamento excessivo pode prejudicar o debate na sociedade. É o que aponta a integrante da organização Actantes, Patrícia Cornils. “Tomemos como exemplo o Jornal Nacional. Todos nós podemos assistir e, a partir disso, construir uma crítica ou uma concordância sobre os conteúdos. Já essa propaganda direcionada é absurdamente fragmentada. Só quem está fazendo e direcionando sabe quem a está recebendo. Como é que você cria um debate público sobre as políticas?”.
O tema foi discutido durante o Seminário Internet e Eleições, promovido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) este mês. O tribunal, que criou Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições, escutou de especialistas propostas para garantir um pleito democrático e transparente. Nesse sentido, Fernando Neisser propôs que a regulamentação do novo artigo da reforma eleitoral que libera o impulsionamento de publicações na internet aborde essa questão, fixando que “os candidatos podem impulsionar conteúdos, desde que eles sejam públicos”.
Dados pessoais
Para que o direcionamento seja efetivo, diferentes empresas usam os dados que todos produzimos ao clicar em anúncios e visitar sites, entre outras ações dentro e fora da rede. À Agência Brasil, o Facebook informou que não vende dados pessoais dos usuários. O próprio administrador de uma página, contudo, pode saber quem e quando acessou determinada página; se posts com vídeos ou fotos obtiveram maior alcance etc. E as empresas de big data trabalham a partir desse tipo de informação, cruzando-as com outros bancos de dados.
Para Patrícia Cornils, os usuários brasileiros “estão extremamente vulneráveis” a esse tipo de prática comercial porque não há, no país, leis voltadas à proteção dos dados pessoais. A Actantes e outras organizações articuladas em torno da campanha Seus Dados São Você cobram a aprovação de medidas que possam garantir privacidade e controle dos cidadãos sobre suas próprias informações. O cenário eleitoral poderia ser mais transparente e democrático “se você tivesse uma lei de proteção que definisse a autonomia dos usuários sobre os dados, a transparência das empresas e também criasse a possibilidade de denunciar abusos”, pondera.
No Congresso Nacional, tramitam diversos projetos sobre o tema. O principal está em análise na Câmara dos Deputados, que criou uma comissão especial voltada a analisar o PL 5276/2016, que dispõe sobre o tratamento de dados pessoais para a garantia do livre desenvolvimento da personalidade e da dignidade da pessoa natural. Para que essa proteção seja desenvolvida também pelos próprios usuários, a organização Artigo 19 criou uma série de vídeos ensinando como se proteger ao utilizar jogos, buscadores e aplicativos.
Não vale tudo
Preocupadas com o uso abusivo das tecnologias nas eleições, diversas organizações – entre as quais o Instituto Update, AppCivico, a InternetLab e a Agência Lupa – lançaram uma campanha intitulada Não Vale Tudo. Na carta que apresenta a iniciativa, destacam que o uso de dados é valioso para potencializar o diálogo entre candidatos e cidadãos, mas que seu uso deve ser realizado com responsabilidade. “Somos contra o roubo ou compra de dados de terceiros sem consentimento. Precisamos ter certeza de que a coleta de dados pessoais é o resultado da mobilização da campanha, sendo tais informações cedidas de forma consciente e informada”, informa o texto.
As instituições argumentam que é preciso que os cidadãos tenham acesso a informações detalhadas sobre que tecnologias os candidatos utilizarão nas eleições. Integrante da AppCivico, Thiago Rondon propôs, durante seminário no TSE, no início deste mês, sobre internet e eleições, que essa lista seja cobrada na prestação de contas dos candidatos. Entre os itens que deveriam ser informados, estão: softwares, aplicativos, infraestrutura tecnológica, serviços de análise de dados, profissionais e empresas envolvidas na construção e consultoria da nossa campanha. “Além da prestação de contas financeira com doações e fornecedores, é necessário também uma transparência detalhada das tecnologias utilizadas em uma campanha”, diz outro trecho da carta.
Facebook
Participante do Seminário Internet e Eleições, a representante do Facebook, Monica Rosina, disse que a empresa colabora com a Justiça brasileira e que tem desenvolvido mecanismos para dar mais informações sobre a publicação de anúncios na rede.
Citando o Marco Civil da Internet e sua política de limitar a responsabilização das plataformas pelos conteúdos postados por terceiros, ela argumentou que “não cabe ao Facebook, como ente privado, substituir o papel do juiz, que é o de decidir quanto à licitude ou ilicitude de tal conteúdo”.
A empresa, de acordo com Rosina, tem acatado as decisões judiciais e dialogado com o TSE sobre as novas regras. Nesse sentido, elogiou proposta, em discussão na corte, de apontar a necessidade de apresentação do endereço virtual, a URL, como requisito para validade de ordens judiciais que prevejam a remoção de conteúdos.
Com esse mecanismo, se um conteúdo for apontado como violador de direitos, apenas ele poderá ser indicado e suprimido, se for esta a decisão judicial. Para a advogada, esse tipo de ação preserva o equilíbrio entre a liberdade de expressão e outros direitos, além de garantir celeridade no cumprimento das ordens.
Questionada pela Agência Brasil sobre a possibilidade de veto ao chamado dark post, a empresa indicou que tem ampliado seus mecanismos de transparência e que eles devem ser testados no Canadá. Não há previsão para adoção deles no Brasil.
Em resposta à reportagem, a empresa Google afirmou que não tem serviço exclusivo e dedicado a candidatos. Questionada sobre a possibilidade de eles contratarem serviços que priorizem a própria aparição no mecanismo de buscas, a companhia detalhou que foram feitas mudanças no rankeamento das informações. “Combinamos centenas de indicadores para determinar quais resultados mostramos para uma determinada busca – dos conteúdos mais recentes ao número de vezes que seu termo de busca aparece na página. Ajustamos nossos indicadores para ajudar a trazer páginas mais confiáveis e rebaixar conteúdo de má qualidade”, diz a companhia.
Em relação aos anúncios, acrescentou que os resultados de pesquisa são exibidos como links em páginas de resultados e não fazem parte das soluções de publicidade do Google, ao passo que os comerciais são exibidos com o rótulo "Anúncios" e podem ser dispostos em locais próximos aos resultados de pesquisa gratuitos. A companhia publicou na rede o relatório Como Combatemos Golpes, Anúncios e Sites Enganosos em 2016.
A Google também foi questionada sobre sua política de tratamento de dados pessoais. Ela disse que não vende dados de usuários e que os utiliza “para exibir anúncios que sejam úteis aos usuários, conforme as configurações de anúncio escolhidas pelos próprios usuários, mas não vendemos dados pessoais”. A íntegra da política de privacidade adotada atualmente está disponível na internet.
A Agência Brasil entrou em contato com a CA Ponte, mas foi informada de que o porta-voz da empresa não tinha agenda disponível para entrevista.
Edição: Talita Cavalcante
Agência Brasil
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
Robôs chegam às eleições
A internet hoje é a segunda fonte de informação mais popular no país, segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia 2016 – Hábitos de Consumo de Mídia pela População Brasileira, da Presidência da República. Por meio da rede, citada por 89% dos entrevistados, é possível obter informações mais diversas do que aquelas disponíveis, por exemplo, nos poucos canais de TV aberta existentes no país. Porém, na rede mundial de computadores diferentes grupos têm usado artifícios para influenciar os debates ou ajudar a “viralizar” (disseminar) informações que lhes interessam, muitas vezes, sem que as pessoas que recebem os conteúdos saibam desses procedimentos.
O coordenador do Comitê, Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), Maximiliano Martinhão, alerta que no próximo ano, durante a campanha eleitoral, a internet “sediará” esses debates. “Muitos dos embates entre planos de governo, propostas políticas, transparência e ética acontecerão nesse ambiente, fazendo com que o espaço de debate político criado por provedores de aplicações de conteúdos na internet se consolide cada vez mais como parte da esfera pública”. Diante disso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou o Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições, com a atribuição de pesquisar, analisar e formular ações em relação a questões emergentes como as notícias falsas, as fake news.
Essas informações, contudo, são apenas a face aparente de um fenômeno mais profundo e relacionado à forma como determinados conteúdos circulam e ganham projeção na internet. Por trás do que vemos em múltiplas telas, há empresas de serviços de análise de dados, robôs e outros softwares e aplicativos que podem gerar a ampliação de determinados posicionamentos de forma artificial. O tema foi debatido no Seminário Internet e Eleições, promovido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) este mês. No fórum, o ministro Luciano Fuck demonstrou preocupação com a existência da “fazendas de likes”, empresas que são contratadas para gerar “curtidas” em publicações de seus clientes.
Durante o seminário, a Fundação Getulio Vargas apresentou o estudo Robôs, Redes Sociais e Política no Brasil, publicado este semestre. O levantamento mostra como robôs ou bots (perfis falsos presentes em mídias sociais) são capazes de distribuir, em escala industrial, mensagens pré-programadas, e concluiu que contas automatizadas motivam até 20% de debates em apoio a políticos no Twitter. A pesquisa mostra que partidários de todos os espectros políticos têm usado esse tipo de tecnologia.
De acordo com o estudo, a disputa política, nos próximos anos, pode ser influenciada por essas técnicas. Segundo o coordenador da pesquisa, Marco Aurélio Ruediger, para evitar que isso ocorra, é importante que os provedores de rede garantam um ecossistema digital saudável. Ele lembra o caso dos spams, lixo eletrônico muito comum anos atrás. “Não foi preciso criar uma lei para combater os e-mails promocionais, mas eles foram perdendo espaço nas plataformas”, destacou.
Embora faça o alerta quanto aos impactos das novas tecnologias, Ruediger pondera que o problema tem uma dimensão ética, que ultrapassa a tecnológica. Por isso, ressalta que eleitores e partidos também têm a tarefa de promover um debate público qualificado e não manipulado, garantindo a lisura do processo político eleitoral e, ainda, do uso de recursos públicos.
A presença dos robôs não se restringe aos debates políticos nem às eleições. Hoje, bots são usados para automatizar atendimentos online. É o que ocorre quando um “atendente virtual” oferece respostas programadas a questionamentos de consumidores.
Beta
Movimentos sociais também buscam desenvolver tecnologias para ampliar o controle sobre os políticos e a participação popular. Definido como “um laboratório de ativismo que acredita que um mundo mais justo e democrático”, a organização Nossas “Deu à luz” a Betânia, que foi criada no fim de agosto. Apelidado de Beta, o robô convoca a sociedade a se mobilizar em defesa dos direitos das mulheres e cria canais para que essa expressão chegue até políticos.
“A gente estava percebendo que, ao longo deste ano, a questão dos direitos reprodutivos das mulheres estava sendo muito discutida. Por um lado, você tem uma ação no STF para descriminalizar o aborto ate a 12ª semana de gestão, por outro você também tem uma barganha desses direitos das mulheres no Congresso Nacional, por uma série de projetos e PECs [Propostas de Emenda Constitucional] que estavam avançando na tramitação, no sentido de retirar direitos reprodutivos das mulheres, como no caso da PEC 181. Por outro lado, a nossa equipe de tecnologia também já estava investigando o uso de chat box como um potencial canal de mobilização das pessoas, porque tem uma resposta muito mais imediada que por e-mail”, diz Laura Molinari (áudio), coordenadora da organização Nossas e uma das criadoras da Beta.
Mais de 50 mil pessoas já falaram com a Beta pelo menos uma vez, de acordo com Laura Molinari. Como resultado dessa mediação feita pelo robô, foram enviados 22 mil e-mails pelas pessoas que mantiveram contato com ela a cada deputado e deputada da Comissão Especial que discute a PEC 181, que trata de direitos reprodutivos da mulher e da possibilidade de interrupção de gravidez, inclusive nos casos hoje previstos em lei.
Laura Molinari diferencia o funcionamento da Beta dos bots que atuam no Twitter e que foram analisados pela FGV. Para ela, ao replicar informação de maneira massiva, os robôs têm como objetivo “fazer volume”. A Beta é diferente, segundo Laura. “A gente não quer 'viralizar' qualquer coisa. A gente tem valores que a gente defende, que são os direitos humanos e os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, e a gente vai fazer campanha a partir disso. Além disso, outra diferenciação da Beta é que ela se coloca como robô. A gente não está fingindo que é um perfil. As pessoas sabem que é um robô que tem uma organização por trás disso”, acrescenta.
No caso da Beta, também é possível solicitar e receber informações sobre os temas promovidos. “A pessoa conversando com a Beta tem os elementos para decidir se ela quer participar ou não daquela campanha”, conta. “Ela não agem politicamente pelas pessoas”, acrescenta.
Thiago Rondon, diretor do Instituto Tecnologia & Equidade e fundador do AppCivico concorda que os bots também podem servir para ampliar acesso a direitos. Durante o seminário promovido pelo TSE, ele citou que, na Europa, projetos utilizando bots têm ajudado imigrantes a obter a ajuda de tradutores. Nas eleições passadas, no Brasil, Rondon participou de projeto que pretendia, por meio de tecnologias, identificar e dar transparências às doações recebidas por candidatos.
Para que os usos maléficos não se generalizem e acabem levando a restrições aos bots, ele aponta a necessidade de fomentar iniciativas que tenham sido desenvolvidas em âmbito mundial, como a criação de sistemas de detecção de robôs e de promoção de educação sobre o que eles são e como funcionam. “Transparência é uma palavra-chave de tais mecanismos e ações. Tanto os bots têm que ser autodeclarados quanto os financiadores que os viabilizam devem ser de conhecimento público”, destaca.
Essa identificação não se confunde com uma vedação ao anonimato, como defende a integrante do CGI.br e da Proteste – Associação de Consumidores, Flávia Lefèvre (áudio). “Temos também que, para preservar o direito à liberdade de expressão, fazer uma interpretação da proibição que existe na Constituição Federal a respeito do anonimato”. Ela não significa, em sua opinião, proibição de pseudônimos.
Agência Brasil
#Fakenews : Desafios para as eleições de 2018
A partir de provedores localizados em diferentes países, notícias falsas, as chamadas fake news, têm impactado os últimos debates públicos mais relevantes, como as eleições nos Estados Unidos e os plebiscitos sobre a saída do Reino Unido da União Europeia e sobre o acordo de paz entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
A menos de um ano das eleições gerais, agora é o Brasil que se vê diante do problema. Com um debate polarizado, o país corre contra o tempo. Diferentes instituições públicas convocam debates sobre medidas que podem ser adotadas para garantir um processo eleitoral democrático e transparente. Algumas propostas preocupam movimentos sociais, que temem que o alarde em torno das notícias falsas leve ao controle dos conteúdos pelas plataformas digitais e, com isso, à censura na internet.
Para detalhar os desafios do Brasil diante do tema, a Agência Brasil publica uma série de matérias sobre fake news e controle na internet.
Na Declaração Conjunta sobre Liberdade de Expressão e Notícias Falsas (Fake News), Desinformação e Propaganda, órgãos das Nações Unidas trataram da questão. Por um lado, apontam que as fake news corroem a credibilidade da imprensa e interferem no direito das pessoas à informação. Por outro, alertam que governos, sob o argumento de combatê-las, não devem promover censura. “A desinformação e a propaganda afetam intensamente a democracia”, resumiu o relator especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Edison Lanza, na divulgação do documento.
“No início da internet, previu-se que o acesso direto e descomplicado à informação levaria a uma Era onde o conhecimento seria equalizado através da rede e todos tomaríamos decisões melhores e [seríamos] mais bem-informados”, argumenta o coordenador do Comitê, Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), Maximiliano Martinhão. “Por outro lado, a falta de uma curadoria aumenta a demanda por um senso crítico daqueles que consomem informação e comunicação pela internet”, acrescenta. Martinhão foi um dos participantes do Seminário Internet e Democracia, promovido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste mês, em Brasília.
Não é o que tem ocorrido. Diretora da Agência Lupa (especializada em checagem de informações), Cristina Tardáguila lista conteúdos falsos que ganharam projeção nas redes, como a suposta notícia de que o papa Francisco havia apoiado o republicano Donald Trump na corrida eleitoral e a de que o ex-presidente Barack Obama não era norte-americano, o que o motivou a divulgar a própria certidão de nascimento.
Proteção e censura
Em uma campanha eleitoral de apenas 45 dias, uma exposição negativa decorrente de notícia falsa pode significar o fracasso de um candidato, além de outros danos. “Não podemos nos negar a entender essa realidade”, ressaltou o presidente do TSE, minitro Gilmar Mendes. Ele ponderou que a tentativa de prejudicar adversários por meio de informações falaciosas sempre existiu, mas que o novo é a velocidade da disseminação desses conteúdos e sua abrangência, por meio da rede de computadores.
A pesquisa TIC Domicílios 2016, do Comitê Gestor da Internet no Brasil, identificou que as atividades mais comuns executadas na rede são o envio de mensagens instantâneas (89%) e uso de redes sociais (78%). A maior parte desses fluxos se dá em plataformas de uma mesma empresa: o Facebook, que também controla o aplicativo para celulares Whatsapp. Além da concentração econômica, há o desafio de efetivar regras, pois as corporações que atuam na rede são, em geral, internacionais. “[No caso das fake news], muitos sites estão instalados em países longínquos e com a institucionalidade muito débil, o que dificulta a cooperação judicial”, ressalta Gilmar Mendes.
Legislação
Atualmente, o Marco Civil da Internet permite empresas como o Facebook a adotar políticas para manutenção ou remoção de determinado conteúdo, caso a informação ofenda os termos de uso. Além disso, estabelece que a plataforma remova os dados em caso de decisão judicial neste sentido.
Para o presidente do Conselho de Comunicação Social (CCS), Murillo de Aragão, a solução para combater as fake news, garantindo também a liberdade, passa por medidas diversas, a começar pela educação da população. “Temos que ter uma legislação mais robustecida e que possa dar às autoridades os instrumentos devidos de intervenção e punição, rapidamente, nos casos de fake news", disse.
Coordenador da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), Fernando Neisser defendeu atenção à dinâmica da internet porque é o meio de comunicação que mais cresce em influência na sociedade, mas discordou da fixação de regras duras sobre notícias falsas. Ele argumenta que “o discurso político não passa por esse crivo de sim e não tao óbvio”, pois comporta opiniões que não são necessariamente verificáveis. Para ele, as instituições devem atuar para garantir que dados pessoais não sejam comercializados por empresas de big data (grande conjunto de dados armazenados) e ter atenção sobre as formas de impulsionamento e direcionamento de opiniões nas redes sociais.
Fernando Neisser entende que a legislação eleitoral brasileira já proíbe a compra ou venda de dados cadastrados eletronicamente. Isso porque a Lei 12.034/2009 veda a utilização, doação ou cessão de cadastro eletrônico de seus clientes, em favor de candidatos, partidos ou coligações. A norma proíbe ainda a venda de cadastro de endereços eletrônicos. A regra tem sido usada para impedir, por exemplo, que cadastros de e-mails de uma determinada loja possam ser vendidos. "Essa regra se aplica integralmente a qualquer tipo de dado que pode ser cadastrado eletronicamente", afirma Neisser.
Papel das plataformas
Para a integrante do CGI.br e da Proteste – Associação de Consumidores, Flávia Lefèvre (áudio), o centro do debate é saber como as informações são disseminadas na rede. “Os algoritmos [códigos] definem se você vai receber determinada informação. Vamos supor que chegue à véspera das eleições e o Facebook, por uma preocupação ou outra, comece a postar no feed de notícias das pessoas publicações como ‘lembre de votar amanhã’, mas que ele concentre esse aviso para pessoas de direita ou de esquerda. Em que medida esse resultado pode alterar os resultados das eleições?”, alerta.
- Projetos preveem punição para quem espalha notícias falsas na internet
- Tecnologia muda estratégia de comunicação em campanhas eleitorais
Durante as discussões no TSE, representantes do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social defenderam que a tarefa de apontar o que é ou não notícia falsa não deve ficar a cargo apenas das plataformas digitais e lembraram a discussão em curso nos Estados Unidos, onde o Facebook é acusado de ter favorecido Donald Trump por meio de informações privilegiadas.
Diante do calendário eleitoral no Brasil para as eleições de 2018, o Intervozes sugeriu que o TSE dialogue com a empresa para que medidas de transparência já sejam adotadas. No Brasil, apenas o Facebook reúne mais de 100 milhões de usuários.
Como resposta às acusações nos EUA, o Facebook divulgou, em outubro, comunicados sobre novas medidas de transparência para os anúncios publicitários que veicula e de combate às fake news. Uma das mudanças é a política de permissão para que qualquer cidadão, ao entrar em uma página, possa verificar quais anúncios foram feitos pelo Facebook, qual o alcance e o valor investido nessas publicidades. A plataforma anunciou que testaria a nova política no Canadá e não divulgou se e quando as medidas serão adotadas em outros países. De acordo com o Facebook, novas medidas de transparência estão sendo adotadas para combater a disseminação de fake news.
A Google também lançou recentemente mecanismos para que os próprios usuários confirmem os dados e obtenham informações, elaboradas pela própria empresa e demonstradas por meio de imagens, para verificar se determinado conteúdo trata de algo real, mentiroso ou parcialmente correto. A ferramenta ainda não está disponível no Brasil. Recentemente, a empresa estabeleceu parceria com a International Fact-Checking Network (IFCN) para remover dos resultados toda e qualquer notícia que publicar dados errados ou falsificados. Conforme comunicado emitido em abril, serão prejudicadas nas buscas informações de “baixa qualidade”, conceito que inclui o que chamou de “teorias de conspiração” e “fake news”. Flávia Lefebre critica essa medida, alertando para o caráter subjetivo do que pode ser considerado "teorias da conspiração”.
Checagem das informações
Em resposta à Agência Brasil, a empresa Google apontou que cerca de 0,25% do conjunto de pesquisas do tráfego diário que recebe contém conteúdo ofensivo ou claramente enganoso. Para ajudar a prevenir que conteúdos desse tipo se espalhem, a Google disse que trabalha, desde 2016, em iniciativas diversas para melhorar o serviço de buscas, esforço que inclui criação de um selo de verificação de fatos; medidas para impedir a monetização de fake news na plataforma de publicidade digital AdSense e mudanças no algoritmo da busca para privilegiar “conteúdo de qualidade”.
Novas diretrizes de busca “vão ajudar nossos algoritmos a rebaixar esses conteúdos de má qualidade e nos ajudar a fazer outras melhorias com o tempo”, descata a companhia em resposta. A empresa não comentou o questionamento sobre a subjetividade da descrição que pode ser feita baseada no conceito de “teorias da conspiração”. Citou, sobre isso, que pessoas foram contratadas para avaliar os novos mecanismos e sinalizar “melhor o que pode ser uma informação enganosa ou forjada, resultados ofensivos inesperados e teorias da conspiração sem fundamento”.
Enquanto outros mecanismos não são definidos pelas instituições, cabe à população ficar alerta para não formar sua opinião sobre notícias falsas. Diretora da Agência Lupa, Cristina Tardáguila apontou ações que devem ser adotadas pelos internautas, como manter uma postura de desconfiança em relação ao que acessa; verificar a data da publicação do conteúdo; questionar o interesse do autor e ver se a URL – o endereço virtual – é estranha. Consultar bases de dados confiáveis, como as do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE) também é uma dica para confirmar o que consta nas informações que circulam na rede.
AGÊNCIA BRASIL
quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
O que diz o Facebook em relação às fake news
A Agência Brasil enviou questionamentos ao Facebook sobre as políticas que têm sido desenvolvidas sobre fake news e perfis falsos, inclusive automatizados, na rede. Veja o que diz a principal plataforma de redes sociais:
Agência Brasil - Qual o papel do Facebook no combate à disseminação de notícias falsas?
Facebook - Todos temos a responsabilidade de combater a desinformação – empresas de tecnologia, organizações de mídia, instituições de ensino e governos. Sabemos que, em muitos casos, os sites que espalham desinformação têm motivações econômicas, então temos atualizado nossos sistemas para reduzir esses incentivos. Recentemente, por exemplo, fizemos uma atualização no Feed de Notícias para reduzir a distribuição de matérias com manchetes caça-cliques ou para sites com conteúdo de baixa qualidade. Também temos iniciativas para ajudar as pessoas a tomar decisões mais conscientes sobre o conteúdo que consomem na internet e fora dela. Há alguns meses, fizemos uma campanha de marketing no Brasil e em outros países, dentro do próprio Feed de Notícias, com dicas para auxiliar as pessoas a identificar notícias falsas.
Agência Brasil - Organizações defendem que o Facebook já passe a adotar as novas medidas de transparência para os anúncios publicitários. Há previsão de adoção da nova política antes do período eleitoral?
Facebook - Estamos comprometidos em aumentar a transparência dos anúncios políticos em todo o mundo, e recentemente anunciamos medidas concretas para dar mais informação às pessoas sobre os anúncios que elas veem. Também estamos eliminando contas falsas, que muitas vezes estão associadas a conteúdos enganosos, e cooperando com autoridades eleitorais. Esperamos tomar medidas também no Brasil. Vale reforçar que todo conteúdo patrocinado hoje já aparece destacado dessa forma na plataforma. Além disso, todas as pessoas podem clicar no menu lateral do anúncio e, em seguida, em "Por que estou vendo isso?" para entender os detalhes que fizeram aquele anúncio estar no feed. As pessoas que acessam o Facebook também podem editar as preferências de anúncio para definir que tipo de produto ou serviço querem ver.
Agência Brasil - Dar mais transparência aos algoritmos e anúncios patrocinados no Facebook e exigir mais critérios para aberturas de contas não seriam formas de evitar a atuação de robôs?
Facebook - Nossas políticas não permitem perfis falsos. Temos aperfeiçoado nossos sistemas e desenvolvido soluções para melhor identificar e remover contas falsas e todo o conteúdo relacionado a elas.
Agência Brasil - De acordo com a política da companhia, os dados pessoais dos cidadãos que usam o Facebook podem ser vendidos para políticos ou empresas?
Facebook - O Facebook não vende nenhum dado das pessoas. Temos políticas de dados claras que dizem que tudo o que uma pessoa publica no Facebook é de propriedade dela. Os dados utilizados para segmentação de anúncios no Facebook são anonimizados e coletivos, ou seja, um anunciante não tem acesso a informações específicas sobre uma única pessoa em nossa plataforma.
Agência Brasil - O Facebook adota medidas para evitar a criação artificial de likes (curtidas), por exemplo?
Facebook - Uma interação falsa com uma página significa menos interações reais com o conteúdo, e isso pode prejudicar o alcance delas. A compra e a venda de curtidas ou seguidores são atividades fraudulentas e, portanto, não são permitidas na plataforma. Quando atividades fraudulentas como essas são detectadas, as contas associadas a essas ações são removidas.
Edição: Talita Cavalcante
sábado, 16 de dezembro de 2017
Mantenha seu celular longe do corpo
O Departamento de Saúde Pública da Califórnia (CDPH) emitiu uma
advertência contra os perigos da radiação dos dispositivos celulares
esta semana.As autoridades americanas pedem que as pessoas diminuam o uso desses aparelhos e sugerem mantê-los o mais distante quando possível do corpo.
O órgão governamental diz ainda que não há níveis seguros para o uso de telefones celulares e os risco de tumores, que segue em análise pelos cientistas, não devem ser desconsiderados.
CDPH recomenda não manter o seu telefone no bolso, não colocá-lo no ouvido durante um período de tempo prolongado e reduzir o uso quando o sinal estiver com duas barras ou menos.
Outras recomendações sugerem colocar o dispositivo longe ao dormir e, também, durante a condução de carro, ônibus ou trem em movimento rápido – o telefone emite mais radiação para manter a conexão nestas condições.
Leia:
Fonte: Discovery
terça-feira, 28 de novembro de 2017
FAKE NEWS: Ministro da Educação Mendonça Filho aciona Polícia Federal contra notícias falsas
O ministro da Educação, Mendonça Filho, solicitou à Polícia Federal que investigue a disseminação de fake news (notícias falsas) na internet sobre uma suposta orientação do Ministério da Educação a prefeitos e governadores para reduzirem salários de professores da educação básica pública de todo o país. A notícia falsa propagada por um blog do Piauí é atribuída ao diretor de comunicação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica daquele estado, João Correia.
“Fake news é um desserviço à população e à democracia”, advertiu Mendonça Filho. “É inaceitável que, para atender interesses outros que não os da sociedade, um site produza uma informação errada para gerar tumulto e insegurança entre os professores do Brasil. ”O ministro também pediu a Advocacia Geral da União (AGU) que ingresse com pedido de resposta ao blog Dever de Classe, onde a falsa notícia foi publicada.
O ministro informou que o piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica está garantindo pela Lei n° 11.738, de 16/7/2008. “Em janeiro deste ano, anunciei o aumento de 7,64% no piso salarial, que representou incremento de 1,35% acima da inflação acumulada de 2016, de 6,29%, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)”, lembrou Mendonça. “O reajuste anunciado segue os termos do art. 5º da Lei nº 11.738, que estabelece a atualização anual do piso nacional do magistério, sempre a partir de janeiro. Para este ano, o piso nacional do magistério é de R$ 2.298,80.” O professor que tem carga horária mínima de 40 horas semanais e formação em nível médio –modalidade curso normal – não pode receber menos do que esse valor.
O ministro afirmou, ainda, que os estados e municípios que, por dificuldades financeiras, não possam arcar com o piso, devem contar com a complementação orçamentária da União, como determina a Lei 11.738/2008, no art. 4º. “Estamos antecipando o repasse de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais de Educação (Fundeb) para complementar o piso salarial dos professores, nos estados e municípios”, destacou. “O pagamento está sendo feito mensalmente, desde janeiro.”
O blog Dever de Classe, de onde partiu a informação falsa sobre redução de salários, está registrado como sendo do mesmo autor de outra fake new, veiculada em setembro de 2016, sobre suposta decisão do MEC de acabar com as regalias dos professores pata equilibrar os cofres dos estados e municípios. A primeira notícia falsa foi veiculada no site midiapopular.net, que foi obrigado, por decisão da Justiça, a dar direito de resposta ao MEC.
O ministro reafirmou que adotará as medidas judiciais cabíveis.
Assessoria de Comunicação Social do MEC
sábado, 16 de setembro de 2017
Por que o antivírus Kaspersky é tão popular e controverso?
Sua sede está em Moscou, na Rússia, mas a Kaspersky Lab tem presença em cerca de 200 países ao redor do mundo. Embora ele tenha acabado de perder um dos seus clientes mais importantes: o governo dos Estados Unidos.
As agências federais nos Estados Unidos têm um prazo de 90 dias para
parar de usar os produtos da empresa de segurança russa, após uma ordem
emitida na quarta-feira pelo Departamento de Segurança Interna, que o
acusa de ciberespionagem.
- Por que o governo dos EUA proibiu as agências federais de usar o bem conhecido antivírus russo Kaspersky
A empresa - que negou alegações ligando-a aos serviços de inteligência
russos - possui mais de 400 milhões de usuários e empresas de tecnologia
com corporações internacionais como IBM, Facebook, Cisco, Microsoft ou
Lenovo e com instituições como a Interpol polícia internacional).
A Kaspersky se orgulha de ser "uma das empresas de segurança ciberseguradora de mais rápido crescimento no mundo e a maior propriedade privada ".
E oferece todos os tipos de soluções informáticas, desde proteção
doméstica até plataformas empresariais para prevenir ataques
cibernéticos.
Mas talvez o mais popular seja seu antivírus, que estão entre os cinco mais baixados no mercado , juntamente com a Norton of California Symantec e também a McAfee americana.
Sua base de clientes abrange literalmente o mundo inteiro, da Europa à
China, Estados Unidos, Canadá, Ásia-Pacífico, Índia, Hong Kong, Oriente
Médio, África e América Latina.
"O planeta inteiro protegeu", brincou seu fundador, Eugene Kaspersky , em um post do blog de julho de sua empresa anunciando uma versão gratuita do seu conhecido antivírus.
Entre seus clientes, existem 2.700 corporações e, desde 2010,
patrocinou oficialmente a equipe Ferrari da Fórmula 1 e outras equipes
esportivas.
Embora seu primeiro escritório tenha sido estabelecido em Londres em
junho de 1999, sua expansão global logo começou, com escritórios no
Japão, Alemanha, França, Espanha, Itália, China e Estados Unidos. Hoje tem 35 escritórios em todo o mundo, dois deles na América Latina: um em São Paulo, Brasil e outro na Cidade do México .
Controvérsia e suspeitas
Tudo começou em 1989, quando Kaspersky descobriu que seu computador havia sido atacado por um vírus. Graduado do Instituto de Criptografia, Telecomunicações e Ciência da Computação de Moscou, uma escola pública da KGB russa , o jovem engenheiro de software altamente interessado em matemática ficou fascinado pelo desafio, conseguiu detectá-lo e criar software para neutralizá-lo.
Oito anos depois, ele e outros três parceiros fundaram a Kaspersky Lab, que completou 20 em junho passado.
Durante estas duas décadas, cresceu enormemente - empregando mais de
3.000 pessoas - e alcançou vários marcos, como se tornar o segundo maior fornecedor de software na Europa ou o segundo para o varejo de software de segurança dos EUA. e Canadá.
Mas também esteve envolvido em várias controvérsias.
Primeiro, a ligação acadêmica de Eugene Kaspersky com a rede de
espionagem da KGB suscita suspeita, especialmente por parte do governo
dos EUA.
Em agosto de 2015, a agência de inteligência econômica Bloomberg
disse que a empresa russa mudou de curso em 2012 porque "os altos
executivos se demitiram ou foram demitidos e esses trabalhos pertenciam a
pessoas ligadas ao exército russo ou a serviços de inteligência".
O relatório diz que "algumas dessas pessoas ajudaram ativamente em investigações criminais pelo Serviço de Segurança Nacional (FSB), o sucessor da KGB , usando dados de clientes".
Kaspersky criticou a cobertura de Bloomberg
sobre este caso, explicando no blog que ele considerou sensacional e
destinado a "explorar a paranóia" dos leitores para ganhar poder.
Em dezembro de 2016, Ruslan Stoyanov
, que ocupava o cargo de chefe da unidade de investigação, foi preso na
Rússia e acusado de traição por alegadamente compartilhar segredos de
estado com a empresa americana Verisign.
Mas este ano as suspeitas dos EUA sobre a empresa aumentaram dramaticamente.
Em julho, a Administração de Serviços Gerais do Governo dos Estados Unidos retirou a Kaspersky Lab de uma lista de fornecedores aprovados em
meio à controvérsia sobre as investigações sobre a possível inferência
da Rússia na campanha presidencial de 2016 em favor do atual presidente ,
Donald Trump.
- O que o relatório de inteligência desclassificado diz que culpa a Rússia e Putin de pedir ataques cibernéticos para influenciar as eleições dos EUA.
E houve mais relatórios da Bloomberg e do portal digital McClatchy DC que acusaram a empresa de ter trabalhado com o FSB.
A Kaspersky negou todas as alegações e disse que não tem "links inadequados"
e "nunca recebeu nenhum pedido do governo russo ou de qualquer
organização afiliada para criar ou participar de qualquer projeto
secreto".
Fonte: BBC Mundo
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A Internet das coisas está nos enviando de volta à Idade Média
Os dispositivos habilitados para internet são tão comuns e tão vulneráveis que hackers invadiram recentemente um cassino através do aquário . O tanque tinha sensores conectados à Internet que mediam a temperatura e a limpeza. Os hackers entraram nos sensores do tanque de peixes e, em seguida, para o computador usado para controlá-los e de lá para outras partes da rede do cassino. Os intrusos conseguiram copiar 10 gigabytes de dados para algum lugar da Finlândia.
Ao olhar para este tanque de peixe, podemos ver o problema com os dispositivos "internet de coisas", que nós realmente não os controlamos.
No meu livro recente, "Propriedade, Privacidade e a Nova Servidão Digital ", discuto que o nosso ambiente tem atualmente mais sensores do que nunca. Nossos tanques de peixes, televisores inteligentes , termostatos domésticos habilitados para internet e smartphones constantemente coletam informações sobre nós e nosso ambiente.
Essa informação é valiosa não apenas para nós, mas para pessoas que querem nos vender coisas. Os dispositivos habilitados para internet são programados para compartilhar informações.
Pegue, por exemplo, Roomba, o aspirador robótico adorável. Desde 2015, os modelos high-end criaram mapas das casas de seus usuários para navegar mais eficientemente durante a limpeza. Mas como Reuters e Gizmodo relataram recentemente, o fabricante da Roomba, iRobot , pode compartilhar esses mapas dos layouts das casas particulares das pessoas com seus parceiros comerciais.
Violações de segurança e privacidade
Como o Roomba, outros dispositivos inteligentes podem ser programados para compartilhar nossas informações privadas com os anunciantes sem que tenhamos conhecimento . Em um caso ainda mais íntimo do que o plano de negócios da Roomba, um dispositivo de massagem erótica controlável pelo smartphone, chamado WeVibe, reuniu informações sobre a frequência com que configurações e em que horas do dia foi usado. Depois, o fabricante concordou em pagar judicialmente vários milhões de dólares quando os clientes descobriram e se opuseram à invasão de privacidade .O fabricante do computador Lenovo , por exemplo, costumava vender seus computadores com um programa chamado " Superfish " pré-instalado. O programa destinava-se a permitir que a Lenovo - ou empresas que o pagassem - insira secretamente anúncios direcionados para os resultados das buscas na web dos usuários.
Um jeito absolutamente perigoso pois sequestrou o tráfego dos navegadores da web sem o conhecimento do usuário, incluindo os que pensavam estar em abientes criptografados de forma segura , como conexões com bancos e lojas online para transações financeiras.
O problema subjacente é a propriedade
Não controlamos nossos dispositivos. Uma pessoa pode comprar uma caixa de aparência bonita cheia de eletrônicos que podem funcionar como um smartphone, mas compra uma licença apenas para usar o software dentro. As empresas dizem que é possível controlar o software . É como se um revendedor de automóveis vendesse um carro, mas reivindicasse a propriedade do motor.Esse tipo de arranjo está destruindo o conceito de propriedade básica. John Deere já disse aos agricultores que eles realmente não possuem seus tratores, mas apenas licenciam o software - então eles não conseguem consertar seu próprio equipamento agrícola ou até levá-lo a uma oficina de reparação independente.
Os agricultores estão oprimidos, mas talvez algumas pessoas estejam dispostas a deixar as coisas se desequilibrar quando se trata de smartphones, que geralmente são comprados em um plano de parcelamento de pagamento e negociados o mais rápido possível.
Quanto tempo será antes de perceber que eles estão tentando aplicar as mesmas regras para nossas casas inteligentes, televisores inteligentes em nossas salas e quartos, banheiros inteligentes e carros habilitados para internet?
Um retorno ao feudalismo?
A questão de quem controla a propriedade tem uma longa história. No sistema feudal da Europa medieval, o rei possuía quase tudo, e os direitos de propriedade de todos dependiam da relação deles com o rei .Os camponeses viveram em terra concedida pelo rei a um senhor local e os trabalhadores nem sempre possuíam as ferramentas que usavam para agricultura ou outros negócios. Ao longo dos séculos, as economias e os sistemas jurídicos ocidentais evoluíram para o nosso arranjo comercial moderno: as pessoas e as empresas privadas, muitas vezes, compram e vendem itens próprios e possuíam terra, ferramentas e outros objetos.
Além de algumas regras básicas do governo, como a proteção ambiental e a saúde pública, a propriedade vem sem restrições. Este sistema significa que uma empresa de automóveis não pode me impedir de pintar meu carro com uma tonalidade chocante de rosa ou de mudar o óleo em qualquer loja que eu escolher. Eu até posso tentar modificar ou consertar meu carro sozinho.
O mesmo é verdade para minha televisão, meu equipamento agrícola e minha geladeira. No entanto, a expansão da internet parece estar nos trazendo de volta a algo parecido com aquele antigo modelo feudal, onde as pessoas não possuíam os itens que usavam todos os dias.
Nesta versão do século XXI, as empresas estão usando leis de propriedade intelectual - destinadas a proteger ideias - para controlar objetos físicos que os consumidores pensam possuir.
Controle de propriedade intelectual
Meu celular é um Samsung Galaxy . O Google controla o sistema operacional e o Google Apps que fazem com que o smartphone Android funcione bem. O Google os licencia para a Samsung , o que faz sua própria modificação na interface do Android e licencia o direito de usar meu próprio telefone para mim - ou, pelo menos, esse é o argumento que o Google e a Samsung fazem.A Samsung reduz ofertas com muitos provedores de software que querem levar meus dados para seu próprio uso. Mas esse modelo é falho, na minha opinião. Precisamos do direito de consertar nossa própria propriedade . Precisamos do direito de expulsar anunciantes invasivos de nossos dispositivos. Precisamos da capacidade de desligar os canais de informação dos anunciantes, não apenas porque não adoramos ser espionados, mas porque essas portas traseiras são riscos de segurança, como as histórias de Superfish e o show de peixes pescados picados.
Se não temos o direito de controlar nossa própria propriedade, nós realmente não possuímos isso. Nós somos apenas camponeses digitais, usando as coisas que compramos e pagamos pelo capricho de nosso senhor digital.
Mesmo que as coisas pareçam sombrias agora, há esperança. Esses problemas rapidamente se tornam pesadelos de relações públicas para as empresas envolvidas. E há um apoio bipartidário sério para as contas de direito a reparar que restauram alguns poderes de propriedade para os consumidores.
A ideia de propriedade ainda é poderosa em nossa imaginação cultural, e ela não vai morrer facilmente. Isso nos dá uma janela de oportunidade. Espero que possamos aceitar isso.
Fonte:
segunda-feira, 17 de julho de 2017
Inteligência artificial: Pode um robô ser presidente?
O
presidente norte-americano, Donald Trump, passa as noites sozinho na
Casa Branca a ver as notícias de todo o mundo. Do tempo em que era
empresário herdou ainda o hábito de se levantar de madrugada para
escrever no Twitter onde publica o que lhe vai na alma – o vídeo em que
aparece a bater num homem com o logotipo do canal televisivo CNN foi um
dos mais recentes.
Agora, de acordo com a “Politico Magazine”, um pequeno grupo de
cientistas e pensadores acredita que pode haver uma alternativa de
salvar o presidente – e o resto da humanidade- destes ataques de raiva.
Assim que a tecnologia avançar o suficiente, eles acreditam que se deve
colocar um computador a cargo do país. O objetivo é que seja a
inteligência artificial a tomar as decisões mais complicadas. Pode
fazê-lo “melhor e sem o drama dos nossos presidentes humanos”, avisam.
No entanto, se imagina uma máquina do estilo “Terminator” está
enganado. A máquina estaria guardada num qualquer armário na Casa
Branca. Para estes cientistas, um robô pode levar em conta grandes
quantidades de dados sobre uma determinada política. Poderia ainda
prever armadilhas que escapassem à mente humana e pensar as opções de
forma mais fiável, sem impulsos ou tendências individuais.
Mark Waser, um especialista em Inteligência Artificial, afirma que
os robôs tomarão melhores decisões do que os humanos. Natasha Vita-More,
presidente de uma organização sem fins lucrativos, “defende o uso ético
da tecnologia para expandir as capacidades humanas” e espera que seja
possível ter um líder que não possui um corpo humano.
Também o empreendedor Zoltan Istvan afirma que com a inteligência
artificial “um presidente não pode ser comprado por lobistas nem será
influenciado pelo dinheiro, incentivos pessoais ou incentivos
familiares”.
Esta é uma ideia que tem feito parte da ficção científica desde a
década de 50. Já o escritor Isaac Asimov imaginava um mundo em que as
máquinas pareciam ter consciência e inteligência humana.
Claro que substituir um humano por um robô na Casa Branca não seria simples. Como é que uma máquina se encaixaria num sistema democrático? E como decidiria sobre questões morais? Segundo Istvan os eleitores deveriam ser chamados a pronunciar-se sobre a programação inicial do sistema e os programadores também deveriam ser nomeados por voto popular.
Claro que substituir um humano por um robô na Casa Branca não seria simples. Como é que uma máquina se encaixaria num sistema democrático? E como decidiria sobre questões morais? Segundo Istvan os eleitores deveriam ser chamados a pronunciar-se sobre a programação inicial do sistema e os programadores também deveriam ser nomeados por voto popular.
Alguns cientistas mantêm mesmo a convicção de que um robôt pode
liderar uma nação no espaço de 30 anos, o que obrigaria a alterações na
Constituição. No entanto, nem todos estão de acordo com este pensamento.
“Os sistemas tecnológicos não são livres de preconceitos nem
automaticamente justos apenas porque são números”, diz Madeleine Clare
Elish, uma antropóloga na Universidade de Columbia. “O meu maior medo é
que a tecnologia possa codificar os preconceitos e defeitos dos seus
criadores”, alerta.
Fonte: Jornal Económico
Fonte: Jornal Económico
terça-feira, 4 de julho de 2017
Gerações conectadas: Pesquisa mostra mudanças no consumo
Cléa Rubinstein, aos 71 anos, usa a tecnologia com a mesma
facilidade que os netos Gabriel (4) e Dora (10), seja usando o Whatsapp
para falar com uma filha que mora em Londres ou com a outra, mãe das
crianças, que reside na mesma rua que ela. Nascida em Olaria, na Zona
Norte do Rio de Janeiro, desde os oito anos ela mora em Copacabana. Já
são sete décadas e várias mudanças de estilo de vida, refletidas na
evolução do orçamento familiar.
Filha de imigrantes judeus que aqui chegaram vindos da Romênia na década de 1930, D. Cléa recorda o ambiente familiar da infância:
“Falávamos português e iídiche em casa. Preparávamos pratos típicos judaicos em celebrações e, de vez em quando, era preciso fazer alguma adaptação. O gefilte fish, por exemplo, que é um bolinho de peixe típico judaico, é feito com carpa, um peixe de rio, mas nossa família teve que se adequar aos peixes nacionais”.
De lá pra cá, a receita já mudou de novo e hoje os restaurantes judaicos costumam usar processador elétrico para moer a tilápia, um peixe fluvial africano que foi introduzido no Brasil para a pesca artesanal nos anos 80 e hoje representa cerca de metade da produção da piscicultura no país.
Assim como os hábitos culinários e alimentares mudaram, também os orçamentos familiares se adaptaram aos novos tempos. As despesas com alimentação, que ocupavam mais de um terço (33,9%) das contas das casas nos anos 70, tiveram sua influência reduzida a menos de um quinto (19,8%) em 2008-2009.
Do caderno de dedicatórias às redes sociais
Cléa também se lembra das conversas com as colegas de escola numa época sem celulares, Orkut ou Facebook: “Quase todas as meninas tinham cadernos de mensagens, em que os colegas escreviam dedicatórias no fim de cada ano. Eram mensagens de amizade e bem-querer, não se revelava nenhum grande segredo. Era tudo bem público e respeitoso. Aquilo servia como uma espécie de rede social da época, considerando-se as devidas proporções.
As conversas dos jovens também já eram longas na época do telefone fixo: “Falávamos muito ao telefone. Era só um aparelho na sala de estar, sem extensões para outros cômodos da casa. Às vezes, nossos pais reclamavam e tínhamos que desligar na hora”.
Essas e muitas outras informações são coletadas pelo IBGE desde o Estudo Nacional da Despesa Familiar (Endef), feito em 1974-75. Depois, foi realizada a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) em 1996, 2002-2003 e 2008-2009. A coleta da próxima edição da pesquisa começou em 26 de junho e vai até 2018.
Leia mais na revista Retratos 1
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IBGE lança a Pesquisa de Orçamentos Familiares, um retrato de como os brasileiros gastam o seu dinheiro
Vídeo mostra como é feita a coleta da POF
Um salto no peso das crianças
A POF também revelou um salto no número de crianças de 5 a 9 anos com excesso de peso ao longo de 35 anos: em 2008-09, 34,8% dos meninos estavam com o peso acima da faixa considerada saudável pela OMS. Em 1989, este índice era de 15%, contra 10,9% em 1974-75.O padrão era semelhante nas meninas, que, de 8,6% na década de 70, foram para 11,9% no final dos anos 80 e chegaram aos 32% em 2008-09.
Filha de imigrantes judeus que aqui chegaram vindos da Romênia na década de 1930, D. Cléa recorda o ambiente familiar da infância:
“Falávamos português e iídiche em casa. Preparávamos pratos típicos judaicos em celebrações e, de vez em quando, era preciso fazer alguma adaptação. O gefilte fish, por exemplo, que é um bolinho de peixe típico judaico, é feito com carpa, um peixe de rio, mas nossa família teve que se adequar aos peixes nacionais”.
De lá pra cá, a receita já mudou de novo e hoje os restaurantes judaicos costumam usar processador elétrico para moer a tilápia, um peixe fluvial africano que foi introduzido no Brasil para a pesca artesanal nos anos 80 e hoje representa cerca de metade da produção da piscicultura no país.
Assim como os hábitos culinários e alimentares mudaram, também os orçamentos familiares se adaptaram aos novos tempos. As despesas com alimentação, que ocupavam mais de um terço (33,9%) das contas das casas nos anos 70, tiveram sua influência reduzida a menos de um quinto (19,8%) em 2008-2009.
Do caderno de dedicatórias às redes sociais
Cléa também se lembra das conversas com as colegas de escola numa época sem celulares, Orkut ou Facebook: “Quase todas as meninas tinham cadernos de mensagens, em que os colegas escreviam dedicatórias no fim de cada ano. Eram mensagens de amizade e bem-querer, não se revelava nenhum grande segredo. Era tudo bem público e respeitoso. Aquilo servia como uma espécie de rede social da época, considerando-se as devidas proporções.
As conversas dos jovens também já eram longas na época do telefone fixo: “Falávamos muito ao telefone. Era só um aparelho na sala de estar, sem extensões para outros cômodos da casa. Às vezes, nossos pais reclamavam e tínhamos que desligar na hora”.
Essas e muitas outras informações são coletadas pelo IBGE desde o Estudo Nacional da Despesa Familiar (Endef), feito em 1974-75. Depois, foi realizada a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) em 1996, 2002-2003 e 2008-2009. A coleta da próxima edição da pesquisa começou em 26 de junho e vai até 2018.
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Texto: Eduardo Peret
Imagem: Licia Rubinstein
Infográfico: Luiz Arbex
Fonte: Agência IBGE
sábado, 28 de janeiro de 2017
Como proteger o WiFi de casa

Instalar um roteador WiFi doméstico nem sempre foi tarefa fácil para o usuário comum. Para corrigir esse problema, provedores de Internet e fabricantes de roteadores implantaram botões e padrões que tornaram a conexão tão fácil quanto possível -mas no mercado de segurança sabemos que a associação com a “fácil” quer dizer problema.
Proteja o roteador da sua casa de invasores com essas sete dicas:
- Evite o assistente EZ (Easy/Fácil). Alguns roteadores prometem essencialmente uma instalação sem problemas: aperte um botão e se conecte. No entanto, quando você não sabe suas credenciais, não está no comando.
- Renomeie a rede WiFi. Falando rigorosamente, esse passo não torna sua rede mais segura, mas torna a situação para a rede como um todo bem melhor. Quando você precisar indicar o login a um convidado, não precisará lembrar se sua rede é NETGEAR58843 ou Linksys-u8i9o. No lugar disso você pode escolher um nome fácil de lembrar ou engraçado.
- Altere suas credenciais de login. Fabricantes de roteadores por vezes reusam credenciais padrão. Você pode verificar na Internet, por exemplo, alguns fabricantes, dependendo do modelo usam admin ou (vazio) para o login e admin ou (vazio) para a senha. Isso não é segredo de estado. Seu nome de administrador e senha devem sim ser segredos, então escolha outros. Você pode usar o password checker da Kaspersky Lab para garantir que sua senha é adequada.
- Garanta que a página de login do roteador não é acessível pela Internet. Roteadores normalmente possuem essa função de permitir ou não que as configurações sejam alteradas remotamente, pela Internet. Isso pode até ser útil em certas circunstâncias, mas também se trata de uma falha de segurança, então caso você não use, desabilite.Mais importante ainda: proteja seu Wi-Fi com criptografia WPA2 confiável e uma senha forte.
- Proteja-se com um protocolo de criptografia forte e uma senha. Essa é a parte mais importante. No passo 3, sugerimos mudar o login do roteador, que protege as opções do aparelho. Essa é a senha que você digita no seu computador. Agora você escolherá uma senha para a rede. Isso é o que você digitará em seu PC, Mac, smartphone, tablet ou outro dispositivo conectado para ter acesso. Você não quer que seus vizinhos ou transeuntes acessem sua rede. Pessoalmente, recomendo que se escolha uma criptografia WPA2. Você também pode usar uma frase passe, que é mais fácil de lembrar e mais complexa que uma palavra, desde que também seja difícil de se adivinhar.
- Proteja todas as redes WiFi. Na minha casa, não existe uma rede para convidados, porque minha rede doméstica é bem protegida. Mas se seu roteador tem suporte para uma rede para convidados e você quer criar uma, não é má ideia. Chame de algo como “MeuSuperWiFi-CONVIDADO”, e dê a ela uma senha e criptografia fortes também. A partir daí, você não terá de dar sua senha para ninguém.
- Proteja todos os seus dispositivos. Esteja você usando computador, tablet, smartphone, Kindle, ou qualquer outro dispositivo, proteja-o com uma senha forte. Não o forneça a ninguém. Use também um software de segurança em todos os dispositivos – e sempre mantenha todos os softwares atualizados.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
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