segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Jornalista está cada vez mais doente

Chegou por e-mail. Fui procurar a fonte e achei o texto de Elaine Tavares na página do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina . A pesquisa encontrei no site da Fenaj. Independentemente do autor, vale uma profunda reflexão.

O psicólogo, professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Heloani, conseguiu levantar um perfil devastador sobre como vivem os jornalistas e por que adoecem. O trabalho ouviu dezenas de profissionais de São Paulo e Rio de Janeiro, a partir do método de pesquisa quantitativo e qualitativo, envolvendo profissionais de rádio, TV, impresso e assessorias de imprensa. E, apesar da amostragem envolver apenas dois estados brasileiros, o relato imediatamente foi assumido pelos delegados ao Congresso de Santa Catarina – que aconteceu de 23 a 25 de julho - evidenciando assim que esta é uma situação que se expressa em todo o país.

Segundo Heloani a mídia é um setor que transforma o imaginário popular, cria mitos e consolida inverdades. Uma delas diz respeito à própria visão do que seja o jornalista. Quem vê a televisão, por exemplo, pode criar a imagem deformada de que a vida do jornalista é de puro glamour. A pesquisa de Roberto tira o véu que encobre essa realidade e revela um drama digno de Shakespeare. Nela, fica claro que assim como a mais absoluta maioria é completamente apaixonada pelo que faz, ao mesmo tempo está em sofrimento pelo que faz, o que na prática quer dizer que, amando o jornalismo eles não se sentem fazendo esse jornalismo que amam, sendo obrigados a realizarem outra coisa, a qual odeiam. Daí a doença!

Um dado interessante da pesquisa é que a maioria do pessoal que trabalha no jornalismo é formada por mulheres e, entre elas, a maioria é solteira, pelo simples fato de que é muito difícil encontrar um parceiro que consiga compreender o ritmo e os horários da profissão. Nesse caso, a solidão e a frustração acerca de uma relação amorosa bem sucedida também viram foco de doença.

Heloani percebeu que as empresas de comunicação atualmente tendem a contratar pessoas mais jovens, provocando uma guerra entre gerações dentro das empresas. Como os mais velhos não tem mais saúde para acompanhar o ritmo frenético imposto pelo capital, os patrões apostam nos jovens, que ainda tem saúde e são completamente despolitizados. Porque estão começando e querem mostrar trabalho, eles aceitam tudo e, de quebra, não gostam de política ou sindicato, o que provoca o enfraquecimento da entidade de luta dos trabalhadores. “Os patrões adoram, porque eles não dão trabalho”.

Outro elemento importante desta “jovialização” da profissão é o desaparecimento gradual do jornalismo investigativo. Como os jornalistas são muito jovens, eles não tem toda uma bagagem de conhecimento e experiência para adentrar por estas veredas. Isso aparece também no fato de que a procura por universidades tradicionais caiu muito. USP, Metodista ou Cásper Líbero (no caso de São Paulo) perdem feio para as “uni”, que são as dezenas de faculdades privadas que assomam pelo país afora. “É uma formação muitas vezes sem qualidade, o que aumenta a falta de senso crítico do jornalista e o torna mais propenso a ser manipulado”. Assim, os jovens vão chegando, criando aversão pelos “velhos”, fazendo mil e uma funções e afundando a profissão.
Um exemplo disso é o aumento da multifunção entre os jornalistas mais novos. Eles acabam naturalizando a idéia de que podem fazer tudo, filmar, dirigir, iluminar, escrever, editar, blogar etc... A jornada de trabalho, que pela lei seria de 5 horas, nos dois estados pesquisados não é menos que 12 horas. Há um excesso vertiginoso. Para os mais velhos, além da cobrança diária por “atualização e flexibilidade” há sempre o estresse gerado pelo medo de perder o emprego. Conforme a pesquisa, os jornalistas estão sempre envolvidos com uma espécie de “plano B”, o que pode causa muitos danos a saúde física e mental. Não é sem razão que a maioria dos entrevistados não ultrapasse a barreira dos 20 anos na profissão. “Eles fatalmente adoecem, não agüentam”.

O assédio moral que toda essa situação causa não é pouca coisa. Colocados diante da agilidade dos novos tempos, da necessidade da multifunção, de fazer milhares de cursos, de realizar tantas funções, as pessoas reprimem emoções demais, que acabam explodindo no corpo. “Se há uma profissão que abraçou mesmo essa idéia de multifunção foi o jornalismo. E aí, o colega vira adversário. A redação vive uma espécie de terrorismo às avessas”. Conforme Heloani, esta estratégia patronal de exigir que todos saibam um pouco de tudo nada mais é do que a proposta bem clara de que todos são absolutamente substituíveis. A partir daí o profissional vive um medo constante, se qualquer um pode fazer o que ele faz, ele pode ser demitido a qualquer momento. “Por isso os problemas de ordem cardiovascular são muito frequentes. Hoje, Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) e o fenômeno da morte súbita começam a aparecer de forma assustadora, além da sistemática dependência química”.

O trabalho realizado por Roberto Heloani verificou que nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro 93% dos jornalistas já não tem carteira assinada ou contrato. Isso é outra fonte de estresse. Não bastasse a insegurança laboral, o trabalhador ainda é deixado sozinho em situações de risco nas investigações e até na questão judicial. Premidos por toda essa gama de dificuldades os jornalistas não tem tempo para a família, não conseguem ler, não se dedicam ao lazer, não fazem atividades físicas, não ficam com os filhos. Com este cenário, a doença é conseqüência natural.

O jornalista ganha muito mal, vive submetido a um ambiente competitivo ao extremo, diante de uma cotidiana falta de estrutura e ainda precisa se equilibrar na corda bamba das relações de poder dos veículos. No mais das vezes estes trabalhadores não tem vida pessoal e toda a sua interação social só se realiza no trabalho. Segundo Heloani, 80% dos profissionais pesquisados tem estresse e 24,4% estão na fase da exaustão, o que significa que de cada quatro jornalistas, um está prestes a ter de ser internado num hospital por conta da carga emocional e física causada pelo trabalho. Doenças como síndrome do pânico, angústia, depressão são recorrentes e há os que até pensam em suicídio para fugir desta tortura, situação mais comum entre os homens.

O resultado deste quadro aterrador, ao ser apresentado aos jornalistas, levou a uma conclusão óbvia. As saídas que os jornalistas encontram para enfrentar seus terrores já não podem mais ser individuais. Elas não dão conta, são insuficientes. Para Heloani, mesmo entre os jovens, que se acham indestrutíveis, já se pode notar uma mudança de comportamento na medida em que também vão adoecendo por conta das pressões. “As saídas coletivas são as únicas que podem ter alguma eficácia”, diz Roberto.

Quanto a isso, o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, Rubens Lunge, não tem dúvidas. “É só amparado pelo sindicato, em ações coletivas, que os jornalistas encontrarão forças para mudar esse quadro”. Rubens conta da emoção vivida por uma jornalista na cidade de Sombrio, no interior do estado, quando, depois de várias denúncias sobre sobrecarga de trabalho, ele apareceu para verificar. “Ela chorava e dizia, `não acredito que o sindicato veio´. Pois o sindicato foi e sempre irá, porque só juntos podemos mudar tudo isso”. Rubens anda lembra dos famosos pescoções, praticados por jornais de Santa Catarina, que levam os trabalhadores a se internarem nas empresas por quase dois dias, sem poder ver os filhos, submetidos a pressão, sem dormir. “Isso sem contar as fraudes, como a de alguns jornais que não tem qualquer empregado. Todos são transformados em sócios-cotistas. Assim, ou se matam de trabalhar, ou não recebem um tostão”.

A pesquisa de Roberto Heloani é um retrato vivo, chaga aberta, de uma realidade nacional. Os jornalistas espelhados aqui tem uma única opção: lutar de forma conjunta, unificados e dentro dos sindicatos. As derrotas vividas com a decisão do STF fragilizam e consomem ainda mais os profissionais, mas, a história humana está aí para mostrar que só a luta muda as coisas. Saídas individuais podem servir a um ou outro, mas quando uma categoria luta junto, ela vence! Assim é! 


Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina 
Apresentação de Roberto Heloani no site da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Em busca de uma banda mais larga

Matéria postada no NIC.Br, do Jornal O Norte

A falta de mais concorrentes é prejudicial para o desenvolvimento da oferta de internet banda larga em Natal, segundo a percepção de usuários e profissionais de informática. Enquanto em Natal a banda larga com velocidade de 1 megabit por segundo (Mbps) custa R$ 109,90, a mesma operadora cobra, em capitais como Recife, Fortaleza e João Pessoa, o dobro dessa velocidade por R$ 49,90, menos que a metade do preço cobrado aqui. Ou seja, o internauta natalense paga 120% mais caro por acessos mais lentos à rede mundial de computadores que os oferecidos em capitais vizinhas. Quem adquire a velocidade de 3 Mbps em Natal paga 133% a mais que em Recife. Enquanto o preço médio de 1 Kbps para o natalense é de R$ 0,11, em Recife (PE) o usuário paga apenas R$ 0,02, diferença que adquire peso no bolso do usuário na hora de aderir ao serviço e contratar uma operadora.

Usuários do serviço defendem que a vinda das grandes empresas que atuam no setor seria suficiente para derrubar preços e aumentar a disponibilidade de maiores velocidades no mercado. Gabriel Rodrigues, 17, estudante do curso técnico de Informática do IFRN, é um defensor ferrenho da necessidade da chegada de mais operadoras de banda larga a Natal. Ele defende que o aumento da oferta de banda larga proporcionará benefícios cada vez maiores, ampliando horizontes. “As pessoas verão que podem fazer mais na medida em que tiverem acesso a essas velocidades, ultrapassando os limites atuais”.

Gabriel é usuário do Oi Velox de 1 Mbps. Ele afirma que a falta de concorrência local faz com que a Oi não se preocupe em baixar seu preços, embora a operadora já dispusesse de infraestrutura para lançar melhores velocidades. “A Oi já recabeou, com fibra ótica, boa parte da cidade. Não tenho o que reclamar da qualidade e estabilidade da conexão, mas as velocidades ofertadas são baixíssimas e os preços são caros. O mercado de Natal não é pequeno, até maior que o de outras cidades como João Pessoa e Maceió que já tem velocidades maiores a preços mais justos”.

Atualmente favorecido por uma promoção que inclui banda larga, telefonia e uma franquia de minutos ilimitados, ele pagará R$ 59,90 pela internet até setembro. Depois disso, o valor subirá para R$ 109,90. Ele reclama também que a operadora irá impor um limite de uso da rede. “Na velocidade a partir de 1Mbps, quem utilizar mais de 40 gigabytes terá a sua velocidade reduzida para até 300 Kbps depois desse limite”. O estudante estima baixar em média 30 megas por mês, sem contar o envio de arquivos.Gabriel estuda as linguagens de programação e utiliza a Internet como meio de trabalho, varando as madrugadas na Internet, pesquisando, programando e trocando informações pela rede, além de baixar filmes e jogos.

Desde o ano passado ele se dedica também a uma outra atividade: pesquisar e discutir a chegada dessas operadoras a Natal. Ele está sempre atento às novidades no ramo de tecnologia e acompanha todos os passos de uma empresa específica: a GVT, que opera em velocidades a partir de 3 Mbps chegando a até 100 Mbps e oferecendo preços mais baixos que os do mercado, puxando para baixo os preços da concorrência. Gabriel é um dos fundadores de um movimento na Internet pedindo a chegada da GVT em Natal. Sua comunidade na rede social Orkut reúne mais de 600 usuários, também ativos na defesa da empresa.

Para o funcionário público Rômulo Sarttoreto, Natal tem demanda reprimida em relação à banda larga. “Os avanços sociais dos últimos anos fizeram com que o poder de compra dos natalenses aumentasse, e com ele também aumentou o interesse por serviços como internet banda larga e TV por assinatura. As empresas locais não dão conta da demanda e, aparentemente, não se interessam por competição. Se você entrar no site das duas empresas, irá reparar que o preço da velocidade de 1 Mbps é equivalente. Os preços são altos por falta de uma concorrência de verdade”. Ele também tem a expectativa de que a GVT chegue em Natal. “Ela é uma empresa que pratica competição agressiva, com preços justos para velocidades de padrão europeu”.

Infraestrutura encarece distribuição

Mas as divergências de preços são fruto também da ausência de uma maior infraestrutura, necessária para levar a internet das empresas que exploram o serviço até a ponta: o consumidor final. Essa deficiência, além da alta tributação do serviço, seria responsável por encarecer a venda de internet no atacado resultando em preços mais altos nas contas dos usuários natalenses.

Aldo Roberto Silva, gerente geral da Cabo Telecom, empresa pioneira na oferta de internet banda larga em Natal, explica que atualmente é impossível competir com os preços praticados pelas grandes operadoras, uma vez que elas dispõem de links próprios - a infraestrutura necessária para levar a internet até o consumidor – enquanto a Cabo precisa comprar o serviço de uma outra operadora. “Nunca o meu preço poderá ser menor que o de um concorrente que detém a matéria prima e a quem eu vou precisar recorrer para oferecer o serviço”.

A Cabo iniciou suas operações com banda larga em agosto de 2001, um ano antes da chegada da Oi Velox na cidade. As duas empresas continuam sendo o principal referencial de banda larga na cidade. Inicialmente a Cabo trabalhava junto a diversos provedores de internet, mas em 2008 a empresa adquiriu três provedores e passou a oferecer a prestação integral do serviço. Desde maio, a Cabo oferece as velocidades de 1 Mbps, 3 Mbps e 5 Mbps, ainda inéditas no mercado potiguar. Aldo Silva não revela números, mas afirma que a Cabo Telecom detém fatia significativa do mercado potiguar. Para ele, o diferencial da empresa é a qualidade do produto e da prestação de serviços, como o suporte técnico, que garante o atendimento das demandas dos usuários em até três horas.

Ele relata que hoje no Rio Grande do Norte apenas a Velox e a Embratel dispõe de links para comercialização, mas os preços para a venda no atacado são salgados. Para contornar o problema, a Cabo chegou ao ponto de ter que comprar os links em Fortaleza, a partir de um dos backbones da empresa espanhola Telefônica que ligam a Europa ao Brasil (o outro está em Recife) por meio de cabos marítimos. “Sai mais barato realizar essa operação e pagar uma empresa para trazer o link para cá do que comprar no atacado em Natal”.

Cláudio Alvarez, gerente comercial da Cabo, avalia que Natal se encontra ilhada em termos de infraestrutura de banda larga, visto que cidades vizinhas contam com uma oferta maior de backbones e links e que a cidade não recebeu a instalação de backbones intercontinentais. Apesar disso, a empresa está concretizando uma parceria com a Embratel para ampliar a sua capacidade de operação, o que deverá baratear os preços para o consumidor dentro de dois meses.

Combos

Aldo Silva defende que os preços baixos oferecidos por grandes operadoras são discutíveis. Segundo ele, em diversas situações, a oferta de preços mais baixos está condicionada à adesão de pacotes, os chamados combos, onde o cliente é levado a assinar outros produtos dessas operadoras como serviços de telefonia fixa, móvel ou de televisão.

Na última terça-feira, 27 de julho, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinou à diversas operadores (incluindo Oi e GVT) a interrupção desse tipo de procedimento.

“Eles conseguem praticar preços menores porque diminuem os custos da operação ao fazer um pacote único. Mas a agência reguladora está atenta a essa prática porque seria uma forma de venda casada, o que é proibido pelo Código de Defesa do Consumidor. A Anatel quer que o preço individual seja o mesmo do pacote, mas essas operadoras não teriam condições para isso por causa dos custos”, afirma Silva.

A medida preocupa também quem espera pela prática de preços menores em Natal. “Essa exigência pode fazer com que os preços dessas operadores disparem”, afirma o estudante Gabriel Ramalho.

Aumento da renda possibilita a entrada de mais usuários

Falando sobre o crescimento do mercado de banda larga, o gerente da Cabo Telecom, Aldo Silva, afirma que o incremento da renda e sua melhor distribuição possibilitou que as pessoas tivessem acesso e capacidade de compra de equipamentos como computadores e notebooks, resultando numa maior produção e também numa redução de preços desses produtos. O passo seguinte foi um maior acesso da população à internet, com migração da internet discada para o acesso em banda larga.

Uma pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) mostra que em 2009, 48% dos acessos individuais aconteceram em residências, enquanto outros 45% ocorrem em lan houses. O resultado reverteu a tendência apresentada até 2007, quando o acesso em lan houses superava o residencial.

O gerente da Cabo ressalta que esse crescimento não passou despercebido pelo governo federal, que lançou em maio o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) numa tentativa de incrementar o acesso das classes C e D à internet. O projeto quer alcançar 40 milhões de domicílios até 2014 por meio da Telebrás com tarifas de R$ 35 para o plano comum, com velocidade entre 512 e 784 Kbps. Um pacote subsidiado também será ofertado. Por R$ 15, o usuário terá velocidade de até 512 kbps, com limitação de downloads.

De acordo com Silva, o processo de democratização do acesso à internet passa pela necessidade de uma intervenção maior do governo para estabelecer preços justos e garantias aos consumidores, viabilizando a oferta por pequenas empresas e longe dos grandes centros. A diminuição dos tributos seria outro ponto relevante.

Dados do governo federal mostram que atualmente o brasileiro paga em média R$ 50 pela banda larga com velocidade de 256 Nos Estados Unidos, banda larga é aquela superior a 4 Mbps.

terça-feira, 27 de julho de 2010

No Brasil, TV digital ainda é para poucos

No Observatório do Direito à Comunicação (Texto de Jacson Segundo - Observatório do Direito à Comunicação)

É certo que a admiração do brasileiro por futebol fez aumentar o consumo de televisores digitais no país. Projeções do Fórum SBTVD (Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre) indicam que apenas neste ano, impulsionadas pela Copa do Mundo, as vendas devem superar os 2 milhões de aparelhos (entre TVs, celulares e conversores digitais) vendidos até o fim do ano passado, fazendo com que esse número chegue a 8 milhões até o encerramento de 2010. No entanto, a política de expansão da TV digital no Brasil segue aquém do que se esperava. Parcela significativa da classe média segue alheia à digitalização e, para os mais pobres, esta sequer parece ser uma perspectiva.

Passados dois anos e meio da primeira transmissão em sinal digital no país, a população não tem encontrado motivos suficientes para adquirir um televisor com o receptor digital acoplado ou um conversor externo. Para o ministro das Comunicações, José Artur Filardi, a transição está ocorrendo sem muitos problemas. “Está normal e muito acima da expectativa”, considera. Os dados citados pelo ministério são que, no Brasil, a cobertura do sinal digital já está disponível em 38 cidades – entre elas, 21 capitais. Atinge uma área em que vivem 70 milhões de pessoas.

Porém, os 8 milhões de receptores que deverão estar em funcionamento até o fim do ano são menos de 10% deste total. Além disso, os números eventualmente divulgados pelo Fórum SBTVD ou pelos fabricantes não atestam, como se poderia crer, que o Brasil acelera o processo de digitalização da TV aberta. Pelo contrário, o que se observa é que a compra de televisores adaptados à tecnologia digital é feita por aqueles que querem aproveitar o serviço de alta definição oferecido pela TV por assinatura, da qual boa parte já é assinante.

A Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) não tem dados que atrelem à venda das televisões com conversores ao número de assinantes de TV paga que possuem o serviço de HD (alta definição), mas o presidente da entidade, Alexandre Annenberg, diz que essa é uma constatação evidente. “Conheço muito pouca gente que tem [aparelhos] HD só para a TV aberta”, comenta.

Apesar da falta de levantamentos oficiais, não é preciso tanto esforço para perceber que o crescimento da venda dos grandes e caros televisores adaptados à tecnologia digital coincide com o aumento do número de pessoas que começaram a usar os serviços em HD na TV paga em 2010. A Net, por exemplo, informa que, nos primeiros três meses deste ano, houve um crescimento de 70% de assinantes que usam o HD em comparação com os últimos três meses do ano passado. A oferta da alta definição pela empresa existe desde o fim de 2007.

O perfil do assinante de TV paga no Brasil é bem definido. Apesar de ter havido um aumento no número de assinaturas (10% este ano em comparação com os cinco primeiros meses de 2009) o serviço ainda não chega a 5% dos municípios e a 10% da população. Alem disso, continua concentrado nas classes A e B. De acordo com dados de 2008, a penetração da TV paga foi de apenas 9% na classe C. Em outras palavras, é este o perfil dos brasileiros e brasileiras que podem, hoje, assistir os canais de TV aberta com a qualidade e as funcionalidades prometidas com a criação do SBTVD.

Custos da conversão

Uma das razões para que a TV digital ainda se encontre nesse patamar é o custo gerado para o cidadão que, sem ser assinante de TV paga, queira adaptar-se à era digital. A aposta original do governo foi deixar a popularização dos set top box – os conversores externos que, conectados a qualquer televisor e uma antena UHF, recebem o sinal digital aberto – por conta das regras de mercado. A ideia é que o preço da “caixinha” fosse reduzido à medida que as vendas fossem aumentando e gerando escala de produção, o que não ocorreu.

Hoje, os conversores custam entre R$ 400 e R$ 600 - bem mais que os U$ 100 imaginados pelo ex-ministro das Comunicações Hélio Costa. Este é o valor mínimo a ser desembolsado por quem quer receber o sinal com melhor qualidade no seu atual televisor. Porém, para aproveitar o diferencial prometido pela TV digital – a alta definição – o investimento tem de ser bem maior.

Se a opção for trocar o aparelho por um novo, uma TV de 32'' com conversor embutido sai por cerca de R$ 1.700. Ainda assim, apesar de receber uma imagem com qualidade próxima a de um DVD, ela não opera em alta definição (Full HD). Para isso, é preciso que o consumidor adquira uma TV com resolução igual ou maior que 1920 pixels na horizontal por 1080 pixels na vertical, o que só é possível em aparelhos com 42'' ou mais.

Entre fazer um grande investimento para ter acesso a 5 ou 6 canais em HD ou gastar o valor de um salário mínimo para apenas receber estes canais sem sombras ou chuviscos, a grande maioria da população decidiu não aderir ao sistema digital. E governo e indústria do setor não estão se entendendo em relação à política de popularização da TV digital no país.

Diante das vendas irrisórias de conversores, o governo anunciou no começo do ano uma adaptação da política industrial da Zona Franca de Manaus exigindo que as indústrias lá instaladas passassem a embutir conversores nos aparelhos HD ready (prontos para alta definição). Este ano, os modelos de 42 polegadas ou mais devem sair de fábrica com o conversor e, a partir do ano que vem, a exigência vale para todos os modelos produzidos.

De início, houve reclamação, mas as empresas de eletrônicos resolveram apostar no receptor embutido nos aparelhos do tipo HD ready (prontos para alta definição). É mais lucrativo vender um televisor de grandes proporções do que a caixinha. Agora, os poucos modelos de conversores existentes estão sumindo das lojas.

Mudando novamente de ideia, o governo resolveu discutir um incentivo para a produção de conversores. De acordo com o ministro das Comunicações, José Artur Filardi, a preocupação maior do governo neste momento deve ser tomar iniciativas que consigam abaixar os preços dos conversores digitais. “O que a gente agora tem que se focar é em relação ao set top box. Realmente quem tem uma televisão que está em boas condições não vai jogar fora. Então a gente tem que ver se consegue através de incentivo ou qualquer medida possa popularizar mais o set top box”, afirma o ministro.

Em reunião realizada na segunda-feira (21) com a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), o assessor especial da Casa Civil André Barbosa afirmou que a meta é a elaboração de um programa que incentive a fabricação de 15 milhões desses aparelhos entre 2011 e 2013 voltados para as classes D e E – chegando a R$ 200,00. A contrapartida governamental seria a desoneração tributária (como PIS e Confins) dos produtos. A Eletros não quis se pronunciar sobre o assunto.

Curiosamente, a queda nos preços dos aparelhos poderá ocorrer mais por políticas criadas pelos países que vêm sendo convencidos pelo governo brasileiro a adotar o padrão tecnológico brasileiro (ISDB-T) como base para a digitalização da TV. A Argentina é o exemplo mais adiantado. Além de executar ações de fomento à produção, o governo argentino está distribuindo conversores digitais para a população de baixa renda. A ideia é distribuir 1,2 milhões de aparelhos antes do fim do ano. Naquele país, as transmissões começaram apenas no fim de 2009.

Pouca diferença

Além dos custos para a adaptação, há também um problema de cobertura do sinal em algumas cidades que já fizeram a transição para o digital, o que tem ocasionado reclamação e até devolução de conversores. Em municípios importantes como São Paulo e Rio de Janeiro existem áreas em que não é possível assistir à TV digital. Para resolver o problema, que pode se repetir em outros locais e especialmente em regiões acidentadas, é preciso que as empresas coloquem retransmissores para amplificar o sinal. “É um desafio, mas as emissoras estão investindo em retransmissores”, garante Liliana Nakonechnyj, coordenadora do módulo de promoção do Fórum SBTVD.

Mas a falta de interesse da população pela TV digital não passa apenas pelos altos preços dos aparelhos – sejam eles televisões, conversores ou celulares – ou a cobertura insuficiente. A inexistência de novidades significativas desestimula as pessoas a saírem da transmissão analógica. Duas delas seriam centrais para isso: a interatividade e a oferta de mais conteúdo. Ambas não fazem parte da realidade do projeto de governo e empresas para a digitalização.

A aposta do Brasil para a geração de recursos interativos interessantes é o software aberto Ginga, desenvolvido por pesquisadores brasileiros. Depois de anos de estudo, ele passou pela aprovação da União Internacional de Telecomunicações (UIT) e, a partir desse reconhecimento internacional, sua implantação está sendo acelerada. No entanto, ainda não existem conversores com o Ginga integrado. Só algumas televisões com receptores internos contam com ele. Além disso, as emissoras ainda não estão produzindo muitos aplicativos de interação.

Outra questão em aberto é a forma com que a população vai interagir com a TV. O modelo mais simples é por meio do próprio controle remoto, a partir de opções disponíveis na tela. Porém, algo ainda muito aquém das possibilidades que podem surgir. Possivelmente, o uso do canal de retorno – que é o que permite a interação, inclusive com recursos próximos aos da internet – pode se dar pelo uso das redes de telecomunicações, como as de telefone fixo, móvel e internet. Se assim for, é provável também que essa será uma funcionalidade paga, o que pode ser mais um entrave para a popularização da TV digital.

Outro detalhe determinante é que a digitalização não trará aos telespectadores mais e diversificados conteúdos, o que provavelmente geraria mais interesse. O padrão japonês adotado no Brasil – chamado de nipo-brasileiro pelo governo – permite que isso seja feito, já que ele possibilita a compressão do sinal. A quantidade de programações (canais) da TV aberta poderia ser multiplicada por quatro. No entanto, há dois problemas.

O primeiro é que a distribuição de canais para serem usados pelas atuais emissoras transferirem suas programação para o sistema digital, feita a partir da publicação do Decreto 5.820/06, impede, na prática, a entrada de novos atores na TV aberta. Isso porque o tamanho da faixa destinada às emissoras no sistema analógico – de 6 Mhz – foi mantido para o sistema digital. Nesta largura de banda (o tamanho do canal), poderiam ser transmitidas pelos menos outras 4 programações. O decreto está sendo alvo de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), que deve ser julgada em breve pelo Supremo Tribunal Federal [saiba mais].

A segunda questão é a regulamentação da multiprogramação. Até agora, a regra estabelecida pelo Ministério das Comunicações diz que apenas as emissoras exploradas pela União poderão lançar mão da multiprogramação. A medida casa com interesses da Rede Globo, que já manifestou seu desinteresse em usar tal recurso, já que a divisão de conteúdos poderia gerar dispersão de audiência e de arrecadação publicitária. Outras emissoras, como Bandeirantes e RedeTV!, pressionam pela liberação do uso do recurso exatamente para tentar fazer frente à Globo. Por enquanto, menos um motivo para ir às compras.

Latifúndio e lentidão

O resultado das decisões governamentais é que as atuais emissoras que estão operando com o sinal analógico e o digital ao mesmo tempo não utilizam a maior parte dos 6 Mhz que receberam do governo para a transição do sistema. “É um latifúndio digital”, critica Arthur William, integrante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social. E emenda: “A TV digital no Brasil não foi planejada. A postura do governo de deixar o mercado regulamentar é o erro. O empresário vai fazer no tempo dele. Para ele não é vantajoso acelerar agora.”

Para Arthur, é possível que, mantendo-se o atual ritmo, o Brasil não cumpra o prazo previsto para a transição completa para o sistema digital, que é 2016. “O que pode salvar esse prazo é a Copa de 2014 e as Olimpíadas, em 2012”, avalia.

O professor de Comunicação da Universidade Federal de Sergipe César Bolaño acredita que o ritmo de transição segue lento como se previa. “Era natural que não houvesse demanda porque o modelo não é sensivelmente diferente do que já existe”, diz Bolaño.

Para ele, um processo de democratização da TV não está ligado necessariamente à tecnologia e sim ao modelo da comunicação no país. “O problema não é a TV digital é a TV aberta brasileira. Ela tem um modelo de funcionamento privado. A tecnologia não democratiza. A não ser que a TV pública consiga no campo digital o que não conseguiu na TV aberta”, opina César Bolaño. A tecnologia inclusive, segundo o professor, pode aprofundar as diferenças entre os grandes e pequenos veículos de comunicação. “Quanto mais tecnologia, mais custo. Ela tende a reforçar as posições de quem detém mais capital.”

O professor, porém, ressalta que a política do governo brasileiro de conquistar novos países para adoção do padrão nipo-brasileiro tem sido acertada. “O aspecto positivo é tentar criar uma condição sul-americana do ponto de vista industrial”, observa Bolaño. O último país para que o Brasil exportou seu padrão foi as Filipinas. Com isso, já são dez países que aderiram ao ISDB-T. A maioria deles está na América Latina. Até julho, a previsão é de que a África decida seu padrão e o governo brasileiro está em diálogo com alguns países do continente.

LEIA TAMBÉM:

* Promessa da TV digital, interatividade ainda engatinha
* Preços e desinformação desestimulam compra de TV digital
* TV digital móvel demorará alguns anos para ser popular

terça-feira, 20 de julho de 2010

Giveaway of the Day propõe programas grátis com autorização do desenvolvedor


O projeto Giveaway of the Day é uma iniciativa de distribuição mundial de software de forma legal segundo seus idealizadores. Todos os dias, eles oferecem um software GRÁTIS licenciado que teria de ser pago com autorização dos desenvolvedores.
Este programa fica no site http://pt.giveawayoftheday.com/ para download durante 24 horas (ou mais, se assim o entender o produtor).
Segundo o site, não se trata de uma versão experimental ou limitada – mas de uma versão registrada e legal do software que será gratuito para os visitantes do site.
O software será apresentado na sua total funcionalidade, sem quaisquer limitações, exceto as mencionadas nos Termos e Condições, que não permite o uso comercial , muitas vezes as atualizações e suporte técnico.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Sites do governo federal estão servindo de plataforma para spammers

http://idgnow.uol.com.br/seguranca/2010/06/23/sites-do-governo-federal-estao-servindo-de-plataforma-para-spammers

Por Renato Rodrigues, do IDG Now!
Publicada em 23 de junho de 2010 às 18h37
Atualizada em 23 de junho de 2010 às 18h46

Endereços do governo, como Ibama, Inpa e Inmetro foram invadidos e estão servindo para ajudar páginas de farmácias online a subirem no ranking do Google.

Vários domínios do governo federal estão servindo para ajudar spammers a melhorar a posição de seus sites nos mecanismos de busca.

De acordo com análise publicada no site da empresa de segurança Sucuri.net, hackers invadiram diversos domínios do governo e inseriram links e termos que ajudam suas páginas a alcançar posições mais altas (ou seja, aparecer antes) em uma busca por "Viagra" ou "Cialis" no Google, por exemplo.

De acordo com o post no blog da Sucuri, o ataque atingiu vários sites governamentais de grande porte, como o do Ibama, Inmetro, Inpa, Eletrosul, Justiça Federal de Alagoas e Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.

Para descobrir que sites federais estão infectados, digite a busca "viagra soft" inurl:.gov.br e/ou "cialis" inurl:.gov.br.

"É uma técnica adotada por atacantes no mundo todo", diz Dimitry Bestuzhev, analista da malware da Kaspersky Lab. "Ainda não é possível dizer exatamente o que aconteceu, mas os cenários mais comuns são ataques de força bruta contra o login do administrador, exploração de vulnerabilidades no servidor, injeção de SQL ou até roubo de senha".

"O Google trabalha com referências", explica Vladimir Amarante, engenheiro de sistemas da Symantec. "Por isso, quando alguém insere links em muitos outros sites, essas páginas sobem no ranking da busca". Para ele, as alterações no código-fonte das páginas podem ter sido feitas explorando falhas ou até por funcionários com acesso interno.

Para Amarante, os atacantes poderiam perfeitamente ter inserido códigos de malware nas páginas. Dessa forma, internautas sem proteção na máquina seria infectados automaticamente ao visitá-las (o chamado ataque de "drive-by download"). "Eles podem não ter feito isso porque teriam chamado a atenção muito antes", disse.

"Farmácias online são um mercado negro conhecido, que envolve muito dinheiro e conta com o apoio de gangues criminosas no mundo todo", diz Dimitry.

E qual o perigo desse comércio eletrônico duvidoso? "Você pode ter seu cartão de crédito ou seu e-mail roubado", diz o analista da Kaspersky.

Internet pode ficar saturada em dois anos

terça-feira, 9 de março de 2010

Brazil releases list of retaliation products

Brazil releases list of retaliation products

Daniel Lima Reporter Agencia Brasil

Brasília – Brazil’s Chamber of Foreign Trade (Camex) has released a list of products imported from the United States that it intends to slap surtaxes on totaling $591 million in retaliation for US cotton subsidies. The list is a mixed bag, going from automobiles to chewing gum, tooth paste, shampoo, cologne, fish, pears, beer and potatoes. But the most controversial item on the list is wheat (the import surtax will go from 10% to 30%), which it is believed will mean an increase in the price of bread for Brazilian consumers. However, the secretary for Foreign Trade (Ministry of Development, Industry and Foreign Trade), Lytha Spindola, says this will not happen as Brazil has alternative sources of wheat imports.
Brazil plans to collect another $238 million from the services sector, and intellectual property and patents the US holds, in order to reach the $829 million retaliation ceiling authorized by the World Trade Organization.
Carlos Marcio Cozendey, director of the Economics Department at the Foreign Ministry, says it was decided to expand the list of retaliation products beyond the farm sector (which was directly harmed by US cotton subsidies) in order to put some pressure on the US Congress. It is expected that producers of some of the products on the list will be calling their congressmen complaining about the surtaxes and asking why they have to lose market share in Brazil because of US cotton sector polices which harm developing nations all over the world and especially poor nations in Africa.

Allen Bennett - translator/editor The News in English

segunda-feira, 1 de março de 2010

Programa do Imposto de Renda das Pessoas Físicas 2010

A Receita Federal não liberou no horário previsto o programa do Imposto de Renda das Pessoas Físicas 2010. Quem está com dificuldade de baixar o programa deve clicar aqui.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Programa para enviar Imposto de Renda 2010

Receita libera um dos programa responsáveis pelo envio da declaração do Imposto de Renda

Para facilitar a vida do contribuinte, a Receita já liberou na internet um dos programas responsáveis pelo envio da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2010, o Receitanet. Esse programa é usado apenas para a transmissão da declaração, não serve para gerar o documento propriamente dito. Segundo a Receita, o programa gerador da declaração só será liberado no dia 1° de março, quando se inicia o prazo para o envio da declaração.

Baixe a versão Windows do programa para envio da declaração do IR 2010
Baixe a versão Machintosh do programa para envio da declaração do IR 2010
Baixe a versão Linux do programa para envio da declaração do IR 2010


As novas regras para a Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2010 foram publicadas no Diário Oficial da União na quarta-feira (10). Neste ano estão obrigados a declarar os contribuintes que tiveram rendimentos tributáveis superiores a R$ 17.215,08 no ano passado.

Os contribuintes que tiveram rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, ficam obrigados a declarar se esse valor ultrapassar R$ 40.000,00. Se o contribuinte optar pelo desconto simplificado na declaração, o valor limite para usar o modelo ficou em R$ 12.743,63.

A obrigatoriedade da entrega da declaração para quem tinha patrimônio superior a R$ 300 mil em dezembro de 2009 é uma das mudanças deste ano. Antes, o valor era de R$ 80 mil. Outra mudança é que os contribuintes que entregavam a declaração apenas como sócio de empresa estão livres da declaração, caso não se enquadrem nas demais regras de obrigatoriedade.

Em 2010, as deduções continuaram as mesmas, apenas com uma correção de 4,5% em comparação a 2009. Este ano o valor de abatimento por dependente passa para R$ 1.730,40 . Os valores a serem descontados globalmente com educação ficaram em R$ 2.708,94. Não há limite para dedução com saúde.